Navegando pelo oceano reumatológico: meu tempo na reumatologia durante a pandemia do COVID-19 | Colunistas

Em março desse ano, por motivos óbvios, minhas aulas práticas da faculdade foram suspensas por tempo indeterminado. Por alguns meses, acreditando que logo voltariam, tentei me adaptar ao EAD e ficar em paz com a lacuna prática que se tornava cada vez pronunciada. Eventualmente, quando percebi que não voltariam tão cedo, decidi que arrumaria algo no hospital por conta própria. Consegui, por intermédio de um professor amigo, um serviço no ambulatório de reumatologia que estava disposto a me receber. Confesso que não era exatamente isso que eu queria, mas já tinha me comprometido com meu professor e o fantasma de Osler sussurava em meus ouvidos: “ver pacientes sem ler livros é como navegar sem mapa, mas ler livros sem ver pacientes é a mesma coisa que não navegar”. Escutei o conselho do canadense e fui adiante. O que os pacientes crônicos têm a oferecer?             Um dos meus receios ao ir para reumatologia era a questão de boa parte das patologias não serem propriamente curadas, entretanto, logo percebi que estava negliganciando o que esses pacientes crônicos têm a oferecer. Uma grande porção dos pacientes na reumatologia estão inevitavelmente inseridos no contexto médico, muitas vezes há décadas. Muitos passam por uma pletora de serviços médicos e especialistas até chegarem na reumatologia e, às vezes, por inúmeros motivos, trocam de profissional até encontrarem aquele que os serve. Diante disso, eles conseguem pontuar precisamente o que funciona e o que não funciona do ponto de vista do paciente. Basta trocar alguns minutos de conversa com eles para que começem a relatar impiedosamente as vezes que foram negligenciados, mal atendidos e até mesmo destratados. Para alguém que está iniciando a prática médica, essa troca de experiências é extremamente elucidadora – é uma oportunidade de ouvir de

Matheus Scalzilli

5 min há 260 dias

Minha experiência no internato de Reumatologia | Colunistas

A reumatologia é uma das áreas mais intrigantes e ricas da medicina. Sem dúvida, as doenças possuem rica fisiopatologia e imensa possibilidade de manifestações sistêmicas, o que exige um exímio raciocínio clínico para o diagnóstico, bem como o conhecimento aprofundado de várias outras especialidades da Clínica Médica. Ainda assim, muitas vezes, não encontramos explicação completa e detalhada para todas as doenças reumáticas, além de existir uma combinação de múltiplos fatores, como a genética, a exposição ambiental e o funcionamento do sistema imune do indivíduo, que trazem incerteza ao diagnóstico. Para se tornar um reumatologista, é preciso passar por 2 anos na residência de Clínica Médica e 2 anos na residência de Reumatologia. Além disso, outra possibilidade é realizar uma pós-graduação em Reumatologia e realização de prova de título. Há quem recomende apenas o primeiro caminho, pois, na maioria dos casos, os pacientes com doenças reumatológicas exigem extensa revisão semiológica, laboratorial, radiológica e interclínica para se chegar a um diagnóstico definitivo, o que, apenas na residência médica, o médico estará devidamente capacitado. A reumatologia estuda as doenças que acometem o aparelho musculoesquelético e os tecidos colagenosos, como articulações, tendões, ligamentos e vasos sanguíneos. No entanto, é preciso ficar claro que as doenças reumáticas frequentemente simulam diversas condições, como neoplasias, infecções, distúrbios metabólicos, hematológicos ou cardiovasculares. Doenças como lúpus eritematoso sistêmico, fibromialgia, vasculites e sarcoidose, por exemplo, costumam causar sintomas em vários sistemas e levar à extensa busca etiológica que pode demorar anos e gerar gastos exorbitantes, além dos danos físicos e mentais que acarretam. A rotina da especialidade é tipicamente ambulatorial e clínica, isto é, não são realizados procedimentos ou cirurgias. O médico reumatologista também pode atuar como consultor ou assistente hospitalar nas enfermarias ou unidades de tratamento intensivo (UTI), em casos

Welberth Fernandes

3 min há 266 dias

Abordagem da dor musculoesquelética no pronto socorro

Embora a dor musculoesquelética possa indicar apenas inflamação muscular, é importante estar atento aos sintomas persistentes que envolvam fraqueza, movimento limitado, rigidez e dor crônica, pois a abordagem médica é diferente. Roteiro da anamnese reumatológica no PS Dor intra-articular x extra articular; Importante avaliar na palpaçãoArtralgia mecânica  x Artralgia inflamatória; Mecânica: rigidez matinal < 30 min, piora com movimentação e melhora com repouso Inflamatória: contínua, pior pela manhã, melhora com movimentaçãoDuração; Episódios prévios; Sintomas constitucionais. CONHEÇA A PÓS EM MEDICINA DE EMERGÊNCIA DA SANAR Exame físico direcionado em pacientes com dor musculoesquelética Inspeção;Localização, simetria Palpação;Avaliar sinais flogísticos e derrame articular Avaliar amplitude de movimento ativa e passivamente. Fibromialgia Quadro clínico: Dor musculoesquelética subjetiva, difusa;Dor intra e extra articular; Fadiga, sono não reparador, transtorno de humor; Respondem mal ao anti-inflamatório. Diagnóstico: Clínico Exames gerais, PCR/VHS, enzimas musculares, eletrólitos (opcional) Conduta no PS: Educação; Terapia de resgate: Tramadol 50mg de 12/12h (max 200mg/dia); Alta com orientações; Encaminhar para acompanhamento em unidade básica de saúde;Pode ser utilizado: Ciclobenzaprina 5mg, à noite. CONHEÇA A PÓS EM PSIQUIATRIA DA SANAR Osteoartrite Quadro clínico: Dor articular, que é precipitada ou piora com o movimento; Melhora com o repouso; Rigidez matinal < 30min; Redução da amplitude do movimento articular; Fraqueza da musculatura periarticular; Acomete principalmente interfalangianas distais; No joelho pode ter aumento de volume e crepitação. Diagnóstico: Quadro clínico típico + sinais radiológicos fecha o diagnóstico; Sinais radiológicos:

Sanar Pós Graduação

1 min há 277 dias

Rotina do residente de Reumatologia

A Reumatologia é uma especialidade complexa, que exige amplo conhecimento para diagnóstico e tratamento eficaz. Por isso, a rotina do residente em Reumatologia envolve uma gama de atividades e aprendizados diversos. São 2.383 reumatologias no Brasil (1,15 por 100 mil habitantes). A especialidade é primeira opção de apenas 0,4% dos recém-formados em Medicina. 197 médicos estavam na residência em Reumatologia, que possuía 312 vagas autorizadas em 2018, de acordo com a Demografia Médica no Brasil, do Conselho Federal de Medicina (CFM), do mesmo ano. Quem vai contar para você como é a rotina do residente de Reumatologia são… Janaina Baggio, R1 de reumatologia, no HC-USP Carla Baleeiro, R2 de reumatologia, no HC-USP Existem muitas coisas que você precisa saber para escolher bem a sua residência em Reumatologia. Então continue a leitura e veja todos os detalhes sobre essa especialidade! A escolha da residência em Reumatologia Janaína diz que sempre gostou de Clínica Médica e, das especialidades derivadas, se encantou pela Reumatologia por considerá-la completa e com alto grau de complexidade.  “Dentro das especialidades clínicas, é a que envolve quase todas as especialidades porque o acometimento da doença é multissistêmico e necessita de conhecimento nas áreas pulmonar, cutânea, renal, oftalmológica, entre outras”, explica. A escolha pelo Hospital das Clínicas ocorreu porque, segundo Janaína, a USP, além de ser uma instituição de referência, é uma das que mais oferecem vagas para a Reumatologia.   “São poucos lugares do Brasil que, realmente, tem [programas de] Reumatologia. A USP oferece 12 vagas, então, vale a pena tentar fazer aqui. Além disso, o serviço é maravilhoso, completo desde a investigação, com laboratório e exame

Sanar Residência Médica

9 min há 322 dias

As melhores residências em Reumatologia

É sempre muito dificil determinar quais são as melhores residências em reumatologia pois corremos o risco de deixar boas para trás. Entretanto, a proposta aqui é apontar aquelas notadamente reconhecidas. A Reumatologia A reumatologia é a especialidade médica que se ocupa das doenças reumáticas, condições patológicas que acometem o tecido conjuntivo (articulações, ossos, músculos, tendões e ligamentos). Atualmente, dedica-se ao diagnóstico e tratamento das mais de 120 doenças reumáticas catalogadas. São enfermidades que podem ser agudas e até mesmo crônicas e atingem indivíduos de qualquer idade.  Em Reumatologia, além do quadro clínico apresentado, frequentemente é preciso a utilização de métodos complementares de investigação, entre eles exames laboratoriais ou radiográficos, ecografia ou ressonância magnética de modo a auxiliar o médico em um diagnóstico preciso para definição de tratamento – que será feito de acordo com a necessidade de cada paciente. Métodos auxiliares de tratamento como Fisioterapia e Acupuntura também são praticados para amenizar os sintomas, melhorar e até restabelecer as funções neuromusculares, mas somente devem ser feitas com prescrição médica. O reumatologista é o especialista que possui o conhecimento teórico e prático necessário para diagnosticar, tratar e prevenir esses males.  Doenças reumatológicas São diversos os subtipos das doenças que podem ser caracterizadas por alterações funcionais do sistema musculoesquelético, como: Doenças difusas do tecido conjuntivo: lúpus sistêmico, artrite reumatóide, esclerose sistêmica, doença muscular inflamatória, policondrite recidivante, doença mista do tecido conjuntivo, Síndrome de Sjogren;Doenças osteometabólicas: osteoporose, doença de Paget, osteomalácia, hiperparatireoidismo;Vasculites sistêmicas: poliangeíte granulomatosa, arterite temporal, poliarterite nodosa, entre outras;Doenças degenerativas: osteoartrite;Reumatismos extra-articulares: fibromialgia, bursites, tendinites, fasceíte plantar; espondiloartrites;Artropatias microcristalinas: gota e condrocalcinose;Artropatias reativas: febre reumática, doença Lyme, hepatite C, artrites infecciosas, osteomielite;Artropatias secundárias e

Sanar Residência Médica

8 min há 335 dias

Novas diretrizes para o diagnóstico de fibromialgia | Colunistas

Antes de abordar as novas diretrizes para o diagnóstico de fibromialgia, é interessante recordar a definição dessa doença. A fibromialgia é uma síndrome, caracterizada por uma dor musculoesquelética difusa e crônica. Há um distúrbio no processamento da dor associado a outras características secundárias. Ela não é uma doença autoimune ou inflamatória, mas pesquisas sugerem que envolve o sistema nervoso. O paciente com essa doença apresenta alta sensibilidade ao toque e à compressão da musculatura, pelo examinador ou por qualquer outra pessoa. Aliados a esse sintoma característico estão: fadiga ou cansaço, distúrbios do sono, rigidez matinal, parestesias de extremidades, sensação subjetiva de edema e distúrbios cognitivos, com alteração de atenção e memória. A fibromialgia é uma doença reumatológica e, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, é muito frequente. De acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia, cerca de 5% dos pacientes que vão em um consultório de Clínica Médica são diagnosticados com fibromialgia, ao passo que 10 a 15% dos que vão ao consultório de Reumatologia apresentam essa condição. Ainda, a fibromialgia é mais prevalente em mulheres do que em homens, possivelmente devido a questões hormonais. De acordo com a American College of Rheumatology, 2 a 4% das pessoas são afetadas pela fibromialgia. Em geral, a fibromialgia é uma condição diagnosticada mais em mulheres na faixa etária de 30 a 60 anos. O seu diagnóstico é clínico, sendo solicitados exames apenas para diagnóstico diferencial. Torna-se difícil diagnosticar os pacientes com fibromialgia na prática diária, visto que não há um marcador laboratorial objetivo ou indícios em exames de imagem. Sendo assim, por vezes, o diagnóstico varia com a experiência de cada médico. A American College of Rheumatology descreve os critérios diagnósticos da fibromialgia, no exame físico do paciente.

Gabriela Bochi

4 min há 359 dias
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