Caso clínico: Violência infantil | Ligas

Identificação A.M.C, masculino, 2 anos, pardo, natural de Araguaína-TO, reside com os pais. Queixa principal Foi encontrado morto no interior do apartamento dos pais. História da Doença Atual (HDA) Corpo conduzido ao IML após ser encontrado morto no apartamento dos pais as 10h da manhã, mãe alega que enquanto tomava banho ocorreu um arrombamento no imóvel e em seguida encontrou o filho morto na sala. Observou-se lesões contundentes em várias topografias (crânio, região cervical, abdome e membros inferiores). História Patológica Pregressa: TEA grau III (SIC) História Patológica Familiar: não soube relatar História Fisiológica e Social: ambiente familiar hostil, situação econômica precária, moradia emprestada pelo empregador dos pais. Exame físico Fonte: https://brasil.babycenter.com/thread/4613342/galo-na-testa– Cabeça: Equimose azulada em região maxilar, Equimose violácea em região frontal juntamente com hematoma subgaleal.Abdome: Equimose amarelada em hipocôndrio esquerdo Fonte: https://relacionadoacriancas.blogspot.com/2019/09/mancha-roxa-na-perna-de-crianca.html Membros Inferiores: equimoses múltiplas com várias tonalidades, de violáceas, azuladas até amareladas Suspeita diagnóstica Traumatismo craniano encefálico  (TCE) após latrocínio, TCE após maus-tratos infantis, abuso físico e negligência. Exame complementar Necropsia, raio X Diagnóstico Óbito por traumatismo craniano devido espancamento, demonstrado por diversas equimoses pelo corpo, hematoma subgaleal com repercussão interna identificada na necropsia e no raio X como um afundamento traumático do osso frontal ocasionado por objeto contundente. Discussão do caso A criança em questão foi vítima de maus tratos que de acordo com a coloração das lesões, ocorreram durante vários dias culminando com o desfecho final de traumatismo craniano

Bebês podem ter alguma proteção à COVID pelo leite materno? | Colunistas

Introdução Após 1 ano e seis meses do surgimento do vírus SARS-COV-2 e o início da proliferação da doença conhecida como COVID-19, muitos assuntos ainda estão sendo esclarecidos, um deles, de suma importância para o enfrentamento da pandemia, é a possibilidade de que os recém-nascidos possam adquirir alguma proteção graças aos anticorpos presentes no leite materno. Inicialmente, discutiam-se como as mães deveriam proceder para manter a amamentação em tempos de pandemias, principalmente aquelas infectadas pelo vírus e que desenvolviam a doença. Certos profissionais indicavam a interrupção da amamentação, alguns indicavam a retirada do leite e a oferta ao bebê através de copinhos ou mamadeiras, outros orientavam para que a amamentação continuasse de forma normal seguindo apenas a etiqueta respiratória, com o uso da máscara e a higienização com água e sabão ou álcool em gel antes e após o aleitamento. Em meados de julho de 2020 a Sociedade Brasileira de Pediatria se posicionou com orientações e recomendações sobre o aleitamento no contexto pandêmico, os principais tópicos eram que o aleitamento materno deveria ser realizado desde que a mãe estive em condições de fornece-lo ao seu bebê, cada caso devia ser estudado de forma individualizada e a conduta seria única para cada paciente e, por fim, como não foi comprovado ate o momento a transmissão vertical do vírus o ideal então é que seja realizada a amamentação. Contudo, com a evolução dos estudos outro tema de bastante relevância foi sendo mais analisado, a resposta imune adquirida pelos recém-nascidos amamentados ou por mães contaminadas pelo vírus, ou por aquelas que já foram imunizadas. Importância do aleitamento materno Atualmente, na medicina a importância do aleitamento materno tanto para saúde do recém-nascido quanto para

Saulo Borges de Brito

4 min há 15 dias

Síndrome nefrótica por lesões mínimas na infância | Colunistas

Contextualização A síndrome nefrótica é um conjunto de glomerulopatias caracterizada por alteração na permeabilidade da membrana glomerular, resultando em perda maciça de proteínas na urina, edema generalizado e hipoalbuminemia. Na infância sua forma mais prevalente é a doença por lesões mínimas, uma síndrome nefrótica primária ou idiopática, que soma quase 90% dos casos em crianças. Essa glomerulopatia é mais frequente em meninos e o primeiro episódio ocorre entre 2 e 6 anos de idade e sua característica prevalente é a perda seletiva de albumina. A doença de lesões mínimas pode ser acompanhada por depósitos de IgA glomerular, cursam com proteinúria maciça, em que a criança perde um número expressivo de albumina e edema importante. Esta doença é considerada uma síndrome nefrótica pura, no qual não há hematúria significativa, sem sintomas hipertensivos, disfunção renal normal ou pouco alterada, e na maioria dos casos, não há alteração na função renal. Além disso, a recidiva das lesões mínimas é bastante comum e estudos mostram que podem ser originados por linfomas de Hodgkin e uso indiscriminado de AINEs. Fisiopatologia Glomerular A albumina é uma proteína plasmática que é responsável por manter o equilíbrio dos níveis de líquidos nos vasos sanguíneos. A hipoalbuminemia ocorre devido a excreção de proteínas na urina, o que pode acontecer juntamente ao catabolismo da albumina, que é filtrada pelo túbulo proximal. Consequentemente há um volume massivo de proteínas excretadas, o que resulta no quadro de proteinúria. Na síndrome nefrótica clássica, o edema pode ocorrer por distintos mecanismos. A hipoalbuminemia leva a redução da pressão oncótica no sangue, aumentando a passagem de líquido do espaço intravascular para o interstício. Neste contexto, a hipoperfusão subsequente do rim estimula os sistemas hormonais, como o sistema renina-angiotensina-aldosterona,

Romário Queiroz

5 min há 15 dias

Infecção do trato urinário em pediatria | Colunistas

A Infecção do Trato Urinário, comumente conhecida como infecção urinária, é uma das causas mais comuns de busca a um pediatra. Em vista disso, cabe ao estudante de medicina compreender os mecanismos dessa patologia, bastante frequente entre as crianças e adolescentes, como abordá-la e as formas de prevenção. Introdução Na área de Pediatria, a Infecção do Trato Urinário é uma queixa comumente encontrada. Essa doença pode atingir todas as faixas etárias e corresponde a infecção bacteriana no sistema urinário, causando quadro clínico variado a depender de fatores como idade, estado nutricional e presença de infecções anteriores. O diagnóstico precoce é de extrema importância, visto que o indivíduo pode cursar com complicações agudas e crônicas. Uma vez que há tratamento e profilaxia, e considerando a alta demanda nos centros de saúde, convém compreender os possíveis perfis de pacientes acometidos e como tratá-los. Definição e Epidemiologia Infecção do Trato Urinário, ou ITU, é um quadro infeccioso no qual ocorre fixação e multiplicação bacteriana no sistema urinário, podendo acometer apenas uma região ou todo o trato urinário (TU). Em casos de infecção localizada no parênquima renal, a ITU é chamada de pielonefrite, e na bexiga, é chamada de cistite ou infecção urinária baixa. Essa patologia representa uma doença bacteriana de elevada morbidade entre os pacientes com até 11 anos de idade, sendo mais comum entre os meninos até o primeiro ano de vida e alternando a maior frequência entre o sexo feminino até os 6 anos de idade. Pode afetar todos os grupos etários, especialmente lactentes. De acordo com o Tratado de Pediatria da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), alguns fatores importantes para a suspeita diagnóstica são: dor à palpação da região abdominal ou suprapúbica, cor branca, história prévia

Maria Jayne Lira

4 min há 15 dias

Fatores de risco para doenças cardiovasculares presentes na infância: fisiopatologia e impactos na vida adulta | Colunistas

A importância das doenças cardiovasculares As doenças cardiovasculares são a principal causa de morbimortalidade no mundo e estudos apontam que ela pode estar presente de forma insidiosa desde os dois anos de idade em indivíduos que nasceram sem alterações cardíacas estruturais ou comorbidades relacionadas. Em muitos casos, níveis diferentes de fibrose e inflamação arterial podem ser detectados ainda na adolescência (1). A boa notícia é que a maioria dos fatores de risco para o desenvolvimento da doença são amplamente modificáveis, a má é que tais hábitos permeiam a infância da maioria das pessoas, desde os primeiros anos de vida, tornando cada vez mais difícil a adoção de medidas protetoras na vida adulta. A presença desses fatores na primeira infância é forte preditor de alterações como aterosclerose subclínica, patologias cardíacas e mortalidade. Além disso, estudos apontam que medidas farmacológicas para a maioria desses componentes não são eficazes na redução do risco. Fatores de risco e fisiopatologia Existem alguns fatores de risco clássicos para as doenças cardiovasculares e entre eles estão: Obesidade Definida como índice de massa corporal acima do p95 para a idade e sexo, a sua prevalência dobrou entre as crianças e mais que triplicou entre os adolescentes nos últimos 30 anos. Esse índice é pior quando analisadas as populações hispânicas e afro descendentes, principalmente em países emergentes, levando à superfície a insegurança alimentar a qual as populações economicamente mais pobres estão expostas. O aumento do peso e da porcentagem de gordura corporal leva a um estado pró-inflamatório, com aumento do PCR, leptina, interleucina-6 e redução da adiponectina, levando a intolerância à glicose, resistência insulínica, aumento dos lipídios séricos, da pressão arterial, com maior predisposição a hipertrofia

Mayra Lisyer Dantas

5 min há 23 dias

A Otite Média Aguda (OMA) Pediátrica | Colunistas

        A otite média aguda (OMA) corresponde à inflamação da orelha média, a qual é decorrente de infecções. Essa condição representa uma das principais intercorrências infecciosas presentes na infância, principalmente em pré-escolares. Desse modo, causa importante de antibioticoterapia, o que corrobora a importância do conhecimento sobre a temática e seu adequado tratamento. Etiologia  A princípio, a  otite média aguda possui etiologia principalmente  bacteriana,  sendo  os principais agentes etiológicos : Streptococcus pneumoniae, Haemophylus influenzae e Moraxella catarrhalis, e ainda, estudos microbiológicos evidenciam que uma  porcentagem importante é causada pelo Staphylococcus aureus.  Ademais, deve-se lembrar que a OMA pode ocorrer também em função de uma infecção viral, especialmente pelo vírus sincicial respiratório, adenovírus, influenza A ou B. Assim, a  não resolução ou demora da resposta à antibioticoterapia, pode ser indicativo de otite média viral, e não bacteriana. Predisposição e Fatores de risco Essa infecção pode acometer pessoas de qualquer faixa etária, no entanto,  crianças representam o grupo com maior prevalência de OMA. Isso porque, anatomicamente, apresentam  tuba auditiva mais horizontalizada e mais curta, em relação aos adultos, o que favorece a migração de germes nasofaríngeos para a orelha média. Em associação a esse fator, a imaturidade do sistema imunológico dificulta o combate à infecção. Já quanto aos fatores de risco, o uso de  chupetas, falhas no aleitamento ou não aleitamento  materno e  frequentar creches estão entre os principais elementos que os deixam mais suscetíveis. Não obstante, a exposição à fumaça do tabaco possui papel importante nesse ranking, já que a exposição ao fumo aumenta o risco de OMA em 277%. Figura 1.  Anatomia  horizontalizada da tuba auditiva infantil                             Fonte: Otite Média – PediatriaVirtual.com  Manifestações clínicas e

Mariana Pimenta

4 min há 24 dias
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