Consenso: I Campanha sobre uso de antibióticos em infecções de vias aéreas superiores | Ligas

A resistência de infecções a antibióticos é um fato crescente nos últimos anos e que vem se tornando um grave problema de saúde pública. Em virtude da dificuldade de se tratar tais bactérias resistentes, a presença de resistência antimicrobiana prolonga o tempo de internação, eleva os custos de tratamento e, ainda mais grave, aumenta consideravelmente a mortalidade relacionada às doenças infecciosas. Além do risco de lidarmos em um futuro breve com infecções de difícil controle, que outrora eram triviais, o uso inadequado de antibióticos está associado a outros problemas, como o risco de efeitos colaterais e o aumento considerável de custo de tratamento ao sistema de saúde, seja público ou privado. Diante dessa problemática e dos números alarmantes, é necessária uma ampla revisão das indicações e formas de uso de antibióticos para as mais diversas condições infecciosas, com ações coletivas com base em evidências. Assim, essa diretriz é o reflexo da preocupação da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF) em orientar adequadamente os médicos sobre a prescrição adequada de antibióticos nas otites médias, rinossinusites e faringotonsilites agudas, oferecendo uma atualizada orientação de conduta nessas três afecções. Otite Média Aguda  A otite media aguda é uma doença comum na primeira infância, com pico de incidência entre 6 meses e 2 anos, que também afeta crianças maiores e, menos comumente, adolescentes e adultos. A maioria dos casos de OMA é diagnosticada e tratada por médicos pediatras ou médicos generalistas. Para o diagnóstico, deve-se levar em conta que a hiperemia, a diminuição de translucidez da membrana timpânica ou a presença de líquido retro timpânico isoladamente, sem abaulamento ou otorreia, não são sinais que distinguem OMA.  Isoladamente, abaulamento da membrana timpânica é

Caso Clínico: Embolia Pulmonar | Ligas

Apresentação do caso clínico J. F. F., 31 anos, natural de Salvador-BA, sexo feminino, heterossexual, brasileira, advogada, branca, ensino superior completo, católica. Aciona o serviço de emergência às 2:35 da noite queixando-se de dor torácica e falta de ar há 30 minutos. Ao chegar no local, os socorristas avaliaram a segurança da cena e se paramentaram. Na avaliação primária do atendimento pré-hospitalar, o “XABCDE”,  não foi detectado nenhum sangramento exsanguinante. A paciente se apresentava comunicativa, não havia sinais de obstrução das vias aéreas, no entanto, foi observado pelo socorrista a presença de resquícios de sangue nos lábios e face da paciente. Ao ser questionada, ela relatou que, além da dor torácica, estava tossindo muito e que essa tosse vinha acompanhada de sangue, estando muito preocupada. Além disso, foi notado na paciente distensão venosa jugular. Em relação ao exame do aparelho respiratório, a paciente estava taquipneica e ofegante, sendo iniciada a monitorização. A frequência respiratória era de 32 ipm, a saturação de oxigênio era 91% em ar ambiente e, na ausculta pulmonar, apresentava creptos. Na etapa C, foi verificada a presença B2 hiperfonética (sugestiva de hipertensão pulmonar). Ademais, a paciente estava pálida, pulso periférico com amplitude reduzida, frequência cardíaca aumentada (FC = 112 bpm), tempo de enchimento capilar de 3 segundos e PA de 100 x 80 mmHg. Diante dos achados até o momento e devido ao quadro de dor torácica, a equipe contatou a regulação para agilizar o transporte, dando seguimento à avaliação na ambulância. J.F.F. obteve pontuação 15 na escala de coma de Glasgow e se apresentava muito agitada. No exame pupilar, pupilas isocóricas e fotorreagentes. No E, não foram detectadas  alterações, sendo o foco então a prevenção para hipotermia. Durante a avaliação secundária, foi observado edema (++/IV)

LAEPH

6 min há 190 dias

Diretriz da SBPT manejo da cessação do tabagismo 2008 | Ligas

As diretrizes para cessação do tabagismo simbolizam um importante comprometimento da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) com a cessação do tabagismo, uma vez que demonstra, aos profissionais de saúde, as principais particularidades relacionada à dependência ao tabaco. Compreende tratamentos clínicos novos e efetivos, além de que enfatiza a necessidade de ocorrerem mudanças em algumas condutas. A dependência ao tabaco é uma condição crônica que exige constantes intervenções, sendo essencial intervenções isoladas, em grupo e associadas ao tratamento farmacológico. Os profissionais devem levar em conta os recursos acessíveis e as particularidades de cada paciente. Estas diretrizes auxiliam o profissional de saúde ao abordar o tabagismo e ressalta o papel do estado e das políticas públicas no reconhecimento do tabagismo como um problema de saúde pública, com o intuito de tornar o tratamento acessível a todos os fumantes. Orientação para interpretar o nível de evidência A metodologia utilizada nestas Diretrizes para Cessação do tabagismo padronizou o texto objetivo e afirmativo sobre procedimentos diagnósticos, terapêuticos e preventivos, recomendando ou contraindicando condutas, ou mostrando a inexistência de informações científicas que permitam a recomendação ou a contraindicação de determinada conduta. A classificação do grau de recomendação, foi fundamentada com base nos Centros de Medicina Baseada em Evidências, particularmente o Centro Cochrane- Cochrane Review, em estudos de meta-análise, em ensaios clínicos randomizados publicados em revistas nacionais e internacionais. Abordagem diagnóstica Avaliação clínica O objetivo da avaliação clínica, que deve ser realizada no momento da admissão do fumante no programa de cessação do tabagismo é identificar alterações pulmonares, presença de doenças relacionadas ao tabagismo (DRT), possíveis contra-indicações e interações medicamentosas. Nesta hora, é avaliado também o perfil do fumante,

LIBAHM

18 min há 197 dias

Recomendações para o manejo da asma da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia- 2020 | Ligas

A Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia traz as mudanças no manejo farmacológico da asma nas últimas décadas, a partir do entendimento de que a asma é uma doença heterogênea e complexa, com diferentes fenótipos e endotipos. A asma é caracterizada por uma inflamação crônica das vias aéreas, sendo definida pela história de sintomas respiratórios, sendo esses associados à limitação variável do fluxo aéreo. Diversas diretrizes e recomendações internacionais recentes sumarizam os critérios para o tratamento da asma em etapas, permitindo visualizar o incremento do tratamento de controle à medida que aumenta a gravidade da asma. A heterogeneidade da asma é atestada por diversos fenótipos, como a asma eosinofílica ou não eosinofílica e asma alérgica ou não alérgica, assim como diversos endótipos, como a inflamação tipo 2 (T2) alta e baixa. A educação em asma e o manejo criterioso da terapia medicamentosa são intervenções fundamentais para o controle da doença, sendo que os fatores que influenciam a resposta ao tratamento da asma incluem: diagnóstico incorreto; falta de adesão; uso de drogas que podem diminuir a resposta ao tratamento; exposição domiciliar exposição ocupacional; tabagismo; e outras comorbidades. Epidemiologia Os dados epidemiológicos refletem que 12% da amostra tem diagnóstico prévio de asma. Em 2012, um estudo com 109.104 adolescentes confirmou taxas de prevalência de sintomas de asma de 23% e de diagnóstico prévio de asma de 12%. Em 2013, ocorreram 129.728 internações e 2.047 mortes por asma no Brasil. O custo da asma não controlada é muito elevado para o sistema de saúde e para as famílias, entretanto, várias intervenções municipais têm se mostrado eficazes no controle dos sintomas da asma, reduzindo o número de exacerbações e hospitalizações. Tratamento preferencial no controle da asma O tratamento da asma tem por objetivo

Caso Clínico: Tuberculose | Ligas

LCSM, masculino, 45 anos, é admitido por interno de medicina no serviço de emergência do hospital universitário devido à tosse persistente por mais de 3 semanas, sendo o que mais o incomodava, associada à emagrecimento (5 Kg nas últimas semanas) e febre vespertina. Relata ter feito tratamento com antibiótico prévio, mas não teve melhora. Nega comorbidades, alergias e cirurgias prévias. É fumante de um maço de cigarro por dia desde os seus 25 anos, mas nega uso de drogas ilícitas. Relata que não sabe da saúde dos pais e que seu único irmão é saudável, não apresentando nenhum sintoma como os dele. Mora com irmão em casa de alvenaria com um quarto e um banheiro, sem nenhuma janela, e tem várias parcerias sexuais. Ao exame: encontra- se emagrecido, em regular estado geral, lúcido e orientado no tempo no espaço, corado, hidratado, anictérico e acianótico. Sinais vitais: TAX: 37,9 °C; SatO2: 97 %; FC: 104 bpm; FR: 22 irpm; PA: 100 x 60 mmHg MSE sentado. Em exame do aparelho respiratório apenas o murmúrio vesicular encontrava-se diminuído no ápice do hemitórax esquerdo. O restante do exame físico estava em padrão de normalidade. O interno supervisionado pelo residente de plantão solicitou um raio-x de tórax, que demonstrou uma cavitação no lobo superior do pulmão esquerdo. Após imagem, o paciente fez o teste rápido para tuberculose, que veio positivo porém com detecção de resistência à Rifampicina. Pergunta-se: a) Qual o próximo passo a ser feito diante do supracitado no caso? O Ministério da Saúde recomenda, através de fluxograma no último manual de recomendações para tratamento de tuberculose (2019), que após TRM-TB positivo com resistência à Rifampicina se faça outro teste rápido mais cultura e teste de

LACMED

5 min há 209 dias

Caso Clínico de Asma | Ligas

Paciente de 8 anos de idade chegou a UPA acompanhado da mãe com sintomas respiratórios de “cansaço e tosse há 4 dias”. Identificação do paciente J.R.F, 8 anos, masculino, branco, brasileiro, natural de Vitória da Conquista e procedente de Salvador. Responsável acompanhante: mãe Queixa principal ‘’Cansaço e tosse há 4 dias’’ História da doença Atual (HDA) O responsável relata que há 4 dias o paciente vem apresentando um quadro de tosse com expectoração e dificuldade de realizar atividades diárias, principalmente pela manhã. Afirma que o filho já teve outros quadros assim quando mais novo e que sempre era tratado com nebulização com o fenoterol. Nega outros sintomas e nega alergia a medicamento. Antecedentes pessoais, familiares e sociais Fisiológicos:   Nasceu a termo de parto normal, sem complicações. Desenvolvimento neuropsicomotor ocorreu sem intercorrências. Tomou todas as vacinas recomendadas até a idade atual. Patológicos: Afirma ter mãe diagnosticada com bronquite e o pai sem comorbidades. Exame físico Geral: Bom estado geral, nutricional e bem hidratado; lúcido e orientado no tempo e espaço; fácies atípicas; taquipneico; taquicárdico; afebril; acianótico; anictérico; normocrômico.  Sinais Vitais: Temperatura axilar: 37ºC, FR: 28 ipm; FC: 119 bpm; PA: 120 x 80 mmHg.  Rinoscopia: coriza hialina, edema de cornetos inferiores bilateralmente. Aparelho Respiratório: Expansibilidade pulmonar normal. Presença de tiragem intercostal e subcostal moderadas. Frêmito toracovocal preservado. Murmúrios vesiculares audíveis e sibilos difusos em ambas as bases. Aparelho Cardíaco:  Precórdio normodinâmico; ausência de sopros; bulhas rítmicas e frêmitos não palpáveis. Suspeitas diagnósticas AsmaBronquiolitePneumonia Exames complementares Espirometria – Solicitado para diagnosticar
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