Ciclo Clínico

Transtornos Alimentares com mapa mental | Colunistas

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Imagem de perfil de Dr. Roberto Amaral

1. Introdução

Os dois principais transtornos de conduta alimentar (TCA) são:

  1. Anorexia nervosa (AN)
  2. Bulimia Nervosa (BN)

São transtornos psiquiátricos, mas que podem gerar consequências médicas graves, como desnutrição proteico calórica e altas taxas de mortalidade (5 a 20 % na AN).

2. Epidemiologia

1. Anorexia nervosa: 0,5 a 1% de casos clínicos que preenchem todos os critérios para AN, sendo que a maioria é composta por mulheres e adolescentes

2. Bulimia Nervosa: 1 a 3% dos adolescentes ou mulheres jovens e, nos homens, quase 10% do número de mulheres. Faixa etária é mais tardia do que a anorexia

3. Diagnóstico

3.1 Anorexia Nervosa

3.1.1 Características

  • Início é marcado por progressiva restrição dietética, queima das reservas de gordura, perda de massa magra provocando importante perda de peso;
  • A pessoa passa a viver em função da dieta e do peso e se acha gorda apesar do pouco peso;
  • Padrão alimentar é secreto e ritualístico;
  • Medo de engordar serve como critério diferencial para outros tipos de anorexia;
  • Muitos apresentam outras doenças psiquiátricas.

As alterações metabólicas são semelhantes àquelas encontradas no estado de inanição: 

  1. Redução do metabolismo basal;
  2. Redução dos níveis dos hormônios tireoidianos, do IGF1, da leptina, insulina e do aumento dos níveis de cortisol, glucagon e de Grelina;
  3. É comum, também, em pacientes com AN, o aumento do colesterol, que é determinado, na maioria dos casos, por perda grave da massa de gordura;
  4. Ocorre redução da força muscular, fraqueza do músculo cardíaco, redução do crescimento corporal, alterações endócrinas, como ausência de menstruação nas mulheres, hidroeletrolíticas e gastrintestinais;
  5. Muitas vezes, este quadro pode estar exacerbado por aumento da atividade física diária e intencional;
  6. Diminuição da massa óssea impactando no crescimento, caso ainda esteja na puberdade, podendo causar osteoporose;
  7. Alteração na função sexual e reprodutiva.

3.2 Bulimia Nervosa

  • Tipo purgativo: quando um bulímico provoca o vômito para expelir a comida ingerida ou provoca diarreia através de laxativos
  • Tipo não purgativo:é diagnosticada quando o doente faz exercício e/ou jejua em excesso após comer.

3.2.1 Características 

  • A desnutrição não é vista com frequência;
  • A compulsão alimentar é a característica do transtorno e ocorre às escondidas com sentimento de culpa;
  • Ingestão energética em grande parte do tempo pode ser normal;
  • Peso pode ser normal ou elevado;
  • Consegue esconder o problema por anos;
  • Vômito induzido é o comportamento compensatório mais comum e alguns passam a apresentar úlceras no dorso na mão chamadas de Sinal de Russel;
  • Ocorrem problemas dentários como aumento do desenvolvimento de cáries e perda dos dentes, comprometimento muscular e cardíaco pela desidratação, diminuição de potássio, aumento ou elevação do bicarbonato por causa de diarreia ou vômito, alargamento da glândula parótida, abrasões do esmalte dentário e esofagite;
  • Risco de morte é menor em relação aos portadores de anorexia.

4. Terapia Nutricional

O tratamento nutricional dos transtornos alimentares pode ser feito em regime ambulatorial, de internação completa ou parcial (hospital-dia) dependendo da severidade e da cronicidade da doença.

Ao ser feito o diagnóstico, o médico deve avaliar se o paciente está em risco iminente de vida através dos exames de sangue, exame físico e aderência ao tratamento proposto e assim, se requer hospitalização ou não.

Divisões do tratamento

O tratamento pode ser divido em:

  1. Médico: tratamento das complicações clínicas da desnutrição e emagrecimento, além daquelas provocadas pelo comportamento purgativo; tratamento dos transtornos psiquiátricos que podem ocorrer em paralelo.
  2. Farmacológico: medicamentos como inibidores da recaptação de serotonina, como fluoxetina, são de primeira linha na AN e na BM.  
  3. Nutrológico: podendo ser ambulatorial ou hospitalar.

4.1 Anorexia nervosa

Hospitalar quando há severa desnutrição, comprometimento cardiovascular e metabólico, como diminuição do potássio e da glicemia, e pobre resposta ao tratamento ambulatorial. 

Perda de peso rápida (mais de 30% em três meses) ou IMC abaixo de 13.5 kg/ m2.

O tratamento nutricional dos transtornos alimentares, no caso anorexia nervosa, de preferência é oral, mas pode ser enteral (sonda nasogástrica) ou parenteral (por acesso venoso ou central) de 30 a 100 kcal/kg/dia.

Suplementação de vitaminas e minerais conforme exames.

O aumento de peso esperado é de 1 kg por semana em tratamento hospitalar e 250 a 450 g/semana em tratamento domiciliares.

A normalização da menstruação é um bom marco do peso adequado em mulheres.

A reposição de zinco favorece ganho de peso e melhora os níveis de ansiedade e depressão.

Quando as metas de peso não são atingidas, está indicada a alimentação enteral.

Já a nutrição parenteral total fica restrita a quadros nutricionais graves com potencial risco de vida.

4.2 Bulimia Nervosa

Tratamento hospitalar é pouco frequente e apenas se há complicações do comportamento purgativo.

As recomendações nutricionais para este transtorno alimentar não podem ser menores do que 1200 kcal/dia fracionando as refeições para evitar ataques de compulsão.

Os macronutrientes, proteínas, gorduras e carboidratos, são dispostos como o recomendado para a população em geral.

Reposição de micronutrientes deve ser feita considerando o desequilíbrio hidroeletrolítico causado pelos métodos purgativos

Fique atento:

No próximo congresso brasileiro de nutrologia da ABRAN terão 4 aulas sobre o tema no dia 26/9/19, quinta-feira.

Este é um tema de muita relevância e que sempre é visto em prova de título de nutrologia da ABRAN.

Mapa mental de transtornos alimentares (BÔNUS)

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