Resumo: Síndrome Metabólica na Infância | Ligas

De acordo com a Segunda Diretriz de Síndrome Metabólica de 2005, a obesidade abdominal em associação com a resistência à insulina é definida como Síndrome Metabólica (SM). Essa alteração no metabolismo causa um aumento significativo para o risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares e de diabetes melito tipo 2, salientando a necessidade do diagnóstico precoce. Etiologia A etiologia da Síndrome Metabólica é múltipla estando marcada pela interação entre fatores genéticos e ambientais. Entretanto, vale destacar que apenas 10% dos casos de síndrome metabólica em crianças são fundamentados em fatores genéticos, enquanto atribui-se a prevalência dessa patologia na infância, principalmente, a fatores ambientais, tais como o sedentarismo e os hábitos alimentares.  Além disso, a restrição de crescimento intrauterino, baixo peso ao nascer e ganho excessivo de peso nos primeiros 6 meses de vida, segundo o tratado de pediatria, também apresenta uma relevância na patogênese da síndrome metabólica, pois pode levar o indivíduo a resistência à insulina, diabetes melito tipo 2, obesidade, hipertensão arterial em fases posteriores da vida. Incidência e Prevalência A incidência da Síndrome Metabólica vem crescendo, e estudos apontam que esta doença vem se expandindo de forma importante entre crianças e adolescentes, apresentado na Pesquisa Orçamento Familiar (2008 – 2009), na qual mostrou que existe obesidade em 14,3% nas crianças de 5 a 9 anos e 4,9% em adolescentes, portanto, contribuindo para um aumento da prevalência de obesidade, diabetes mellitus tipo 2 e risco cardiovascular nessa faixa etária. Consequentemente, o aumento da prevalência de Síndrome Metabólica na faixa etária mais baixa é preocupante, pois indica um agravamento da saúde pública nas próximas décadas. Posto isso, as complicações da síndrome metabólica resultam em diversas patologias com graves impactos na qualidade de vida, em

LAINTER

4 minhá 16 dias

A Pneumologia Pediátrica | Colunistas

A entrada no internato A pneumologia pediátrica (PneumoPed) foi minha primeira experiência no internato. A primeira sensação de ter uma senha que acessa os computadores, ter um crachá que indica que você pertence ao hospital, ir arrumado para conhecer os pacientes internados, é tudo uma sensação maravilhosa. Eu tive a sorte de poder escolher um optativo logo na entrada do internato e acredito que escolher uma especialidade da pediatria foi a minha melhor escolha possível. Na pediatria normalmente temos profissionais mais acessíveis, menos estresse, é uma ótima área para começar a aprender a lidar com o funcionamento dos hospitais. Faço estágio no complexo hospitalar Santa Casa da Misericórdia de Porto Alegre, por ser estudante da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). O complexo hospitalar é incrível e imenso, mas o Hospital da Criança Santo Antônio sempre vai trazer uma sensação diferente. Seja pelas paredes pintadas com imagens para as crianças, seja pela abertura das diversas áreas da pediatria para ajudar uns aos outros, a energia que está por trás de um hospital infantil sempre vai ser diferenciada. A rotina Figura 1 – Pneumologia Pediátrica[i] A PneumoPed é uma área que se acompanha com muita cautela, então a rotina todo dia começa cedo. Chegamos 7h30min no hospital de segunda a sexta-feira, para revisar as evoluções que foram geradas no sistema, avaliando os pacientes desde o dia anterior. Muitas vezes a mesma criança é avaliada por diversas especialidades médicas, além da interdisciplinaridade do hospital; isto é, a avaliação de diversas áreas da saúde: fonoaudiologia, nutrição, fisioterapia, enfermagem, entre outras. Depois de avaliar o que disseram do paciente em outras evoluções, é o momento de sua

Marcos Parreira

5 minhá 19 dias

Dislipidemia na infância: quando e como agir? | Colunistas

            A dislipidemia é um importante problema de saúde, pois está relacionada com o processo de aterosclerose. Isso implica em um aumento do risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares, que atualmente constituem a maior causa de mortalidade na vida adulta. Apesar da morbidade e mortalidade relacionada às doenças cardiovasculares serem mais comuns entre os adultos, foi observado que a aterosclerose pode iniciar-se ainda na vida intrauterina. Além disso, quando a dislipidemia é diagnosticada na infância e são instituídas as medidas de mudança de estilo de vida e de tratamento farmacológico (quando necessário), é possível modificar a história natural da doença, evitando ou desacelerando o desenvolvimento da doença cardiovascular.             Dessa forma, é preciso que você conheça as indicações de rastreamento de dislipidemia na população pediátrica, bem como as intervenções a serem instituídas em caso de dislipidemia. Antes de adentramos nesses tópicos, é importante entendermos melhor a fisiologia do metabolismo dos lipídios no nosso organismo. Para ajudar nessa compreensão, sugiro o tópico sobre fisiologia do texto intitulado Dislipidemia, que você também encontra aqui no site da Comunidade SanarMed. Quais são as causas de dislipidemia em crianças?             As dislipidemias em pediatria são classificadas em dois grupos, de acordo com a etiologia: dislipidemias primárias e secundárias. As primárias são o resultado de defeitos genéticos, hereditários. Já as secundárias desenvolvem-se a partir do uso de medicamentos, algumas doenças crônicas ou ainda como decorrência de hábitos de vida deletérios.             As dislipidemias primárias, por sua vez, podem ser divididas em três categorias, a depender dos lipídios que sofrem alteração em seus níveis séricos: Hipercolesterolemia: hipercolesterolemia familiar (homozigótica ou heterozigótica), disbetalipoproteinemia, dislipidemia familiar combinada;Hipertrigliceridemias: dislipidemia familiar combinada, hipertrigliceridemia familiar, disbetalipoproteinemia, hiperquilomicronemia familiar;Hipolipidemia: abetalipoproteinemia, doença de Tangier, hipobetaproteinemia familiar,

Liliane Coelho

6 minhá 19 dias

Técnica de Sistrunk: método de escolha para remoção do cisto tireoglosso | Colunistas

O cisto do ducto tireoglosso (ou cisto tireoglosso) é a massa em linha média cervical anterior mais comum nos pacientes pediátricos na idade pré-escolar (sendo a maioria dos casos verificados aos 5 anos de idade), embora possa aparecer em adultos (principalmente após uma infecção de vias aéreas superiores). O cisto pode ser formado em qualquer lugar ao longo do trajeto do ducto tireoglosso remanescente. Seu tratamento é cirúrgico, principalmente para evitar o surgimento de complicações. A operação preconizada permanece a mesma desde que foi descrita por Sistrunk, em 1928. A técnica de Sistrunk consiste na retirada do cisto e de seu trato epitelial até a base da língua, e também na ressecção da porção mediana anterior do osso hioide. O que é o ducto tireoglosso? A primeira glândula endócrina a se desenvolver no embrião é a tireoide. Conforme essa glândula em desenvolvimento cresce, ela desce pelo pescoço, cruzando ventralmente o osso hioide e as cartilagens laríngeas em formação. Nesse período, a tireoide encontra-se conectada ao forame cego da língua por um tubo, o ducto tireoglosso. Geralmente, o ducto se atrofia e desaparece no momento em que a glândula já está localizada em seu espaço definitivo no pescoço. Porém, há casos em que ele persiste, podendo ser preenchido por secreção salivar (visto que apresenta conexão com o forame cego), tornando-se assim um cisto, revestido por epitélio. O cisto comumente se forma na língua ou na parte anterior do pescoço (imediatamente inferior ao osso hioide), se apresentando como massa indolor (salvo se for infectada) na região mediana do pescoço. Pode ocorrer o aumento gradativo da lesão com o tempo ou após quadros de infecções virais do trato respiratório superior. No exame físico, a sua visualização é facilitada com hiperextensão do pescoço

Giovanna di Cola

4 minhá 21 dias

Puerpério: o quarto período e o Globo de Pinard

O útero Em uma breve revisão, para auxiliar a compreensão no decorrer do texto, lembremos que o útero é um órgão muscular oco, piriforme, com paredes espessas divididas em perimétrio (revestimento seroso externo), miométrio (camada média de músculo liso, que possui a responsabilidade de contratilidade) e endométrio (camada mucosa interna mais ligada ao processo de menstruação ou implantação do blastocisto em caso de gestação). Por ser um órgão dinâmico, seu tamanho e proporção modificam-se em vários períodos da vida, adequando-se sua forma à função. Divide-se anatomicamente em fundo, corpo, istmo e colo. A irrigação provém principalmente das artérias uterinas, com possível suprimento colateral das artérias ováricas, e a drenagem venosa é composta por veias que entram pelos ligamentos largos do útero, junto às artérias, formando um plexo venoso uterino de cada lado do colo. Esses, drenam para as veias ilíacas internas. Camadas histológica do útero. Fonte: http://estacio.webaula.com.br/cursos/GON809/galeria/aula9/img/img09.jpg acessado em 28/12/2021. Drenagem e Irrigação do útero – Fonte: Moore. Anatomia Orientada para a Clínica Fases do Parto Já revisado um pouco da anatomia uterina é válido relembrar, resumidamente, as fases clínicas do parto antes de ser abordado o quarto período, que é o intervalo foco deste texto. Primeiro Período: Dilatação Começa no início do trabalho de parto até a dilatação completa. Ele engloba a fase latente, que é sinalizada pela dilatação lenta do colo uterino (até 3cm, com contração uterina regular), à fase ativa, que se trata da dilatação rápida (de 3cm aos 10cm, com padrão de contração do útero irregular e dolorosa). Sendo, ainda, a fase ativa subdividida em: aceleração, aceleração máxima e desaceleração. Segundo Período: Expulsão É caracterizado a partir

Leonardo Parreira Castro

5 minhá 25 dias

Doenças do teste do pezinho: características, falso-positivos e negativos | Colunistas

Um dos testes de triagem neonatal é o teste do pezinho, que deve ser realizado idealmente entre o 3º e 5º dia de vida. O Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN) do Ministério da Saúde tem em seu escopo a triagem de seis doenças: fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, doença falciforme e outras hemoglobinopatias, fibrose cística, hiperplasia adrenal congênita e deficiência de biotinidase. Vale lembrar que, por serem testes de triagem, são muito sensíveis, ou seja, é difícil um paciente doente não ser identificado – número baixo de falso-negativo, mas é comum pacientes não doentes terem resultados positivos – número alto de falso-positivos. Assim, esses testes servem para afastar a doença e não para confirmar uma doença. O quadro abaixo identifica algumas possíveis causas de falso-negativo e falso-positivo, as quais o pediatra deve afastar antes de dar seguimento ao diagnóstico confirmatório dessas patologias. Quadro 1: condições que podem influenciar no resultado de algumas doenças triadas no Teste do Pezinho DOENÇAJANELA IDEAL DE TRIAGEMCONDIÇÕES INFLUENCIADORAS NO RESULTADOFenilcetonúria (PKU) e outras aminoacidopatiasApós 48 horas de vidaFalso‑positivo: nutrição parenteral, doenças do fígado e imaturidade das enzimas do fígado. Falso‑negativo: coleta precoce, coleta em poucas horas pós‑transfusão ou uso do suporte vital extracorpóreoHipotireoidismo congênito (HC)12-72 horas de vida e 2-6 semanas de vida (segunda amostra)Falso‑positivos: prematuridade; baixo peso ao nascer; exposição ao iodo, dopamina e/ou esteroides; deficiência de iodo e coleta precoce. Falso‑negativos: prematuridade com aumento tardio de TSH; uso do suporte vital extracorpóreoDoença falciforme (DF) e outras hemoglobinopatiasAté 72 horas de vidaFalso‑negativo: transfusão de hemácias e uso do suporte vital extracorpóreoFibrose cística (FC)24 horas até 7 dias de vidaFalso‑positivo: hipóxia, estresse fisiológico ou respiratório; apgar baixo, órgão danificado, trissomia 13, 18 e 21; disfunção renal; hipoglicemia; RN heterozigoto para FC e coleta precoce. Falso‑negativo: suficiência pancreática em

Amanda Wilceki

8 minhá 25 dias
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