Transtorno de Déficit de Atenção em Adultos | Colunistas

Introdução O Transtorno de Déficit de Atenção é uma situação prejudicada do neurodesenvolvimento o qual apresenta uma combinação de sintomas de desatenção, de hiperatividade e de impulsividade. Além disso, o TDAH é mais corriqueiro no sexo masculino, com uma proporção de 2:1 em crianças e de 1,6:1 nos adultos. Também é mais frequente que mulheres apresentem os sintomas de desatenção, enquanto os homens apresentem maior hiperatividade, tudo isso ocasiona prejuízos nas diferentes áreas da vida do indivíduo como a social, a acadêmica, a profissional e os relacionamentos interpessoais. A depender da frequência dos sintomas do TDAH, ele pode se manifestar de diferentes formas: combinada; predominantemente desatenta; predominantemente hiperativa ou impulsiva. Na atual classificação do DSM IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), ele ainda sugere uma classificação do transtorno como leve, moderado e grave, de acordo com a quantidade de sintomas presentes e o grau de comprometimento que os mesmos causam no funcionamento do indivíduo. Durante muito tempo, acreditou-se que o TDAH era um tema restrito à psiquiatria da infância e do adolescente, entretanto devido a uma série de estudos e evidências atuais, sabe-se que existe um TDAH que pode começar na fase adulta ou pode surgir um TDAH que na infância os sintomas eram leves, porém ficam mais evidentes na vida adulta. Assim, existem muitos adultos que embora capacitados e inteligentes, sofrem com os sintomas da doença e são taxados como irresponsáveis, preguiçosos e desleixados, todavia eles apresentam esse quadro neurobiológico que não está sendo tratado. Logo, esse texto irá percorrer sobre o quadro clínico, comorbidades relacionadas com o transtorno e as consequências funcionais do TDAH em adultos. Quadro Clínico De maneira geral, o sintoma de desatenção é mais prevalente que

Suzana Patrícia

5 min há 37 dias

Prescrição em psiquiatria

A prescrição em psiquiatria em uma unidade de internação possui uma formatação própria determinada pelo OMS. Antes de começar a aprender a ordem e componentes, sempre importante lembrar: toda folha de prescrição deve ter nome, registro de prontuário, data e hora! São requisitos indispensáveis na leitura e elaboração de uma prescrição. A segurança do seu paciente depende disso. As prescrições devem ser organizadas/sintetizadas a depender da via, tal que IV > IM > VO. Seguindo a ordem droga > dose > via > intervalo. Os itens são organizados na seguinte ordem: Item 1: Antipsicótico Em unidades de internação psiquiátricas é muito comum observar a prescrição de Haldol. Esse medicamento nas primeiras semanas de internação é administrado por via intramuscular na primeira semana que o paciente interna, para ter certeza que ele está fazendo uso correto da medicação. Exemplo de prescrição: 2 ampolas de 10 mg, uma de manhã, outra à noite. Item 2: Benzodiazepínico Se precisar que o paciente seja sedado, introduzir benzodiazepínico (item 2). Entretanto, como na primeira semana a via mais utilizada é a intramuscular e essa via leva a uma absorção errática dos benzodiazepínicos (via preferível é a intravenosa), a medicação de escolha, nesse momento, é o fenergam (prometazina), anti-histamínico utilizado para obter seu efeito colateral (sedação). Utilizado bastante no Brasil, porém, raramente utilizado em outros países. Clorpromazina também é uma possibilidade. Exemplo de prescrição: Seringa a noite com 2 ml de haloperidol + 2 ml de fenergam. Item 3: Antiparkinsoniano Quando o paciente apresenta sensibilidade ao antipsicótico, sintomasextrapiramidais, usar um antiparkinsonianos: biperideno é um exemplo bem comum.

Sanar Pós Graduação

1 min há 39 dias

Diretriz de Transtorno de Pânico: Diagnóstico – AMB | Ligas

O Transtorno de Pânico (TP) é geralmente incapacitante visto que, a longo prazo, está intimamente relacionado a fatores como a perda da qualidade de vida, da produtividade e da interação social, por exemplo. Por possuir sinais e sintomas semelhantes a muitos quadros clínicos, o processo de diagnóstico dessa condição tende a ser dificultado e acaba sendo realizado tardiamente. A concomitância com uso abusivo e dependente de álcool e drogas ilícitas, doenças clínicas e com demais transtornos, como a depressão, pode estar associada a casos mais graves e com a dificuldade na remissão do Transtorno de Pânico. A agorafobia, apesar de estar presente em 1/3 dos pacientes afetados pelo TP, é comumente subdiagonosticada e subtratada. Aspectos como origem do ataque de pânico, crenças do medo e história clínica do paciente são fundamentais não só para a identificação de comorbidades, mas principalmente para o diagnóstico diferencial em relação a outras doenças e transtornos. A presença de diagnósticos precoces e adequados contribui para a obtenção de melhor tratamento e remissão da TP. O que mudou na diretriz de Transtorno do Pânico: Diagnóstico em relação à anterior Diferente da diretriz anterior, a atual mostra o início de TP em idades médias entre 20 e 24 no Estados Unidos, ao invés de atrelar a maioria das primeiras manifestações aos adolescentes. Além disso, há o acréscimo de reflexões sobre a presença de diferentes taxas para diferentes idades. Em relação ao diagnóstico, a nova diretriz elucida a necessidade de determinados elementos como o fato de um ataque de pânico ser completo e inesperado para que haja o correto diagnóstico. Também houve o acréscimo dos sentimentos de desrealização e despersonalizacão e a consideração de agentes que provocam ataques de pânico como

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10 min há 47 dias

Diretrizes para a Gestão do Comportamento Suicida – Parte 2: Triagem, Intervenção e Prevenção – ABP | Ligas

As diretrizes de gestão do comportamento suicida com ênfase na triagem, intervenção, prevenção e promoção trazem evidências – ainda que insatisfatórias e às vezes controversas – sobre a eficácia de medidas para pacientes de comportamento suicida no Brasil. Dos últimos anos para cá, as taxas de suicídio têm se tornado cada vez mais expressivas, e hoje é uma das principais causas de morte no mundo. Esse preocupante cenário reforça a necessidade e a importância da construção das diretrizes de gestão do comportamento suicida pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), na tentativa de manejar da melhor forma essa emergência médica. Pioneirismo da diretriz no Brasil A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) até pouco tempo não possuía uma diretriz única sobre o tratamento do comportamento suicida no Brasil. Apesar de existirem outras diversas diretrizes instituídas sobre o assunto, não existia uma publicação recente nacional e que se encaixasse na realidade de suicídio do Brasil. Portanto, em 2020, viu-se a necessidade pela ABP de elaborar dois documentos com diretrizes exclusivas para a gestão dessa questão da saúde pública brasileira. A sua confecção contou com a contribuição de treze psiquiatras e um psicólogo selecionados pela Comissão de Emergências Psiquiátricas da ABP.  O documento de parte 1 aborda os fatores de risco, fatores de proteção e avaliação, e o de parte 2 – que iremos aprofundar mais aqui – trata-se da triagem, intervenção e prevenção/promoção. Epidemiologia/Etiologia O suicídio é definido como: “um ato deliberado, iniciado e levado a cabo por uma pessoa com pleno conhecimento ou expectativa de um resultado fatal”, para a Organização Mundial de Saúde. Além disso, é considerado uma emergência médica mundial, devido às suas altas e crescentes taxas, principalmente entre os

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11 min há 47 dias

Diretriz: Transtorno Obsessivo Compulsivo –Diagnóstico – AMB | Ligas

O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) tem um quadro clínico muito marcante, cuja descrição é praticamente universal em estudos trans-históricos e transculturais. Entretanto, diferentemente do que possa parecer à primeira vista, o diagnóstico pode ser bastante difícil, em função de algumas das características clínicas deste transtorno. É importante destacar que muitas vezes o TOC é um quadro secreto, pois os portadores costumam ter noção do exagero ou da irracionalidade de seus sintomas e procuram ocultá-los das outras pessoas, por vergonha ou medo de serem discriminados. É também um transtorno extremamente heterogêneo em suas manifestações clínicas, com um grande número de possibilidades de apresentações fenomenológicas. Possíveis subtipos mais homogêneos de pacientes com TOC vêm sendo propostos (por exemplo, início precoce versus início tardio, com ou sem transtorno de tiques associado, com ou sem prejuízo da crítica, etc). Dessa forma, as Diretrizes contribuem para uma terapêutica e análise mais coesas, para o desenvolvimento de estratégias mais eficazes. O que implica positivamente no prognostico do transtorno. Epidemiologia/Etiologia Segundo a Organização Mundial da Saúde, o TOC é o quarto transtorno psiquiátrico mais comum, precedido apenas pela depressão, fobia social e abuso de substâncias. Sob o prisma da epidemiologia é possível identificar através de estudos uma taxa de prevalência do Transtorno Obsessivo Compulsivo na população geral brasileira em torno de 1% no ano e 2% ao longo da vida. Em relação à distribuição por gênero é possível observar uma variação conforme as distintas faixas etárias, apresentando um perfil bimodal. Existe um predomínio do sexo masculino durante a infância, devido a um padrão sintomatológico mais precoce. Durante a fase da adolescência, essa prevalência é observada no sexo feminino em meninas, até chegar a uma equivalência através de uma proporção de 1:1

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7 min há 47 dias

15 fatos sobre o transtorno bipolar | Colunistas

1. O transtorno bipolar é, junto da esquizofrenia, a doença psiquiátrica mais incrível que eu já vi pessoalmente. De fato, é difícil distinguir a mania psicótica bipolar de um ataque psicótico esquizofrênico, pelo menos a meus olhos pouco experientes. Ambos são sinistros. 2. O transtorno de humor bipolar pode ser de difícil diagnóstico, pois boa parte dos pacientes se apresenta com sintomas depressivos sem história de mania ou hipomania, o que faz o quadro ser confundido com uma depressão unipolar. 3. Aliás, é importante esclarecer: tanto a “depressão” quanto o “transtorno bipolar” são transtornos do humor e ambos apresentam sintomas depressivos de forma importante e marcante. A grande diferença é que no transtorno de humor bipolar os episódios de depressão são intercalados com períodos de mania ou hipomania. 4. A mania é de alguma forma “o contrário” da depressão: humor elevado, alta energia, alta motricidade, pensamento dirigido a objetivos, disposição elevada, muito autoconfiança, apetite e sono diminuídos etc. A hipomania seria uma mania “menos intensa”. 5. Episódios muito graves de mania podem incluir delírios e alucinações. É aí que o transtorno bipolar começa a parecer bastante uma esquizofrenia (ante meus olhos inexperientes, ao menos). A semelhança entre alguns sintomas negativos da esquizofrenia e alguns sintomas depressivos do transtorno bipolar tornam as duas condições ainda mais comparáveis. 6. As características da mania podem parecer positivas. Afinal, quem não gostaria de ter um pouco mais de energia e disposição e um pouco menos de fome e sono? Infelizmente, a grandiosidade típica dos episódios mais severos de mania leva o paciente a comportamentos inadequados e perigosos, marcados pela impulsividade. Os exemplos clássicos são: gastar dinheiro que não tem, engajar em atividades sexuais de risco, consumir drogas excessivamente e

Nicolas Teixeira Cabral

3 min há 49 dias
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