Os desafios de viver com câncer em momentos de pandemia (COVID-19) | Colunistas

Questões de relevância Como é de amplo conhecimento, portadores de neoplasias estão inclusos nos grupos de risco para COVID-19. Tal infecção possui patogenia complexa e facilmente confundida com outras síndromes gripais devido a heterogeneidade de seus sintomas. Seu perfil clínico tende a grande risco de complicações e para uma difícil abordagem terapêutica. Pacientes com câncer precisam manter a continuidade de seus tratamentos quimioterápicos/radioterápicos/imunoterápicos em quaisquer modalidades prescritas, de finalidade, seja ela adjuvante, neoadjuvante, radiossensibilizante ou paliativa. São vários os fatores desafiantes nesse contexto, pois lidamos com pacientes imunossuprimidos, mais susceptíveis a infecções e que pela necessidade de manter seus tratamentos em ambiente hospitalar se tornam ainda mais expostos a esses riscos. Dessa forma, o Serviço Médico do Hospital do Câncer IV (HCIV) do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), em acordo com a Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP), a Associação Médica Brasileira (AMB) e o Conselho Federal de Medicina (CFM) instituíram um plano de ação direcionado à segurança desses pacientes durante o período pandêmico. A falta de evidências científicas sólidas a cerca das intervenções farmacológicas para o vírus SARS-Cov-19, coloca esse grupo clínico em destaque, pois a sua sensibilidade fisiológica e imunológica faz com que a infecção por coronavírus tenha um desfecho de maior redução em seu tempo de sobrevida. Além disso, isolar um indivíduo que já vive em um estado de dor psíquica é bastante prejudicial e vai de encontro com os pilares dos cuidados paliativos, que prezam pela promoção da qualidade de vida e alívio da dor e sofrimento. Figura 1: Classificação, padrões e tipos de Dor. Fonte: Arquivo pessoal de Lara T. F. S. Honório. Além disso, pacientes oncológicos apresentam com certa frequência quadros de

Lara Honório

6 min há 39 dias

Feocromocitoma: Uma Breve Revisão | Colunistas

Introdução Feocromocitomas são tumores de células cromafins, derivadas da crista neural embrionária e encontradas na medula da glândula adrenal (suprarrenal) e outros gânglios do sistema nervoso simpático, nesse último caso caso sendo denominados paragangliomas. Esses tumores estão associados a secreção de catecolaminas em excesso incluindo adrenalina, noradrenalina, dopamina e/ou seus metabólitos, incluindo metanefrina, normetanefrina e 3-metoxitiramina, respectivamente. A avaliação inicial desses tumores é feita através da dosagem de metanefrina e normetanefrina. Feocromocitomas surgem da glândula adrenal, enquanto os paragangliomas surgem das células cromafins extra-adrenais do simpático e gânglios parassimpáticos localizados no pescoço, tórax, abdômen ou pelve. Quase 80-85% desses tumores neuroendócrinos cromofílicos são feocromocitomas, enquanto 15-20% são paragangliomas extra-adrenais. Palavras-Chave: “feocromocitomas”; “feocromocitomas sintomas”; “feocromocitomas diagnóstico”. Epidemiologia Os feocromocitomas são tumores raros, com uma incidência anual de 2 a 9,1 por 1 milhão de adultos. A maioria dessas neoplasias são benignas, porém mais de 25% podem ser malignas. Não existe diferença na incidência entre homens e mulheres. Feocromocitomas podem surgir em qualquer idade, entretanto são mais comuns entre a terceira e a quinta décadas de vida. A forma hereditária é mais provável de acometer pacientes jovens. Crianças com feocromocitomas aparentemente esporádicos podem conter o fator hereditário em até 70% dos casos. A incidência na população adulta hipertensa é de 0,2% a 0,6%. Porém, cerca de 50% dos feocromocitomas não são diagnosticados por não produzirem nenhuma manifestação clínica durante a vida. A raridade e variabilidade tornam esses tumores muito difíceis de diagnosticar, de modo que muitos deles são descobertos acidentalmente durante exames radiológicos, especialmente do abdômen, ou na autópsia. Fatores Genéticos Os casos hereditários frequentemente são benignos, mas cerca de

Gustavo Paiva Azevedo

6 min há 54 dias

Minha Experiência no Internato das Especialidades: Hematologia e Oncologia | Colunistas

Minhas experiências no internato de Hematologia e Oncologia foram marcantes nos âmbitos acadêmico e pessoal. A oportunidade de reflexão sobre a forma de enfrentamento individual de cada pessoa diante das doenças e condições de vulnerabilidade é única. A empatia é a chave para lidar com essas situações, colocar-se no lugar do paciente, diante de sua história de vida, desejos e demandas; escolher todos os dias tratar o nosso próximo com amor, sem julgamentos, e com igualdade e respeito. São experiências que enriquecem nossa formação centrada na pessoa, e não na doença, e nos colocam em confronto com crenças e tabus sobre a morte, cuidados paliativos e a nossa forma de enxergar a terminalidade da vida. A importância da Hematologia e Oncologia no internato As duas especialidades nem sempre fazem parte do plano de ensino durante o internato das faculdades de medicina no geral, mas têm grande importância na formação acadêmica, pois na atualidade temos uma grande prevalência de doenças como o câncer, além da clínica ricamente presente nesses pacientes. Após o aprendizado teórico no ciclo básico anterior ao internato, tive o privilégio de passar por essas especialidades no hospital Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte. Dessa forma, pude consolidar o conteúdo com as vivências práticas da enfermaria. É imperativo ao médico generalista saber quando encaminhar seus pacientes diante de quadros clínicos sugestivos de doenças hematológicas e oncológicas, além de saber sobre exames que podem ser solicitados para guiar e antecipar o diagnóstico. A conduta, geralmente, fica na responsabilidade do especialista, mas cabe a qualquer outro médico saber como acompanhar esses pacientes concomitantemente ao tratamento e seu seguimento. Considero relevante também a vivência reflexiva diante das variadas histórias com as quais nos deparamos, desenvolvendo um olhar mais humano diante

Kathleen Emerick

3 min há 60 dias

Tumores cardíacos: o papel da ecocardiografia | Colunistas

Os tumores cardíacos representam um dos diagnósticos diferenciais das massas cardíacas diagnosticadas ao ecocardiograma, além de trombos, vegetações (infecciosas ou assépticas) e pseudotumores. A ecocardiografia é a modalidade de imagem inicial na maioria dos casos, sendo capaz de avaliar a localização, morfologia, dimensões, ecogenicidade (equivalente a “textura”), mobilidade, extensão, presença de calcificações e complicações associadas às massas, permitindo melhor delimitação das hipóteses diagnósticas e programação de manejo. Tumores cardíacos primários são raros (0,02%), mas metástases são 100 vezes mais frequentes. Algumas técnicas em ecocardiografia facilitam o diagnóstico diferencial entre trombos, tumores benignos e tumores malignos, como o uso de agentes de realce ecocardiográfico (previamente conhecido como “contraste” ecocardiográfico) que identifica estruturas vascularizadas. Dados obtidos por ecocardiografia tridimensional tem melhor resolução espacial para avaliar volumes, morfologia e relação da massa com as estruturas vizinhas. Figura 01. Classificação dos tumores cardíacos (autoral). Tumores cardíacos primários benignos Compõem 85-90% dos tumores cardíacos primários, sendo que metade são mixomas. Em crianças, o tipo mais frequente é o rabdomioma. Mixomas Mais comuns entre a terceira e sexta décadas, cursam frequentemente com sintomas constitucionais (mal estar, febre, astenia) ou se apresentam com sintomas obstrutivos ou embolia. Três quartos localizam-se no átrio esquerdo, 20% no átrio direito e apenas 5% nos ventrículos. Vistos como massas polipoides, com pedículo fixado no septo interatrial, heterogêneos com superfície irregular. Fibroelastomas papilares Pequenos tumores (< 10mm) arredondados, de aparência gelatinosa com múltiplas ramificações (semelhantes a anêmonas-do-mar). Geralmente são únicos, tem ampla mobilidade e alto risco de embolização. Podem se localizar em qualquer região do endocárdio, mas 77% são valvares (face aórtica da valva aórtica e face atrial da valva mitral) sem ocasionar disfunção hemodinâmica na

Themissa Voss Cardiologia

5 min há 62 dias

Câncer Colorretal | Colunistas

Um tema de grande relevância, ressaltando a prevenção primária nos hábitos de vida, a prevenção secundária com a importância do exame de rastreio, e o tratamento na terciária, o câncer colorretal necessita de maior visibilidade e investimentos no cenário nacional. Fonte: https://www.h9j.com.br/pt/sobre-nos/blog/cancer-colorretal-o-que-e-como-evita-lo Introdução Ambos os gêneros se encontram em faixas semelhantes, sendo a incidência estimada apresentando um valor de 20.520 para o sexo masculino e 20.470 para o sexo feminino. Com isso, os riscos a cada 100 mil habitantes também foram semelhantes, sendo, de 19,63 para homens e 19,03 para mulheres. Considerada a terceira enfermidade maligna mais comum na população mundial, o CCR tem sua gênese compreendida em quatro estágios principais: iniciação, promoção, progressão e metástase. O primeiro estágio é caracterizado por um dano genético irreversível que leva a célula à transformação neoplásica. Em seguida, as organizações celulares que sofreram alterações passam a se multiplicar, promovendo um crescimento anormal e, caracterizando o terceiro estágio, podem sofrer novas modificações genéticas e epigenéticas. Nesse cenário, ao longo de anos, as células tumorais benignas passam a se tornar malignas, finalizando o processo com a sua disseminação através do sistema sanguíneo ou linfático para outros órgãos e tecidos. Diante dos dados mencionados, compreende-se, portanto, a relevância do tema, pois essa neoplasia é altamente incidente em diversas nações, revelando-se como um importante problema de saúde pública. Localização e Quadro Clínico Grande parte dos tumores de cólon e reto originam-se de pólipos adenomatosos, que, por sua vez, surgem a partir de mutações nas células que integram a mucosa do intestino. Inicialmente, essas estruturas anatômicas nada mais são que tumores benignos, porém, com o avançar da idade, podem adquirir o aspecto de malignidade. Sendo

Guilherme Bitencourt

5 min há 63 dias

Diretriz sobre Mieloma Múltiplo e idade limite para a realização do transplante autólogo de células tronco hematopoéticas | Ligas

A diretriz “Mieloma Múltiplo – Qual a idade limite para a realização de transplante autólogo de células tronco hematopoéticas” foi elaborada em setembro de 2020 pela Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular. Possuindo como objetivo identificar a idade limite para realização do transplante autólogo de células tronco hematopoéticas, definindo os benefícios e danos para as idades analisadas. Sabe-se que no transplante autólogo as células provêm do próprio indivíduo transplantado e aumentam a sobrevida dele, por isso é necessária a realização de diversos estudos aprofundando quais pacientes são elegíveis ao transplante citado. Metodologia Foi realizada uma revisão sistemática, com os seguintes elementos de elegibilidade dos estudos:     1- Pacientes adultos com diagnóstico de Mieloma Múltiplo;     2- Comparação entre grupos: idosos (mínimo de 60 anos) e não idosos (menor que 60 anos);     3- Uso monoterápico de Melfalano (100-280 mg/m) como regime de condicionamento;     4- Sem limite de período;     5- Sem limite de idioma;     6- Texto completo disponível para acesso;     7- Transplante autólogo ou alogênico Tandem foram excluídos. Durante a busca foram recuperados 3.271 e 2.766 trabalhos nas bases Medline e EMBASE respectivamente. Após a eliminação das duplicatas e atendendo aos critérios de elegibilidade foram selecionados 21, dos quais foram excluídos 17, restando 4 estudos para sustentar as recomendações. Os principais motivos de exclusão dos 17 estudos foram: ausência de dados de sobrevida global, livre de progressão, resposta ou toxicidade; ausência de comparação entre idosos e não idosos; séries de casos; revisão sistemática ou não. Tabela 1: Descrição dos estudos incluídos (Fonte: Associação Brasileira

LACMED

4 min há 71 dias
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