Técnicas de Memorização | Especialistas

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Rafael Vaidergorn

5 min14 days ago

Olá! O texto de hoje é um tanto quanto especial, pois iremos conversar sobre um assunto que permeia a vida acadêmica de praticamente todos aqueles do universo médico: a necessidade de memorizar informações.

Seja para conseguir notas boas em provas ou para utilizar o conhecimento na prática, a necessidade de memorização aparece frequentemente na medicina, e a maneira como cada pessoa explora essa necessidade é extremamente variável. Hoje vamos abordar a técnica conhecida como Palácio das Memórias

Primeiramente, para que nossa conversa seja produtiva, é necessário que você compreenda a diferença entre aprender e memorizar. Isso porque, apesar dessas palavras muitas vezes serem utilizadas como sinônimos, não o são. Abaixo, temos uma boa definição do que significa aprender:

“Passar a compreender (algo) melhor graças a um depuramento da capacidade de apreciação, empatia, percepção.” 1

Ou seja, o conceito de aprender envolve a compreensão do assunto que você estuda e, por mais importante que seja, não é disso que eu e você iremos conversar hoje. Por outro lado, a definição de memorizar é outra:

“Fixar metodicamente, pela repetição sistemática, alguma coisa na memória; decorar.”2

O conceito de memorizar, portanto, é caracterizado por um processo responsável por reter (ou fixar) na memória certa informação desejada. Para este fim, conforme se vê na definição acima pelo uso do advérbio “metodicamente”, necessita de métodos, ou seja, técnicas que você possa fazer uso regular durante seus estudos. Lembra do conceito de Active Recall que te apresentei no texto anterior? Se não lembra e quiser ver, basta clicar neste link aqui. O Active Recall é apenas um dos métodos que existem por aí para você testar nos seus estudos. Hoje, te contarei outra técnica muito utilizada. Antes disso, no entanto, fica uma dica importantíssima: é muito mais fácil decorar uma informação depois que você já a tiver compreendido. Em outras palavras, primeiro você aprende e depois você decora!

O Palácio das memórias

O método de Loci (plural de locus, espaço em latim), muitas vezes chamada de Palácio das Memórias é um dos mais eficazes métodos de memorização que conhecemos. O emprego desta técnica é milenar, com seu uso sendo descrito já pelos oradores da Grécia antiga, que precisavam pronunciar grandes discursos em público sem fazer uso de anotações.3

Esta técnica funciona da seguinte forma: Você deve construir uma casa (um palácio bem grande) em sua mente, com um caminho a ser percorrido dentro dela, pelos seus corredores e cômodos. Coloque cada pedaço de informação relevante em um seu proprio cômodo. Toda vez que você estudar, lembre-se da rota que deve percorrer, explicando para si mesmo o que encontrará em cada local. Utilize vários elementos dos sistemas sensoriais para “decorar” cada quarto.

Por exemplo, para estudar para uma prova de cirurgia, talvez fique assim:

“Você entra na casa que funcionava como pensionato para cirurgiões aposentados… No primeiro quarto à direita, morava o Sr. McBurney, um velhinho que morreu de apendicite. No chão se vê folhas do receituário com carimbo de seu médico, o Dr. Blumberg, que tentava examinar sua barriga, mas o Sr. McBurney gritava de dor quando chegava no lado direito, e não deixava. Na escrivaninha tem um prato com espinhas de peixe (O quarto fede à peixe). As espinhas formam as letras ‘A.S’ no prato. O banheiro do quarto tem vômitos no chão, e no espelho está escrito uma mensagem: ‘TC ou USG’. Além disso, o quarto está em uma temperatura desconfortavelmente quente. Ele acabou morrendo porque se recusou a ser operado”.

Olha só! Apenas lembrando desta história que acabei de inventar, nesta ordem, você lembrará que Apendicite mata, e o tratamento é cirúrgico (o velhinho, afinal, morreu), que o paciente tem febre (o quarto está quente) e que tem náusea e vômitos (vido o vômito no chão do banheiro). Além disso, saberá do achado do exame físico importante da apendicite (ponto de McBurney, entre o umbigo e a espinha ilíaca antero-superior do lado direito, – pelas espinhas de peixe, com seu cheiro fedorento, formando ‘A.S’ , de Antero-Superior), assim como o sinal de dor quando este ponto é pressionado (Sinal de Blumberg). Não esquecerá também dos exames diagnósticos USG ou Tomografia computadorizada (escritos no espelho do banheiro).

Você poderia continuar por conta própria depois disto! Siga em frente e verá à cozinha, use-a para lembrar dos nomes de instrumentos cirúrgicos como se fossem utensílios de cozinha, e os cheiros e cores dos pratos para lembrar de que servem cada um!

Subindo as escadas, talvez você encontre alguns lembretes de neurocirurgia, já que o cérebro fica na parte de cima! Os corredores deste último andar são tortuosos, por causa dos giros e sulcos. Do lado de fora do quarto principal, tem uma porta de ferro maciça (a Dura-mater). Já dentro do quarto temos uma pia de mármore abandonada (Pia-mater) e dentro da própria pia tem uma teia de aranha (Aracnoide). O quarto aliás, é estranho porque tem 5 paredes, e não 4, como é o normal. Foi ideia de um arquiteto maluco, o Sr. Willis, que gostava de polígonos. Em cada parede está escrito o nome de uma artéria. Veja, em sua mente, cada parede com os seguintes nomes escritos, em vermelho: Artéria cerebral anterior, Artéria comunicante anterior, Artéria carótida interna, Artéria cerebral posterior e Artéria comunicante posterior.

Pronto! Agora que você já conhece o método Palácio das Memórias, comece a praticá-lo! Lembre-se que o melhor palácio de memórias é aquele que você mesmo constrói, porque cada detalhe fará mais sentido para você.

Nos próximos textos, conversaremos sobre outros métodos de memorização para que você possa escolher qual o mais proveitoso para a sua memória. Até lá, pratique este. Bons estudos!

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