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Tratamento precoce contra COVID-19: 5 medicamentos que não funcionam

Tratamento precoce contra COVID-19: 5 medicamentos que não funcionam

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Sanar

6 min há 123 dias

A série de medicamentos sem eficácia comprovada, mas indicada como “tratamento precoce” contra COVID-19 é um dos alvos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, que investiga ações e omissões da gestão governamental durante a pandemia.

O chamado ‘Kit Covid’ chegou a ser indicado até no site do Ministério da Saúde no início do ano, mesmo com estudos comprovando que o combo de medicamentos não combate a infecção e pode até causar complicações sérias em quem resolve usá-lo sem orientação médica.

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Os medicamentos também são protagonistas de diversas fake news que atribuem efeitos curativos e até milagrosos contra a infecção. Porém, só cresce a lista de entidades globais que não recomendam o uso dos fármacos para tratamento precoce ou preventivo da COVID-19.

Entre elas, Organização Mundial de Saúde (OMS), Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos e da Europa, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e Associação Médica Brasileira (AMB).  

5 ‘tratamentos precoces’ contra a COVID-19 que não funcionam

A seguir, listamos alguns dos medicamentos que compõe o ‘kit Covid’ e as evidências científicas que descartam o uso contra infecção por SARS-CoV-2.

Cloroquina e Hidroxicloroquina

Os dois medicamentos diferem na formulação, mas a substância de base é a mesma – cloroquina. Eles têm efeito imunomodulador e são usados para tratar doenças autoimunes, como lúpus e artrite reumatoide. E também usados no combate à malária.

Sucessivos estudos científicos descartam os efeitos desses medicamentos contra a COVID-19. Entre eles, o Recovery Trial, realizado no Reino Unido com pacientes hospitalizados, e a pesquisa da Coalizão Covid-19 Brasil, que avaliou cerca de 500 voluntários com infecção pelo coronavírus em estágios leves e moderados.

Os tratamentos testados não só tiveram sua eficácia contra o coronavírus descartada como foram associados a efeitos adversos mais frequentes, como arritmia e aumento de enzimas TGO/TGP no sangue (alteração que pode indicar lesão no fígado), retinopatias, hipoglicemia grave e toxidade cardíaca, além de diarreia, náusea, mudanças de humor e feridas na pele.

Médicos relataram casos de pacientes com COVID-19 que morreram depois de fazer nebulização com hidroxicloroquina.

Tratamentos precoces com Ivermectina

O medicamento é usado no tratamento de infecções por parasitas, como piolhos, sarnas e lombrigas. Ela despontou como promessa contra a COVID-19 a partir de um estudo in vitro realizado na Austrália.

Porém, revisões posteriores descartaram os resultados iniciais por terem utilizado uma dose irreal do medicamento. Cálculos posteriores mostraram que para que o fármaco combata o coronavírus num cenário real de infecção, seria preciso doses muito altas, com risco de efeitos colaterais gravíssimos e até overdose.

Em março, a OMS descartou o uso de ivermectina para pacientes infectados em qualquer grau de severidade da COVID-19 e incluiu a recomendação em suas diretrizes para tratamento da doença. A fabricante do remédio também descartou seu uso para a infecção.

Entre os efeitos colaterais já apontados pelos médicos estão tontura, vertigem, tremor, febre, dores abdominais, cefaleia, coceira e queda brusca na pressão sanguínea. Há também casos de pessoas com COVID-19  que precisaram de transplante ou morreram de hepatite medicamentosa depois de tomar ivermectina.

Tratamentos precoces com Azitromicina

O medicamento antibiótico é normalmente indicado para o tratamento de doenças respiratórias, como bronquite e pneumonia, ou sexualmente transmissíveis, como gonorreia.

O mesmo estudo Recovery Trial, do Reino Unido, também estudou a eficácia do medicamento contra a COVID-19 e não encontrou evidências de que ele pode deter o SARS-CoV-2. Em setembro de 2020, pesquisadores brasileiros chegaram a mesma conclusão em estudo que foi publicado no periódico científico The Lancet.

Os especialistas consideram que, devido ao seu uso eficaz contra bactérias, a azitromicina ajuda a evitar outras infecções no organismo enfraquecido pela COVID-19, mas não tem efeito contra a doença em si. De qualquer forma, seu uso só deve acontecer mediante prescrição médica.

Nitazoxanida

O antiparasitário atua em infecções virais causadas por rotavírus, parasitas como mantódeos, cestódeos, trematódeos, e por protozoário. O medicamento ganhou os holofotes no Brasil em outubro, quando o presidente Jair Bolsonaro e o ministro de Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes, anunciaram estudo que indicava que a droga poderia ser útil como tratamento precoce.

Alguns dias depois, os resultados da pesquisa foram publicados no periódico científico European Respiratory Journal e as conclusões dos especialistas é que a eficácia da droga foi considerada fraca e sem aplicação prática contra a COVID-19. Além disso, pesquisadores brasileiros questionaram a metodologia da pesquisa.

Dexametasona

Diferente dos anteriores, este medicamento, representante da classe dos corticoides, já mostrou seu valor nos quadros graves de infecção pelo coronavírus.

Um estudo capitaneado pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, revelou que esse medicamento é um aliado valioso para os quadros que necessitam de internação.

Isso porque ela ameniza a pane inflamatória que se instala em parte dos quadros agravados de COVID-19. No entanto, o corticoide não é tratamento precoce e só deve ser usado com indicação médica, a partir de avaliação caso a caso.

Para informações mais detalhadas sobre a formulação de cada um desses medicamentos, acesse Coquetel contra COVID-19: resumo e avaliação do tratamento precoce.

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