Tuberculose óssea e articular | Colunistas

Um pouco da epidemiologia De acordo com a Organização Mundial da Saúde cerca de 1/3 da população mundial está infectada pelo Mycobacterium tuberculosis, sendo a Tuberculose Extrapulmonar (TBEP) relacionada à aproximadamente 20% das apresentações de tuberculose, e relevante pela sua alta morbidade (que possui a capacidade de adoecer) e letalidade (que possui a capacidade de matar). Dentro desses 20%, a tuberculose óssea e articular é predominante, sendo, especialmente, a coluna vertebral acometida em mais da metade dos casos. Ainda, é interessante elencar que a coinfecção com o HIV é o mais importante fator para o desenvolvimento da Tuberculose Ativa, sendo a TBEP mais comum nesses pacientes, contudo, a TB óssea e articular não se organiza na mesma dinâmica, não sendo maior nos pacientes HIV positivo. Patogenia É bem estabelecido que as características básicas do M. tuberculosis é seu crescimento lento, sendo aeróbios estritos e, em razão de sua cápsula com alto teor lipídico, resistentes aos corantes ácidos e ao álcool, sendo assim chamados de bacilos álcool-ácido resistentes (BAAR). A lesão básica na TB óssea e articular é a osteomielite e tem a artrite como consequência, geralmente, de foco estabelecido a partir da disseminação hematogênica da infecção primária, por drenagem linfática ou secundária a foco contíguo da doença, tanto em adultos como nas crianças. Pelas metáfises ósseas receberem o maior suprimento sanguíneo, são, em geral, o sítio de início da infecção. Uma vez atingido a epífise óssea ocorre a drenagem para o espaço articular, tendo como consequência a artrite. Com a evolução da doença, um abscesso frio, circundando a lesão articular ocorre e pode haver seu rompimento, formando fístulas para diversas regiões. Assim como a disseminação hematogênica da infecção primária pode

Leonardo Parreira Castro

5 min há 45 dias

Artrodese | Colunistas

O que é? A artrodese é um procedimento cirúrgico que consiste na união de duas ou mais articulações em qualquer porção do corpo (em geral 2 a 3 porções), a fim de promover imobilidade e, por consequência, estabilidade na articulação abordada. Esse procedimento é mais comumente realizado na coluna, onde é feita a fusão das vértebras. Nesse caso, denominamos a cirurgia de artrodese de coluna. Indicações As principais funções de uma cirurgia de artrodese são: Estabilização de articulações;Correção de deformidades;Controle álgico (ou seja, de dor). Sobre as condições que indicam a artrodese, temos: Espondilolistese (desalinhamento entre duas ou mais vértebras);Escoliose (desvio lateral) ou cifose (desvio anterior) acentuadas;Espondiloartrose (degeneração das vértebras);Instabilidade na coluna (por exemplo, por hérnia de disco);Estenose do canal vertebral (por exemplo, pela compressão extrínseca de um tumor);Trauma (fraturas, luxações);Fraturas patológicas (osteoporose);Tumores da coluna;Infecções na coluna (como tuberculose vertebral);Afecções reumatológicas (como espondilite anquilosante);Artropatia de Charcot (causada por neuropatia periférica);Cirurgias prévias na coluna ou quadril. Artrodese de Coluna Introdução A artrodese na coluna pode ser realizada em qualquer altura, ou seja, cervical, torácica ou lombar. A via de acesso cirúrgico pode ser anterior (pela frente), lateral ou posterior (pelo dorso). As cirurgias hoje podem ser feitas de forma convencional (feita através da incisão diretamente ao local que será abordado), minimamente invasiva ou endoscópica. Há vantagens com a possibilidade de se realizar a cirurgia de artrodese minimamente invasiva ou endoscópica, pelo fato de serem feitas pequenas incisões que já são suficientes para a cirurgia, permitindo o mínimo de dano aos tecidos vizinhos. Para o procedimento, podem ser necessários vários equipamentos como placas, parafusos e pinos para fixação da articulação

Beatriz Machado Silva

4 min há 73 dias

Articulações do esqueleto apendicular superior: cintura escapular | Colunistas

Imagem: depositphotos Palavras-chave: membro superior; cintura escapular; esqueleto apendicular. Definição O esqueleto humano pode ser dividido em esqueleto axial, composto, no total, por 80 ossos distribuídos entre crânio, coluna vertebral, esterno e costelas; e esqueleto apendicular, este com 126 ossos distribuídos entre membros superiores, membros inferiores, cintura pélvica e cintura escapular. A cintura escapular é composta de duas clavículas e duas escápulas ligadas entre si por ligamentos. Trata-se de uma estrutura que sofreu adaptações à bipedia dos hominídeos, o qual as escápulas não estão mais conectadas entre si. Clavículas – Fonte: DepositphotosEscápulas – Fonte: Depositphotos Importância anatômica e funcional A cintura escapular, junto com suas articulações e músculos trabalhando sincronicamente, terá papel primordial na transferência de força para a coluna vertebral e na grande amplitude de movimentos do membro superior. Vale ressaltar que justamente por seu grande grau de mobilidade existente, também pode se apresentar como um dos complexos articulares mais instáveis, muito suscetível a lesões. É a cintura escapular que permite deslocar um segmento móvel (úmero) em seu ponto fixo (escápula), se deslocando no corpo. Músculos anteriores São aqueles que auxiliam na movimentação do cíngulo do membro superior: Músculo SubclávioMúsculo Peitoral MenorMúsculo Serratil Anterior Na tabela abaixo você pode acompanhar as características principais de cada tipo de músculo:  LocalizaçãoFormatoInserção ProximalInserção DistalFunçãoMúsculo SubclávioInferiormente à clavícula; posição quase horizontal quando o braço está em posição anatômica.Músculo pequeno e redondo.Junção da costela I e sua cartilagem costal.Face inferior do terço médio da clavícula.-Garantir alguma proteção para os vasos subclávios e o tronco superior do plexo braquial se houver fratura de clavícula;

Júlia Mendonça

4 min há 75 dias

Caso Clínico: Osteomielite | Ligas

A osteomielite é uma infecção óssea, geralmente provocada por bactérias,  em especial Staphylococcus aureus. As osteomielites podem ser agudas ou crônicas, de origem hematogênica, secundárias a ferimentos, a fraturas expostas e pós-operatório. Identificação do paciente A.R.C, 9 anos, sexo masculino, pardo, escolar, natural e residente de uma cidade no interior do Goiás. Queixa principal “Dor na perna que não passa” História da doença atual Paciente acompanhado da mãe, procurou atendimento há cerca de um mês devido a trauma em acidente de carro com fratura de fêmur distal esquerdo no qual a mãe relata demora para início do tratamento cirúrgico. A mãe refere que no pós-operatório do seu filho, apresentou boa recuperação, porém, há duas semanas, iniciou-se cefaleia, febre acompanhada de sinais flogísticos localizados, sem irradiar, próximo ao local da cirurgia, evoluindo piora ao longo dos dias. Além disso, na articulação do joelho, relata limitação da articulação acompanhada de fístulas ativas, secretivas, sem sinais de melhora da dor, mas piora com a palpação e compressão digital no local, comprometendo o bom estado geral do paciente. Por fim, a mãe refere que o paciente apresenta-se astênico com perda de peso e desidratado. Nega outros sintomas. Antecedentes pessoais e patológicos Gestação e condições de parto normais com desenvolvimento psicomotor e físico normal. Nega doenças na infância e na família, até o momento, havendo feito uma única cirurgia, a de trauma no fêmur Exame físico Geral: Paciente apresenta regular estado geral; hipoativo, porém reativo e normocorado. Além disso, apresenta febre, astenia e perda de peso. Ap. Cardiovascular: RCR 2T BNF, sem sopros  Ap Respiratório: MV+, sem

Manifestações osteoarticulares prevalentes em pacientes com HIV | Colunistas

O aumento da prevalência de pessoas com HIV/AIDS Diante da era do tratamento antirretroviral de alta potência, felizmente, existe um significante aumento da prevalência e expectativa de vida dos pacientes infectados pelo Vírus da Imunodeficiência Humana ou em Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. Contudo, as consequências metabólicas perante o tratamento, e a própria doença em si, é fruto de várias pesquisas e publicações na literatura mundial. Esse texto tem como objetivo levantar as principais manifestações osteoarticulares e seus comemorativos nesse grupo de pacientes. Diminuição da mineralização óssea É unânime dentre os artigos a altíssimo porcentagem da alteração metabólica de diminuição da mineralização óssea, que cresce exponencialmente mais com a idade comparada ao grupo que não tem a doença. A justificativa fisiopatológica é complexa, e envolve fatores presentes no hospedeiro, no vírus e nos antirretrovirais, porém a consequência de uma remodelação óssea desregulada mostrando o desequilíbrio entre a atividade metabólica de osteoclastos e osteoblastos é evidente. Fonte: VÁRIOS AUTORES. CLÍNICA ORTOPÉDICA. BARUERI – SÃO PAULO: MANOLE, 2012. Consequentemente, a osteonecrose da cabeça do fêmur (elucidada no meu texto anterior em https://www.sanarmed.com/osteonecrose-da-cabeca-do-femur-abordagem-sobre-aetiopatogenia-nao-traumatica-e-seus-enigmas-colunistas) e osteopenia/osteoporose. Osteonecrose da Cabeça do Fêmur Sendo a osteonecrose da cabeça do fêmur a alteração ortopédica mais encontrada na população soro positiva para HIV, e a articulação do quadril a mais acometida, convido-lhes a ler meu texto específico sobre o tema publicado anteriormente, em: https://www.sanarmed.com/osteonecrose-da-cabeca-do-femur-abordagem-sobre-aetiopatogenia-nao-traumatica-e-seus-enigmas-colunistas. Dessa forma, toda dor em quadril e lombar devem ser altamente valorizadas nesses pacientes, os quais devem ser rapidamente encaminhados para avaliação ortopédica. Osteopenia/Osteoporose A definição de Osteopenia que em sua evolução natural conduz à Osteoporose, é,

Leonardo Parreira Castro

4 min há 80 dias

A fisiopatologia e manejo da fratura de escafoide | Colunistas

Introdução O escafoide é o osso mais estudado do carpo, devido à sua importância na função normal do punho, incidência de lesões e da probabilidade, relativamente alta, de complicação após sua fratura. Anatomia pertinente O escafoide, o osso mais radial do carpo, pertencente à primeira fileira, faz a conexão das duas fileiras de ossos do carpo. Possui cinco facetas articulares com: rádio, trapézio, trapezoide, capitato e semilunar. Devido à quase totalidade de sua superfície ser coberta por cartilagem, tem um sistema peculiar para sua irrigação: é nutrido pelo ramo palmar da artéria radial, que adentra na região distal do osso pela superfície dorsal (80% do suprimento) e volar (20%, pelo tubérculo do escafoide), fazendo com que a região proximal receba aporte sanguíneo retrógrado. Epidemiologia As fraturas escafoides afetam predominantemente adultos jovens, com idade média de 29 anos.  Há maior incidência em homens. São incomuns na população pediátrica e na população idosa, onde a física ou o raio distal, respectivamente, são mais propensos a fraturar primeiro. As fraturas escafoides são responsáveis por 15% das lesões agudas no pulso. Mecanismo da lesão Geralmente, resultam de trauma de baixa energia, com hiperextensão do punho, com a mão espalmada e desvio radial. Quedas ao solo e traumas durante atividades esportivas são os mais comuns. Pode, também, ser resultante de traumas de energia maior, como acidentes motociclísticos, automobilísticos ou queda de altura. História clínica e exame físico Fraturas escafoides geralmente causam dor e inchaço na base do polegar na caixa de rapé anatômica. Os pacientes normalmente apresentam dor no pulso com um histórico recente de trauma. A dor é muitas

Mateus Polo

6 min há 92 dias
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