Morte encefálica: a ressuscitação é possível?

Morte encefálica é um conceito relativamente novo. Esse conceito tem como aplicação capacitar o doador que veio a óbito ao transplante de órgãos. Infelizmente, a postura do profissional ao encarar a morte ainda é explorada de forma muito superficial durante a graduação, de maneira geral. Frequentemente é esperada uma conduta heroica e resolutiva por parte do médico diante da terminalidade da vida de seu paciente, o que não condiz com preceitos estabelecidos no Juramento de Hipócrates. Portanto, é importante que você aprofunde as discussões sobre o tema da morte, a fim de ofertar o melhor possível para a dignidade do seu paciente, família e, ainda, para a reflexão acerca do seu papel como médico nesse cenário. O que é a morte encefálica? Ela tem como princípio a deterioração das funções encefálicas (cérebro + cerebelo + tronco encefálico). As causas que levam à esse estado ainda não foram totalmente esclarecidas cientificamente. Entretanto sabe-se que, em última instância, dois eventos principais acontecem: Elevação da pressão intracraniana (PIC);Falência dos mecanismos que permitem uma boa perfusão encefálica. Os acontecimentos que colaboram para que ambos os eventos aconteçam culminam em uma instabilidade hemodinâmica que, por sua vez, acarreta o processo de morte celular. Elevada a PIC, tem-se como resultado uma bradicardia, devido à ação do sistema nervoso parassimpático. A atividade simpática, lodo depois, predomina, com liberação adrenal, produção de catecolaminas e intensa atividade cardíaca a vascular. Com isso, uma vasoconstricção periférica leva à resistência vascular, na tentativa de compensar a PIC. Em seguida, ocorrem eventos como redução

Sanar Pós Graduação

2 min há 6 dias

Semaglutida: o medicamento que promove até 50% a mais de perda de peso e vem sendo usado no formato “off label” no Brasil

O uso da semaglutida para perda de peso já foi liberado nos EUA, mas no Brasil a bula ainda restringe para pacientes diabéticos. Afinal, é permitido ou não utilizar para emagrecer? Como a semaglutida é usada A obesidade é uma doença crônica. Ao mesmo tempo que essa frase assusta, ela ajuda a explicar o interesse de milhões de brasileiros sempre que surge uma novidade na indústria farmacêutica em relação aos tratamentos para emagrecimento.  Desde o ano passado tem gerado muito debate nas redes sociais e grupos de conversa o uso da semaglutida. O medicamento é conhecido comercialmente como Ozempic.  “É uma nova medicação que chama a atenção pelos resultados, diferente de tudo que já existe no mercado. Há estudos que apontam uma perda de peso até 50% maior do que em outros medicamentos utilizados”. Explica a médica nutróloga Patrícia Cavalcante, especialista em emagrecimento e Coordenadora da pós-graduação de Nutrologia da Sanar. Indicações da semaglutida Embora os estudos sejam bem positivos, a especialista explica alguns contextos que pedem moderação no uso do medicamento. “Ele foi aprovado pela agência de vigilância americana. No país, já tem o uso totalmente autorizado para tratamento de diabetes e perda de peso. No Brasil a bula fala por enquanto apenas em uso para diabetes, que foi a primeira indicação da medicação”, pontua.  Uso para emagrecimento Tem sido comum pacientes brasileiros fazerem o uso do remédio para emagrecer. Isso porque os médicos da área podem fazer a prescrição no formato “off label”, ou seja, para uma doença ou condição diferente daquela indicada na bula.  “Não há nenhuma irregularidade neste tipo de prescrição, é inclusive muito

Sanar Pós Graduação

2 min há 6 dias

Cetoacidose Diabética: complicação aguda hiperglicêmica

Definição da cetoacidose diabética A Cetoacidose Diabética (CAD) é um estado de complicação metabólica aguda do paciente, potencialmente fatal. Caracterizada por uma deficiência absoluta de insulina associada a elevação de hormônios  contrarregulatórios (glucagon, cortisol e catecolaminas) que resulta em uma tríade  bioquímica: Hiperglicemia.Cetonemia.Acidose metabólica com hiato iônico (anion gap). A cetoacidose diabética se diferencia de outra emergência hiperglicêmica chamada Estado Hiperglicêmico Hiperosmolar (EHH). No EHH, não há a associação da hiperglicemia com a  cetonemia (já que, neste caso, não há uma ausência absoluta de insulina, apesar de estar diminuída). Epidemiologia da cetoacidose diabética Cetoacidose diabética é a principal causa de óbitos em diabéticos < 24 anosNormalmente, a cetoacidose diabética está mais associada ao DM tipo 1, enquanto  EHH, com DM2 (apesar de poderem ocorrer em qualquer tipo)Incidência maior em mulheresMais frequente em crianças e adolescentes diabéticos (maioria dos pacientes estava na faixa entre 18 e 44 anos)A taxa de hospitalizações e admissões emergenciais diabéticas é menor na EHH que na cetoacidose diabética. Fisiopatologia da cetoacidose diabética A compreensão da tríade elucida a doença: Hiperglicemia De início, após a alimentação, a glicose é disponibilizada no sangue e gera um estado de hiperglicemia (que em indivíduos saudáveis, promove a liberação de insulina pelas células beta-pancreáticas, a fim de transportar glicose para dentro das células). Na situação de cetoacidose diabética, há uma diminuição extrema da

Sanar Pós Graduação

4 min há 6 dias

Choque refratário: o que é e o que fazer diante dele

A definição de choque refratário não é consensual. Em geral, as definições partem do princípio de qual dose da droga vasoativa é necessária para que seja mantida uma pressão arterial alvo, cujo valor adotado será: Figura 1: Necessidades de noradrenalina para a manutenção de pressão arterial média alvo após ressuscitação volêmica. A equivalência do efeito vasopressor da noradrenalina 10 μg/min pode ser resumido na seguinte tabela: Figura 2: Drogas noradrenalina-equivalente 10 μg/min. Fonte: Medicina Intensiva Abordagem Prática, 3ª ed. É importante ter em mente que todos os tipos de choque podem evoluir para choque refratário. Por isso, complemente seu raciocínio entendendo melhor o choque cardiogênico e hipovolêmico. Fisiopatologia do choque refratário Diante da situação de choque – hipoperfusão tecidual – é desencadeada a SIRS (Síndrome de Resposta Inflamatória Sistêmica). Essa síndrome leva a uma vasodilatação excessiva, devido à mecanismos como a expressão de NO sintase induzível (NOi), bem como à alteração da permeabilidade vascular, disfunção ventricular e alguns desvios dos referencias laboratoriais. Essas alterações desencadeadas pela síndrome de resposta inflamatória sistêmica resulta no estado de choque refratário. Figura 3: A resposta inflamatória sistêmica (SIRS) desencadeada pela agressão inicial pode perpetuar e agravar o colapso circulatório por múltiplos mecanismos. Fonte: Medicina Intensiva Abordagem Prática, 3ª ed. Etiologia É muito importante entender a síndrome que resultou no quadro do paciente, fazendo uma reavaliação constante, já que o erro diagnóstico pode conduzir a um desfecho ruim. As causas mais urgentes e seus tratamento incluem, dentre outros: Taquiarritmias com instabilidade

Sanar Pós Graduação

5 min há 8 dias

Diabetes Mellitus Gestacional (DMG): abordagem de risco

Definição da diabetes gestacional O diabetes mellitus gestacional (DMG)  é: A diabetes (hiperglicemia sustentada) que foi diagnosticada pela primeira vez durante a gestação após o primeiro trimestre de gestação. Isto porque antes do primeiro trimestre é considerada uma diabetes prévia não diagnosticada. A DMG pode gerar inúmeros efeitos adversos sobre o binômio maternofetal Por isso, sua necessidade de tratamento é particularmente importante. Epidemiologia de DMG Por sua grande relação com a obesidade, afecção crescente na sociedade contemporânea, os dados epidemiológicos acompanham o crescimento. As estimativas no Brasil são conflitantes, mas estima-se que a ocorrência de diabetes melito (DM) tipo 1 (DM1) na população de gestantes é de 0,1% por ano; a de DM tipo 2 (DM2), 2 a 3% por ano; e a de diabetes gestacional (DMG), 12 a 18%, dependendo dos critérios diagnósticos utilizados e da população estudada. No Brasil, a prevalência de DMG encontrada na década de 1990 pelo grupo de Estudo Brasileiro de Diabetes Gestacional foi de 7,6%. Fisiopatologia A gravidez é acompanhada de uma resistência insulínica aumentada devido a ação placentária, que secreta hormônios diabetogênicos (como GH,CRH, hPL*, prolactina e progesterona) e enzimas placentárias (que degradam insulina). Ainda, junto aos hormônios, produtos como o  TNF-alfa (fator de necrose tumoral-alfa), cooperam para o processo de resistência. Essas e outras mudanças metabólicas da gravidez se tornam mais significativas no terceiro semestre, para garantia de mais nutrientes para o feto. Devido a isso, há um rastreamento direcionado nesta fase), mas seu início é mais precoce.  Em grande

Sanar Pós Graduação

5 min há 8 dias
Filtrar conteúdos
Filtrar conteúdos
Áreas
Ciclos da medicina
Política de Privacidade © Copyright, Todos os direitos reservados.