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Tratamento em Cirurgia de Cabeça e Pescoço | Colunistas

A Cirurgia de Cabeça e Pescoço é uma especialidade de grande alcance, que aborda uma topografia específica do corpo, e não um  único sistema, diferente de grande parte das outras especialidades cirúrgicas. Isso significa que o cirurgião de cabeça e pescoço deve reunir competências que envolvem o domínio dos diversos sistemas que passam por esta região, como o sistema endócrino, respiratório, digestório, linfático e circulatório.

Existem dois principais braços de abordagem terapêutica cirúrgica em nossa especialidade: o tratamento de doenças benignas e a cirurgia oncológica. Exige-se do especialista pleno domínio da anatomia da região, além de apurada técnica cirúrgica, uma vez que, nesta localização, existem diversas estruturas nobres, muito próximas umas das outras, o que demanda grande apreciação e cuidado com os detalhes.

O tratamento das doenças relacionadas à Cirurgia de Cabeça e Pescoço englobam três grandes objetivos: a cura, a reabilitação funcional e o melhor resultado estético possível. Para atingi-los, o cirurgião deve ser familiarizado com os diversos acessos possíveis (aberto, por vídeo, endoscópicos trans-orais com uso de microscópio ou cirurgia robótica, além de acessos combinados, envolvendo mais de uma dessas modalidades).

 Além disso, o cirurgião precisa dominar as diversas formas de reconstrução, como o fechamento primário, as cicatrizações por segunda intenção e a utilização de enxertos e retalhos loco-regionais.

As principais doenças do dia a dia da especialidade são:

  • Doenças benignas da tireoide de tratamento cirúrgico: bócios
  • Doenças malignas da tireoide
  • Doenças da paratireoide
  • Doenças benignas e malignas das glândulas salivares
  • Linfonodomegalias cervicais de causa a esclarecer
  • Tumores cervicais de causa a esclarecer
  • Carcinomas da mucosa do trato aero-digestório alto
  • Tumores vasculares e linfáticos
  • Sarcomas
  • Tumores de pele em face e pescoço
  • Malformações congênitas
  • Tumores da cavidade nasal e seios paranasais
  • Tumores da base do crânio

O tratamento dessas doenças envolve, muitas vezes, um trabalho em conjunto com outras especialidades médicas, como a cirurgia plástica, a otorrinolaringologia, a endocrinologia, a cirurgia do aparelho digestivo, a cirurgia do tórax, a cirurgia vascular, a oncologia clínica e equipe de cuidados paliativos, entre outras. Além disso, nossos pacientes necessitam de cuidados multi-disciplinares, com atuação fundamental de equipe de enfermagem, fisioterapia, fonoterapia e psicologia.

O perfil do paciente é bastante variável, de todas as idades, e com diferentes graus de gravidade, desde pacientes com achados incidentais de nódulos de tireoide ou alterações metabólicas da paratireoide, passando por aqueles com tumores cérvico-faciais não diagnosticados que necessitam de investigação e tratamento,  pacientes com tumores avançados que necessitam de abordagem terapêutica agressiva ou até mesmo já candidatos a cuidados paliativos exclusivos.

A maior parte dos procedimentos da Cirurgia de Cabeça e Pescoço são realizados em centro cirúrgico, em caráter eletivo. Entretanto, o especialista pode ser necessário em situações de urgência, como em casos de difícil obtenção de via aérea cirúrgica, traumas da região cervical ou hematomas cervicais. Alguns cirurgiões de cabeça e pescoço podem, inclusive, se especializar em trauma crânio-facial, exercendo também esta atividade como retaguarda de  unidades de pronto-atendimento.

Entre as principais cirurgias realizadas pelo especialista, destacamos:

  • Tireoidectomia, cirurgia que envolve a dissecção e preservação das paratireoides e do nervo laríngeo inferior (recorrente) e ramo externo do nervo laríngeo superior. Podem ser realizadas para doenças benignas (bócios), inclusive com componente mergulhante e necessidade de toracotomia, em parceria com a cirurgia do tórax, ou  ainda em contexto oncológico, para câncer de tireoide, eventualmente necessitando de esvaziamento cervical ou até mesmo resseções de laringe, traqueia ou esôfago.
  • Paratireoidectomia, realizadas em situações de hiperparatireoidismo (primário, secundário ou terciário), envolvendo a dissecção cirúrgica e preservação das mesmas estruturas da tireoidectomia;
  • Esvaziamento cervical, procedimento de linfadenectomia cirúrgica regrada feita em caráter oncológico para tratamento do câncer de cabeça e pescoço. Trata-se de uma cirurgia de grande porte, que inclui a dissecção de diversas sub-regiões do pescoço, exigindo grande conhecimento anatômico e habilidade cirúrgica, envolvendo a manipulação cirúrgica da veia jugular interna, artéria carótida comum, interna e externa, nervo hipoglosso, nervo acessório, nervo vago, nervo frênico, ramos do nervo facial e trigêmeo, além do ducto torácico;
  • Biópsias de linfonodos cervicais, realizadas no contexto de investigação de linfonodomegalia suspeita;
  • Cricotireoidostomia e traqueostomia, em situações de dificuldade de obtenção de via aérea, que necessitem de abordagem cirúrgica através do pescoço;
  • Parotidectomia, para tratamento de doenças inflamatórias ou neoplásicas da glândula parótida, com necessidade de dissecção e preservação do nervo facial;
  • Ressecções da glândula submandibular, realizadas tanto no contexto de esvaziamentos cervicais, como em doenças inflamatórias ou neoplásicas da glândula submandibular
  • Biópsias de tumores de mucosa ou pele da região cérvico-facial, para investigação etiológica
  • Glossectomia, associadas ou não a mandibulotomias de acesso, ou mandibulectomias para ressecção oncológica de tumores de boca e orofaringe, com margens adequadas. São procedimentos frequentemente associados à necessidade de esvaziamento cervical no mesmo tempo operatório, além de reconstrução com retalhos para permitir boa reabilitação funcional e estética.
  • Laringectomia, que pode ser aberta, endoscópica, com o uso de robô, ou em acessos combinados, para tratamento de doenças benignas e malignas da laringe. Pode ser total, ou parcial, com preservação da unidade funcional da laringe (a articulação crico-aritenoidea), evitando-se assim a necessidade de traqueostomia permanente, quando possível. Também se trata de um procedimento muitas vezes realizado em contexto oncológico, necessitando de esvaziamento cervical no mesmo tempo operatório e eventual necessidade de reconstrução com retalhos para a restituição da faringe, de modo a permitir a reabilitação alimentar do doente;
  • Maxilectomia, para tratamento de tumores de maxila e seios paranasais, normalmente de natureza maligna;
  • Exenteração de órbita, para tratamento de doenças malignas que envolvem a órbita
  • Ressecção de tumores vasculares, como os paragangliomas carotídeos, muitas vezes em parceria com a cirurgia vascular.
  • Ressecção cirúrgica de doenças congênitas cérvico-faciais, como a ressecção do cisto branquial ou a cirurgia de Sistrunk para tratamento de cisto do ducto tireoglosso.

Existem outros procedimentos, menos frequentes. O lugar comum é a necessidade de conhecimento global, pleno domínio da anatomia e grande habilidade cirúrgica. Trata-se, portanto, de uma especialidade que recruta pessoas com perfil detalhista, com interesse especial em oncologia cirúrgica, porém com visão global do doente, para que todos os aspectos de sua enfermidade sejam abordados de forma adequada. A residência médica dura dois anos, e necessita, como requisito, a formação prévia em cirurgia geral ou otorrinolaringologia.

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