Anemia fisiológica da criança | Colunistas

Anemia: é definida como concentração de hemoglobina abaixo do segundo desvio-padrão da média da distribuição da hemoglobina para população da mesma idade e sexo, vivendo na mesma altitude. A OMS, define anemia como: Hb < 11 g/dL para menores de 5 anos e gestantes;Hb < 11,5 g/dL para crianças de 6 a 12 anos;Hb < 12 g/dL para crianças de 12 a 14 anos e mulheres;Hb < 13 g/dL para homens adultos.Crianças abaixo de 6 meses, até o momento não há unanimidade no ponto de corte de hemoglobina. Anemia fisiológica: é a causa mais comum de anemia no período neonatal.Processos fisiológicos normais costumam causar anemia normocítica-normocrômica nos recém-nascidos de termo e pré-termo.Anemias fisiológicas geralmente não requerem extensa avaliação ou tratamento. Anemia Fisiológica do RN: Como ocorre?O aumento da oxigenação que ocorre com a respiração normal após o nascimento causa elevação abrupta do nível de oxigênio nos tecidos, resultando em retroação negativa sobre a produção de eritropoetina e eritropoese. Essa redução na eritropoese, assim como o tempo de vida mais curto dos eritrócitos neonatais (90 dias versus 120 dias em adultos), faz a concentração de hemoglobina cair nos primeiros 2 a 3 meses de vida (geralmente hemoglobina de 9 a 11 g/dL.A Hb permanece estável nas semanas seguintes e depois sobe lentamente no 4º ou no 6º mês, secundariamente à estimulação da eritropoetina que se refaz. Anemia fisiológica em prematuros: É mais pronunciada, ocorrendo mais cedo e com um nadir mais baixo em comparação a crianças nascidas a termo. Essa condição também é chamada anemia da prematuridade.Possui um mecanismo semelhante àquele que provoca anemia em crianças nascidas a termo causa anemia em prematuros nas

Mayana Cerqueira Martins

3 min há 96 dias

Envolvimento neurológico da COVID-19 na pediatria | Colunistas

Desde a declaração de pandemia de COVID-19 (COronaVIrus Disease 2019) pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o coronavírus SARS-CoV-2 (Severe Acute Respiratory Syndrome CoronaVirus 2) tornou-se uma crescente emergência de saúde pública internacional. Embora os pacientes pediátricos sejam menos afetados em sintomas e desfechos fatais, representam sim uma população que merece ser estudada a fim de minimizar os agravos, dentre eles o acometimento neurológico. O envolvimento neurológico pelo SARS-CoV-2 na população pediátrica é preocupante, visto que elas são suscetíveis a sequelas de cognição ou comportamento a longo prazo, pois sofrem a lesão em um período importante do neurodesenvolvimento. Mecanismo: coronavírus e envolvimento neurológico O coronavírus humano é um vírus envelopado com um RNA de fita simples de sentido positivo e geralmente está associado às doenças respiratórias e entéricas. Contudo, seis dos sete coronavírus humanos existentes possuem relação com manifestações neurológicas graves em crianças, sendo que o sétimo deles, o coronavírus da síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS-CoV), é associado a doenças neurológicas na população adulta. Também como os outros coronavírus, o SARS-CoV-2 tem a capacidade de invasão do sistema nervoso central (SNC), sendo inclusive encontrado no cérebro e no líquido cefalorraquidiano de autópsias em pacientes com COVID-19 em alguns trabalhos. Os mecanismos potenciais da relação do vírus com o acometimento neurológico ainda são estudados, porém parte da fisiopatologia já é conhecida, podendo ser possível fazer associações de lesões diretas e indiretas do coronavírus, como demonstrado na Figura 1. Figura 1: Mecanismos de neuro invasão do SARS-CoV-2Fonte: Lin, J.E. et al. Neurological issues in children with COVID-19. Neurosci Lett. 2021 Jan 19;743:135567. Uma dessas formas é através da expressão do receptor da enzima conversora de angiotensina 2 (ACE2) e da serina

Amanda Wilceki

7 min há 102 dias

Resumo de Crise Asmática na Pediatria | Colunistas

Categoria principal: pneumologia; pediatria; asma Definição A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas, que causa broncoconstrição, com episódios de sibilância, dispneia, aperto no peito e tosse, principalmente à noite ou pela manhã, podendo ser reversível com ou sem tratamento. A crise asmática é um episódio agudo de broncoespasmo, caracterizando insuficiência respiratória progressiva, que não é resolvida com o uso da terapia convencional. Deve-se lembrar que as crises são episódicas, mas o processo inflamatório é contínuo e precisa ser controlado. Epidemiologia da Asma A asma é a doença crônica mais prevalente em crianças no mundo todo, acometendo mais de 300 milhões de indivíduos. Estudo epidemiológico, recentemente realizado no Brasil, com adolescentes de 12 a 17 anos identificou 13% de prevalência de asma, com variação regional, predominando no Sul do país. A asma pode manifestar-se na infância, quando é mais comum nos meninos, ou posteriormente na vida adulta, em que há predominância do sexo feminino. Fisiopatologia Quando o organismo entra em contato com um gatilho, ocorre uma resposta aumentada de Th2, mediada principalmente por IgE. Os pacientes asmáticos apresentam dois padrões de resposta aos alergênicos: Precoce:  início imediato e se resolve em 1-2 horasTardio: 3-12 horas após a primeira, com hiperresponsividade e inflamação das vias aéreas Ambas respostas envolvem a ativação dos mastócitos induzida pelo alérgeno, mediada por IgE e linfócitos T, resultando em contração da musculatura lisa, aumento da permeabilidade vascular e acúmulo de eosinófilos e mastócitos (Figura 1). A longo prazo,  as vias aéreas sofrem remodelação com fibrose e hipertrofia da musculatura lisa, o que colabora com o desenvolvimento

Luiza de Azevedo Monteiro

5 min há 104 dias

Caso clínico: Violência infantil | Ligas

Identificação A.M.C, masculino, 2 anos, pardo, natural de Araguaína-TO, reside com os pais. Queixa principal Foi encontrado morto no interior do apartamento dos pais. História da Doença Atual (HDA) Corpo conduzido ao IML após ser encontrado morto no apartamento dos pais as 10h da manhã, mãe alega que enquanto tomava banho ocorreu um arrombamento no imóvel e em seguida encontrou o filho morto na sala. Observou-se lesões contundentes em várias topografias (crânio, região cervical, abdome e membros inferiores). História Patológica Pregressa: TEA grau III (SIC) História Patológica Familiar: não soube relatar História Fisiológica e Social: ambiente familiar hostil, situação econômica precária, moradia emprestada pelo empregador dos pais. Exame físico Fonte: https://brasil.babycenter.com/thread/4613342/galo-na-testa– Cabeça: Equimose azulada em região maxilar, Equimose violácea em região frontal juntamente com hematoma subgaleal.Abdome: Equimose amarelada em hipocôndrio esquerdo Fonte: https://relacionadoacriancas.blogspot.com/2019/09/mancha-roxa-na-perna-de-crianca.html Membros Inferiores: equimoses múltiplas com várias tonalidades, de violáceas, azuladas até amareladas Suspeita diagnóstica Traumatismo craniano encefálico  (TCE) após latrocínio, TCE após maus-tratos infantis, abuso físico e negligência. Exame complementar Necropsia, raio X Diagnóstico Óbito por traumatismo craniano devido espancamento, demonstrado por diversas equimoses pelo corpo, hematoma subgaleal com repercussão interna identificada na necropsia e no raio X como um afundamento traumático do osso frontal ocasionado por objeto contundente. Discussão do caso A criança em questão foi vítima de maus tratos que de acordo com a coloração das lesões, ocorreram durante vários dias culminando com o desfecho final de traumatismo craniano

Bebês podem ter alguma proteção à COVID pelo leite materno? | Colunistas

Introdução Após 1 ano e seis meses do surgimento do vírus SARS-COV-2 e o início da proliferação da doença conhecida como COVID-19, muitos assuntos ainda estão sendo esclarecidos, um deles, de suma importância para o enfrentamento da pandemia, é a possibilidade de que os recém-nascidos possam adquirir alguma proteção graças aos anticorpos presentes no leite materno. Inicialmente, discutiam-se como as mães deveriam proceder para manter a amamentação em tempos de pandemias, principalmente aquelas infectadas pelo vírus e que desenvolviam a doença. Certos profissionais indicavam a interrupção da amamentação, alguns indicavam a retirada do leite e a oferta ao bebê através de copinhos ou mamadeiras, outros orientavam para que a amamentação continuasse de forma normal seguindo apenas a etiqueta respiratória, com o uso da máscara e a higienização com água e sabão ou álcool em gel antes e após o aleitamento. Em meados de julho de 2020 a Sociedade Brasileira de Pediatria se posicionou com orientações e recomendações sobre o aleitamento no contexto pandêmico, os principais tópicos eram que o aleitamento materno deveria ser realizado desde que a mãe estive em condições de fornece-lo ao seu bebê, cada caso devia ser estudado de forma individualizada e a conduta seria única para cada paciente e, por fim, como não foi comprovado ate o momento a transmissão vertical do vírus o ideal então é que seja realizada a amamentação. Contudo, com a evolução dos estudos outro tema de bastante relevância foi sendo mais analisado, a resposta imune adquirida pelos recém-nascidos amamentados ou por mães contaminadas pelo vírus, ou por aquelas que já foram imunizadas. Importância do aleitamento materno Atualmente, na medicina a importância do aleitamento materno tanto para saúde do recém-nascido quanto para

Saulo Borges de Brito

4 min há 108 dias

Síndrome nefrótica por lesões mínimas na infância | Colunistas

Contextualização A síndrome nefrótica é um conjunto de glomerulopatias caracterizada por alteração na permeabilidade da membrana glomerular, resultando em perda maciça de proteínas na urina, edema generalizado e hipoalbuminemia. Na infância sua forma mais prevalente é a doença por lesões mínimas, uma síndrome nefrótica primária ou idiopática, que soma quase 90% dos casos em crianças. Essa glomerulopatia é mais frequente em meninos e o primeiro episódio ocorre entre 2 e 6 anos de idade e sua característica prevalente é a perda seletiva de albumina. A doença de lesões mínimas pode ser acompanhada por depósitos de IgA glomerular, cursam com proteinúria maciça, em que a criança perde um número expressivo de albumina e edema importante. Esta doença é considerada uma síndrome nefrótica pura, no qual não há hematúria significativa, sem sintomas hipertensivos, disfunção renal normal ou pouco alterada, e na maioria dos casos, não há alteração na função renal. Além disso, a recidiva das lesões mínimas é bastante comum e estudos mostram que podem ser originados por linfomas de Hodgkin e uso indiscriminado de AINEs. Fisiopatologia Glomerular A albumina é uma proteína plasmática que é responsável por manter o equilíbrio dos níveis de líquidos nos vasos sanguíneos. A hipoalbuminemia ocorre devido a excreção de proteínas na urina, o que pode acontecer juntamente ao catabolismo da albumina, que é filtrada pelo túbulo proximal. Consequentemente há um volume massivo de proteínas excretadas, o que resulta no quadro de proteinúria. Na síndrome nefrótica clássica, o edema pode ocorrer por distintos mecanismos. A hipoalbuminemia leva a redução da pressão oncótica no sangue, aumentando a passagem de líquido do espaço intravascular para o interstício. Neste contexto, a hipoperfusão subsequente do rim estimula os sistemas hormonais, como o sistema renina-angiotensina-aldosterona,

Romário Queiroz

5 min há 108 dias
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