Caso Eriksen: como a morte súbita pode ser abortada?

No último sábado (12), o mundo se chocou com as imagens da parada cardíaca seguida de morte súbita do jogador Christian Eriksen em campo, durante partida da Dinamarca contra a Finlândia pela Eurocopa. A queda mobilizou os times, equipes médicas e comissão técnica em campo. Após alguns minutos, o público foi informado de que a parada cardíaca do meio-campista de 29 anos foi abortada, e o jogo prosseguiu normalmente. Ao ter seus sinais vitais restabelecidos, boa parte do público imaginou tratar-se de algum episódio de mal estar – convulsão, desmaio, desidratação etc. Em seu Twitter, o professor José Alencar, autor dos livros Manual de ECG e Manual de Medicina Baseada em Evidências, logo chamou a atenção para o fato de que um mal súbito atingiu o jogador, e que a reversão do quadro foi possível devido à rapidez das ações, aos equipamentos disponíveis e outras condições do ambiente. Coordenador da Pós Graduação em Medicina de Emergência da Sanar, o médico cardiologista explicou o acontecimento em vídeo no nosso canal do YouTube. Assista: Professor José Alencar explica a morte súbita abortada. Assunto entrou em alta após a reversão da Morte Súbita Cardíaca (MSC) de Christian Eriksen, jogador da seleção da Dinamarca. O que é morte súbita? A Morte Súbita Cardíaca (MSC), ou parada cardíaca súbita, acontece quando há a interrupção inesperada da atividade cardíaca. A MSC é uma consequência associada a diversos fatores de saúde, e pode ou não ser precedida de determinados sintomas. Nestes casos, os sintomas se apresentam em até uma hora antes da parada cardíaca. Estudos apontam que a morte súbita acomete até 13% das pessoas no planeta; e responde por 50% das mortes por problemas do coração.

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5 min há 9 dias

Resumo sobre hormônio de crescimento (GH)

Definição O Hormônio de Crescimento (GH) é secretado pela hipófise, liberado na circulação e liga-se a receptores nos tecidos-alvo com o objetivo de crescimento de todo o corpo humano através da sua ação interventiva na formação proteica, multiplicação celular e diferenciação celular. Este hormônio é constituído por uma cadeia única de 198 aminoácidos com duas pontes dissulfídricas internas, sendo a glicina o aminoácido mais importante para a atividade biológica do GH.  O Sistema do GH é constituído pela molécula do hormônio de crescimento (GH), pelo receptor para o hormônio de crescimento (GHR) e pela proteína carreadora do hormônio de crescimento (GHBP), correspondente à porção extracelular do GHR.  Produção e liberação do hormônio de crescimento  Dois genes principais estão relacionados com a síntese do hormônio do crescimento: o gene normal do GH (GH-N ou GH-1, growth hormone-normal gene), expresso na hipófise, e o gene variante do GH (GH-V ou GH-2, growth hormonevariant gene) expresso na placenta e detectável na circulação somente durante a gravidez ou lactação.  O GH é um hormônio produzido pelos somatotrofos no lobo anterior da hipófise e liberada de maneira pulsátil, sendo sua secreção modulada por vários fatores, tais como hormônio hipotalâmico liberador de GH (GHRH), hormônio hipotalâmico inibidor da secreção de GH (somatostatina – SM), grelina, glicocorticoides, ácidos graxos, glicose, insulina, hormônios esteroides, estado nutricional, composição corporal e idade.  A somatostatina exerce um efeito inibitório, enquanto o GHRH e a ghrelina estimulam a secreção de GH por intermédio de receptores específicos distintos acoplados à proteína G.  Receptores  Os receptores para o hormônio de crescimento (GHRs) pertencem à família dos receptores de citocinas, apresentando um domínio extracelular, uma porção transmembranária e um

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3 min há 15 dias

Resumo de Blastomicose: definições, agente etiológico, quadro clínico e mais

O uso do termo blastomicose, na atualidade, é considerado genérico e pouco utilizado na literatura médica, encontrando-se num processo de instituição de novas terminologias médicas, mais acuradas e adequadas à definição do adoecimento.  No início da década de 1970, os conhecimentos da infectologia eram limitados a dois tipos de blastomicose: a blastomicose sul-americana e a blastomicose norte-americana, sendo denominadas assim pelo local de ocorrência e registro desses casos.  A partir de 1972, a blastomicose sul-americana (muito frequente no brasil e cuja infecção é causada pelo Paracoccidioides brasiliensis), passou a ser designada Paracoccidioidomicose. Todavia, em razão de a doença ocorrer tanto em países da América do Sul quanto da América Central, o termo ‘blastomicose sul-americana’ tornou-se inválido. Consequentemente, não havia motivo para manter-se o termo blastomicose norte-americana, que foi substituído apenas por blastomicose. Embora tais informações sejam registradas há quase 5 décadas, ainda há muita confusão debruçada sobre o uso isolado do termo blastomicose na área médica. É comum que ao falar de blastomicose, exista sempre a necessidade de diferenciar se o autor está se referindo a forma sul ou norte-americana ou as demais formas de apresentação (queloidiana, europeia e cromoblastomicose).  Sendo assim, o objetivo principal deste texto é organizar todas as possíveis formas de encontrar descrições sobre blastomicose na literatura médica, diferenciando-as e caracterizando com os principais e mais importantes achados. Blastomicose norte-americana DEFINIÇÃO: também conhecida APENAS como blastomicose ou doença de Gilchrist. Trata-se de uma micose endêmica (aquelas que ocorrem em determinadas áreas geográficas do planeta por causa das condições ambientais que propiciam a existência saprobiota dos agentes fúngicos na natureza), de acometimento sistêmico e de importação (não circula no Brasil, exceto quando trazida por

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7 min há 15 dias

Resumo de colangite biliar primária (CBP): epidemiologia, fisiopatologia, diagnóstico e tratamento

Definição A colangite biliar primária (CBP), anteriormente denominada cirrose biliar primária, é uma doença hepática colestática autoimune mediada por linfócitos T que causa inflamação crônica e destruição progressiva dos ductos biliares interlobulares de pequeno e médio calibre.  A perda sustentada dos ductos biliares intralobulares causa os sinais e sintomas de colestase e, eventualmente, pode resultar em cirrose e insuficiência hepática.  Epidemiologia Os estudos de prevalência da CBP são escassos, mas é rara, com uma prevalência relatada de 19 a 402 casos por milhão de pessoas. Até o final da década de 80, reportava-se incidência de CBP entre 0,6 a 13,7 e prevalência entre 23 e 128 por milhão de habitantes. A partir da década de 90, taxas maiores foram observadas, como a incidência anual de 11 a 32 casos por milhão de habitantes, no Reino Unido, e de mais de 200 casos por milhão de habitantes, em toda Europa.  É evidente a maior prevalência de CBP em mulheres, na proporção de 9 para cada homem, com acometimento principal na quinta década de vida. Pouco se conhece a respeito da influência da raça ou etnia na epidemiologia dessa doença.  Fisiopatologia     A colangite biliar primária é caracterizada por um ataque mediado por linfócitos T em pequenos dutos biliares intralobulares. Um ataque contínuo às células epiteliais do ducto biliar leva à sua destruição gradual e eventual desaparecimento.  Infiltrado de células mononucleares marcante ao redor e destruindo um ducto biliar. © 2021 UpToDate , Inc. e / ou suas afiliadas.  Há evidências contundentes da participação de fatores genéticos e ambientais na etiopatogenia dessa doença. É provável que mais de um gatilho

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5 min há 16 dias

Resumo da Arterite de Takayasu: epidemiologia, fisiopatologia, diagnóstico e tratamento

Definição A arterite de Takayasu (AT), também conhecida como “doença sem pulso”, é uma vasculite de grandes vasos, que afeta principalmente a aorta e seus ramos primários. Ocorre inflamação granulomatosa transmural, podendo causar estenose, oclusão, dilatação e/ou formação de aneurismas nas artérias envolvidas. Os pacientes podem apresentar inicialmente sintomas constitucionais, mas posteriormente desenvolver sintomas associados a danos vasculares. Seu diagnóstico persiste como um grande desafio diante das evidências clínicas e laboratoriais inespecíficas.  Epidemiologia Na América do Norte, a incidência anual é de cerca de 1 a 3 casos por milhão de pessoas. Possui distribuição mundial, com maior prevalência na Ásia, chegando a ser 100 vezes maior que em outras partes do mundo. No Japão, estima-se que 150 novos casos ocorram a cada ano. É tipicamente uma doença que acomete mulheres jovens. As mulheres são afetadas em 80 a 90 % dos casos, com uma idade de início geralmente entre 10 e 40 anos.  Fisiopatologia  A causa da AT permanece indefinida. Estudos sugerem importante fatores ambientais, mas poucos foram identificados. Mas, como o próprio nome sugere, as vasculites são processos inflamatórios no epitélio vascular.  O exame imuno-histopatológico mostrou que as células infiltrantes no tecido aórtico consistem principalmente de linfócitos citotóxicos, ativando assim o linfócito TH1 e promovendo a liberação de citocinas como IL-2 e IFN-γ. Há pouca participação da imunidade humoral (anticorpos).  As citocinas irão ativar ativar macrófagos e neutrófilos, que liberarão as citocinas inflamatórias IL-1, TNF- α e TNF-β, ampliando a inflamação tecidual. Esses macrófagos ativados irão se modificar e originar os histiócitos, as células epitelióides e, finalmente, os granulomas (achado histopatológico típico da AT). A inflamação pode

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5 min há 16 dias

Resumo de Pneumonia Aspirativa: epidemiologia, fisiopatologia, diagnóstico e tratamento

Definição O termo pneumonia aspirativa refere-se a um processo infeccioso, que resulta da entrada anormal de fluido, partículas ou secreção endógena nas vias aéreas inferiores. Esse fenômeno, geralmente decorre de: Alterações nos mecanismos de autodefesa: como o fechamento da glote, deglutição adequada, reflexo de tosse, clearance mucociliar, refluxo gastroesofágico, sonda nasogástrica, endoscopia/broncoscopia, extubação recente…Aspiração de grande quantidade de bactérias: secundária ao rebaixamento do nível de consciência. Além da pneumonia, a aspiração também pode gerar outras síndromes pulmonares, como: Pneumonite química aspirativa: também conhecida como síndrome de Mendelson. Trata-se de uma lesão química decorrente da acidez gástrica, cuja exposição resulta em uma lesão ao epitélio da mucosa traqueobrônquica e ao parênquima pulmonar. Apresenta grande variabilidade na apresentação, desde infiltrados pulmonares assintomáticos até síndrome do desconforto respiratório agudo. Inicialmente é um processo estéril, mas pode evoluir com infecção bacteriana secundária. Majoritariamente, caracteriza-se por rápida melhora clínica e radiológica em 1 a 2 dias.Abscesso pulmonar: consiste em uma outra complicação das aspirações pulmonares, que evolui com lesão necrótica do parênquima pulmonar, manifestados radiologicamente como nódulo/massa pulmonar com ou sem nível líquido evidente na radiografia de tórax.  Epidemiologia A incidência exata de síndromes aspirativas pulmonares é de difícil quantificação. Um estudo transversal incluiu quase 2.000 pacientes e evidenciou que a aspiração pode ser a etiologia de até 10% dos casos de pneumonia adquirida na comunidade internados e até 30% daqueles provenientes de instituições de longa permanência.  A verdadeira incidência da pneumonia por aspiração pode ser maior, devido a subnotificação, falta de registros e ausência de investigação. Estudos observacionais provam que o principal grupo da população com alto risco de pneumonia por aspiração é o paciente em estado crítico

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7 min há 16 dias
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