Coronavírus

Tocilizumabe no manejo da COVID-19

Tocilizumabe no manejo da COVID-19

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Sanar Medicina

4 min há 88 dias

O Tocilizumabe, um anticorpo monoclonal humanizado, atua bloqueando os receptores de interleucina 6. De acordo com os resultados de alguns estudos, parece haver benefício do uso do Tocilizumabe com Glicocorticoides, especialmente naqueles pacientes que deterioram rápido, requerendo internação em Unidade de Terapia Intensiva.  

O Tocilizumabe na COVID-19

O tratamento com o anticorpo monoclonal Tocilizumabe contra a COVID-19 já estava sendo pesquisado para pacientes graves, porém os resultados dos trabalhos haviam sido conflitantes.

Neste post falaremos sobre três estudos, o CONVACTA, o REMAP-CAP e o RECOVERY, publicados recentemente e com resultados positivos para o uso da medicação. 

O estudo CONVACTA

O estudo CONVACTA foi desenhado e iniciado antes mesmo da publicação do estudo que mostrou benefício do uso de corticoides em pacientes COVID-19 com doença grave.

No CONVACTA, um total de 452 pacientes foram randomizados em dois grupos, para receberem o Tocilizumabe ou placebo. Um percentual de 37% dos pacientes já estavam em ventilação mecânica durante 4 a 5 dias quando ingressaram no estudo.

O Tocilizumabe não mostrou evidência de melhora clínica ou redução de mortalidade no 28º dia. No entanto, no quesito tempo de hospitalização e de estadia em unidade de terapia intensiva, o grupo Tocilizumabe parece ter se beneficiado do uso. 

O estudo REMAP-CAP

Já o estudo REMAP-CAP randomizou pacientes 24 horas após o início do suporte respiratório ou cardiovascular na unidade de terapia intensiva. A maioria deles requeriam apenas oxigênio em alto fluxo ou ventilação não invasiva. 

 Os pacientes foram alocados em três grupos: 353 pacientes receberam Tocilizumabe, 48 receberam Sarilumabe e 402 receberam tratamento padrão. 

A maioria dos pacientes, precisamente 80%, receberam tratamento associado com glicocorticóides. O resultado mostrou que o grupo Tocilizumabe apresentou maior tempo livre de suporte orgânico e menor mortalidade intrahospitalar. 

O estudo RECOVERY

O estudo RECOVERY é um estudo do tipo randomizado e controlado, que busca avaliar diversas opções terapêuticas para pacientes internados com COVID-19 no Reino Unido. 

Neste braço do estudo, os pacientes foram randomizados em grupos que receberam tratamento padrão e tratamento padrão acrescentado de terapia com o anticorpo monoclonal Tocilizumabe. 

Um total de 4116 pacientes foram inclusos na análise, cujos resultados mostraram maior probabilidade de receber alta hospitalar dentro de 28 dias para aqueles do grupo recebendo terapia com o anticorpo monoclonal.

Entre aqueles que não estavam em ventilação mecânica na linha de base, os que receberam Tocilizumabe tiveram menor probabilidade de ir para a ventilação mecânica ou óbito.

Os resultados apontaram benefício do uso do anticorpo monoclonal naqueles pacientes com hipóxia e inflamação sistêmica. 

Conclusão: a diferença em ambos resultados

De acordo com os artigos aqui resumidos, parece sim haver algum benefício do uso do Tocilizumabe no tratamento de pacientes com doença grave, sob cuidados intensivos. 

A grande diferença entre os estudos CONVACTA e o REMAP-CAP é que no último houve o uso do corticoterapia associada, bem como o início precoce do tratamento. 

Já no estudo RECOVERY, os benefícios foram vistos independente do nível de suporte de oxigênio requerido, e conferiram benefícios adicionais ao uso da terapia com glicocorticoides.

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Referências

Tocilizumab for Management of COVID-19: Finally (Some) Clarity – NEJM 

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