Plantão médico: postar ou não postar, eis a questão | Colunistas

Possivelmente, se William Shakespeare tivesse escrito a célebre tragédia de “Hamlet” no século XXI, o dilema existencialista do príncipe que dá nome à peça apresentaria as mesmas duas vertentes dos indivíduos na atualidade: a do “ser” (que é a versão do mundo real) e a do “não ser” (a variante da esfera digital, ou seja, a versão “editada e com filtro”). Nesse contexto do plano virtual, a dúvida que emerge quanto ao compartilhamento de conteúdo nas redes socias é: qual o limite entre o que você, como médico, pode ou não postar em relação ao exercício da sua profissão? Você sabe quais conteúdos o médico pode postar? Primeiramente, é preciso destacar que a discussão em curso diz respeito às postagens de conteúdo estritamente profissional, ou seja, compartilhamento externos a esse âmbito (como os ligados à vida pessoal) não estão sob análise. Essa ressalva é pertinente, uma vez que um estudo publicado no periódico Journal of Vascular Surgery citava como potencialmente não profissional a conduta de jovens cirurgiões de postar fotos com “vestuário inadequado”, o que acarretou o questionamento sobre sexismo, materializado pelo movimento da #MedBikini. Em adição, também é oportuno informar que os autores do artigo publicaram uma retração para esclarecer o episódio. Todavia, quanto ao ato de postar conteúdo profissional, existem regras que norteiam a conduta médica. Nesse sentido, de acordo com a Resolução Normativa nº 1.974/2011 do Conselho Federal de Medicina, não se permite ao médico a publicação nas mídias sociais de selfies, imagens e/ou áudios que caracterizem sensacionalismo, autopromoção ou concorrência desleal. Essa regra é semelhante à que veda essas mesmas atitudes em anúncios, publicidade e propagandas. Entretanto, é importante frisar que você, no exercício da profissão médica, está autorizado a usar qualquer meio de

Luciana Ferreira Xavier

3 minhá 31 dias

Resumo de Carbidopa-levodopa | Ligas

Definição A carbidopa-levodopa é uma associação de dois agentes neurológicos que atuam sinergicamente no tratamento para a doença de Parkinson (DP). A carbidopa é um inibidor da DOPA descarboxilase. A levodopa, por sua vez, é o precursor metabólico da dopamina, sendo o melhor medicamento (isoladamente) para tratar a DP. Apresentação Comumente, encontra-se a associação de Carbidopa com Levodopa sendo denominado comercialmente de algumas formas: Carbidol ®, Levocarb ®, Parklen ®, Parkidopa ®, Cronomet ®, Duodopa ®, Sinemet ®. O fármaco tem três apresentações: 1.         Comprimido oral de: Levodopa (250mg) + Carbidopa (25mg); 2.         Comprimido oral de: Levodopa (250mg) + Carbidopa (50mg); 3.         Comprimido oral de: Levodopa (100mg) + Carbidopa (25mg). Mecanismos de Ação Na DP há a formação de estruturas chamadas corpos de Levy, que são identificados como corpos estranhos aderidos aos neurônios dopaminérgicos, levando a morte neuronal e consequentemente uma queda nos níveis de dopamina. Essa baixa de dopamina faz com que os níveis de GABA aumentem (pois ela atua em sua inibição), causando uma repolarização excessiva do neurônio. Com base nessa fisiopatologia, a associação carbidopa-levadopa age das seguintes formas: A Levodopa é um precursor metabólico da dopamina e aumenta o nível de dopamina no Sistema Nervoso Autonômico (SNA), principalmente nos gânglios da base. No cérebro, a levodopa sofre conversão em dopamina por descarboxilação, principalmente dentro das terminações pré-sinápticas de neurônios dopaminérgicos do corpo estriado. A dopamina produzida é responsável pela eficácia terapêutica desse fármaco na DP; depois de ser liberada, a dopamina é transportada de volta às terminações dopaminérgicas pelo mecanismo de captação pré-sináptica, ou é metabolizada pelas ações da MAO e

LBE Liga Baiana de Emergências

3 minhá 49 dias

Resumo de Soro Antiaracnídico | Ligas

Definição O soro antiaracnídico é um antiveneno utilizado para o tratamento de acidentes moderados a graves causados por aranhas dos gêneros Loxosceles (“aranha-marrom”) e Phoneutria (“aranha armadeira”), e escorpiões do gênero Tityus (escorpião marrom, escorpião amarelo). É comum que para a apresentação clínica em acidentes leves não necessite de soroterapia. É importante ressaltar que esta soroterapia não é indicada para acidentes com serpentes. O soro Antiaracnídico (Loxosceles, Phoneutria eTityus) é composto por imunoglobulinas heterólogas, específicas e purificadas, capazes de neutralizar no mínimo 75,0 DMN (Dose Mínima Necrosante) de venenoreferência de Loxosceles gaucho (soroneutralização em coelhos), 7,5 DMM de veneno-referência de Phoneutria nigriventer (soroneutralização em cobaias) e 7,5 DMM (Dose Mínima Mortal) de veneno-referência de Tityus serrulatus (soroneutralização em cobaias). O soro Antiaracnídico (Loxosceles, Phoneutria e Tityus) é obtido a partir do plasma de equinos hiperimunizados com uma mistura de venenos de aranhas dos gêneros Loxosceles e Phoneutria e de venenos de escorpiões do gênero Tityus. Essas espécies foram escolhidas devido a importância médica e epidemiológica que se apresentam no Brasil. Apresentação Solução injetável. Apresentado em frascos-ampola contendo 5 mL de solução injetável da fração F(ab’)2. O cartucho contém 5 frascos-ampola com 5 mL de soro Antiaracnídico (Loxosceles, Phoneutria e Tityus). Cada mL do soro neutraliza no mínimo 15,0 DMN de veneno de L. gaucho, 1,5 DMM de veneno de P. nigriventer e 1,5 DMM de veneno de T. serrulatus. VIA DE ADMINISTRAÇÃO: INTRAVENOSA. USO ADULTO E PEDIÁTRICO Mecanismos de ação A soroterapia possui efeito através da neutralização do veneno em circulação. A eficácia do tratamento com

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3 minhá 49 dias

Resumo de Ceftriaxona | Ligas

Definição A ceftriaxona é uma cefalosporinas de 3ª geração, grupo da família dos beta-lactâmicos que possuem um núcleo cefêmico com radicais semissintéticos. Possui apresentação parenteral – intramuscular (IM) e endovenosa (EV). E têm como nome comercial Rocefin. Apresenta o mesmo mecanismo de ação dos outros beta-lactâmicos – interferem na síntese da parede celular bacteriana. É a cefalosporina com maior tempo de meia vida – cerca de 8 horas. É um antibiótico de amplo espectro, tendo excelente atividade contra S. pneumoniae, H. influenzae e N. meningitidis. Além disso, penetra com facilidade o líquido cefalorraquidiano, onde mantêm altos níveis de concentração. É muito utilizada no tratamento de meningites. Apresentação do ceftriaxona No Brasil, a Ceftriaxona é distribuída na forma de pó injetável para solução, cuja apresenta as seguintes dosagens: 250 mg, 500 mg e 1 g. O pó pode ser dissolvido em lidocaína e injetado de forma intramuscular ou administrado de forma endovenosa, em infusão contínua. Mecanismos de ação A Ceftriaxona tem atividade bactericida, inibindo a formação da parede celular. Ela interfere na síntese da parede celular bacteriana ao inibir a ligação cruzada do peptidoglicano e ao se ligar e inativar as proteínas de ligação à penicilina (PBPs). Farmacocinética e Farmacodinâmica da ceftriaxona A maioria das cefalosporinas de terceira geração são inativadas no estômago, o que limita a absorção no duodeno e inviabiliza a administração oral. A ceftriaxona tem a maior meia-vida sérica da classe, variando entre 5 e 10 horas – isso possibilita uma única administração ao dia. Ela possui uma taxa de ligação muito alta às proteínas plasmáticas, cerca de 96%, no

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4 minhá 49 dias

Protocolo FAST | Colunistas

Introdução A ultrassonografia point-of-care (comumente chamada de USG-POCUS) vem ganhando cada vez mais espaço no ambiente dos departamentos de emergência, visto que, com o uso do USG, é possível para o médico emergencista responder a perguntas em relação ao quadro clínico de seu paciente de maneira rápida, concisa e correta e, dessa forma, direcionar melhor o tratamento. Graças a protocolos bem direcionados, é possível rapidamente saber se o paciente possui, por exemplo, dados que corroborem com um infarto agudo do miocárdio ou uma dissecção aórtica; saber se há um pneumotórax ou apenas uma pneumonia ou mesmo, após um trauma, se há alguma evidência de lesão de órgão alvo, além de outros vários dados. É aí que nosso post de hoje entra! O protocolo FAST (Focused Assessment With Sonography in Trauma) se baseia na procura de líquido livre na cavidade abdominal e no pericárdio, mais precisamente em 4 janelas, e busca, de maneira rápida, elucidar se há presença de líquido livre na cavidade, indicando possível lesão de órgão alvo e talvez explicando um quadro de hipotensão apresentado pelo doente ou mesmo se há presença de tamponamento. Vale lembrar que há uma versão estendida do exame, comumente chamada de e-FAST, cuja proposta é também realizar a avaliação do pulmão do paciente, em busca, principalmente, de pneumotórax. Dessa forma, vamos aprender quais são as quatro janelas propostas pelo FAST e como realizá-las. Janelas do FAST Antes de falarmos sobre as janelas, devemos lembrar que o FAST deve ser realizado idealmente com probe curvilíneo ou setorial. O probe linear, apesar de sua melhor resolução, não possui profundidade adequada para a realização do exame. As

Yago Henrique Padovan

5 minhá 57 dias

O que é edema agudo de pulmão? | Colunistas

Definição O edema agudo de pulmão (EAP) é uma síndrome clínica que pode ser definida como um acúmulo de líquido extravasado dos capilares para o interstício pulmonar, capaz de causar dificuldade para o acontecimento das trocas gasosas entre o capilar e os alvéolos pulmonares. Pode ser identificado no paciente quando este apresenta um aumento na pressão capilar pulmonar e, consequentemente, aumento de líquido no espaço intersticial e alveolar do pulmão. Esse quadro gera no paciente dispneia súbita e intensa ao repouso, com saturação de O2 menor que 90% à respiração ambiente (hipoxemia), diminuição da complacência pulmonar, trabalho respiratório aumentado e relação ventilação-perfusão anormal. Fisiopatologia de edema agudo de pulmão Comumente, em casos de EAP, ou há um desequilíbrio nas forças das trocas de fluidos intravasculares e intersticiais, ou há uma ruptura de membrana alveolocapilar; independentemente disso, uma vez que um alvéolo é inundado, haverá algum grau de ruptura e a sequência pode ser dividida em três estágios: Elevação do fluxo de líquidos dos capilares para o interstício, sem que se detecte, ainda, aumento do volume intersticial pulmonar devido ao aumento paralelo e compensatório de drenagem linfática;O volume que é filtrado pelos capilares ultrapassa a capacidade de drenagem linfática máxima e inicia-se o acúmulo de líquido no interstício; inicialmente, este ocorre de modo preferencial junto aos bronquíolos terminais, onde a tensão intersticial é menor;Aumentos adicionais do volume, no interstício, terminam por distender os septos interalveolares e consequente inundação dos alvéolos. É importante salientar que existe uma classificação do EAP segundo sua fisiopatologia, que se dá de acordo com o desbalanço das forças de Starling, alteração da permeabilidade alveolocapilar, insuficiência linfática ou de etiologia desconhecida. Classificação

Joana Menezes

3 minhá 74 dias
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