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Trauma torácico: pneumotórax como uma das principais repercussões | Colunistas

Trauma torácico: pneumotórax como uma das principais repercussões | Colunistas

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Neylane Araujo Cordeiro

7 min há 40 dias

Na história, Imhotep é autor das primeiras descrições acerca dos traumas de tórax, um médico egípcio. Hoje é abundante os relatos sobre o tema, visto que os politraumas estão entre as principais causas de mortes e sequelas a população. Nesse contexto, o pneumotórax é uma importante consequência pois pode ser efeito tanto do trauma quanto da iatrogenia.

O pneumotórax é a perda de continuidade das pleuras pulmonares, com potencial acúmulo de ar no espaço pleural, gerando a perda de pressão negativa inerente a este espaço o que pode corroborar para o colapso do pulmão. Com a perda de funcionalidade dos pulmões não se pode dissociar os prejuízos trazidos a função do coração e dos grandes vasos os quais também são protegidos pela caixa torácica.

Ao longo do texto objetiva-se destrinchar melhor o tema pneumotórax, de modo a expandir 

Classificação e prevalência 

Espontâneo primário quando não há uma doença de base; espontâneo secundário quando o paciente apresenta complicações de doenças prévias, como uma DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica). Iatrogênico, como consequência de um procedimento mal sucedido. O

Traumático aberto e fechado, sendo o primeiro quando a contato do parênquima pulmonar com meio externo e o segundo não. Além de poder ocorre o pneumotórax catamenial o qual é referente a pacientes com diagnostico de endometriose torácica e também o pneumotórax hipertensivo definido a partir do menor retorno venoso, em virtude da compressão dos grandes vasos pelo acumulo de ar no espaço pleural. Por fim, o iatrogênico que ocorre por procedimentos médicos mal sucedidos.

A prevalência, de acordo com estudo SILVA, 2017 é maior no sexo masculino, com idade entorno de 20 a 29 anos referente a traumas abertos, dentre as causas mais recorrentes estão quedas, acidentes, e violência urbana. A respeito do pneumotórax não traumáticos também o sexo masculino se destaca, entretanto, a faixa etária se alonga mais com media de 20 a 40 anos.

Fisiopatologia

Os movimentos ventilatórios de inspiração e expiração da caixa torácica, acontecem em virtude da pressão negativa existente no espaço pleural constituídos pela pleura parietal e pela visceral. De modo que a inspiração é uma ação ativa e a expiração é passiva em virtude das pressões sempre negativas entorno de 5mmHg com variações de 6 a 8mmHg, em condições normais. Em situações externas como o fumo, e os traumas podem interferir nessa dinâmica fisiológica, alterando o equilíbrio de pressão intrapleural.

O tabagismo é fator de risco para o pneumotórax espontâneo, pois quando bolhas de ar em pulmões, constantemente, agredidos pelo cigarro se formam, elas podem “explodir” e o parênquima pulmonar perde sua integridade da pleura visceral, com isso o ar pode se alocar na cavidade das pleuras. Assim como, no trauma a necessidade do uso de dreno torácico pode justificar a fisiopatologia do pneumotórax hipertensivo, porque um dreno obstruído, por exemplo por coágulo, impede a retirado do ar e esse acúmulo de ar no espaço pleural termina aumentar a pressão intratorácica e por conseguinte deslocar e comprimir os grandes vasos, reduzindo enchimento diastólico e debito cardíaco.

Manifestações clinicas e o diagnóstico diferencial: como identificar e diferenciar um pneumotórax espontâneo do hipertensivo

Entender clinicamente como o paciente pode se apresentar na busca do atendimento, por vezes, define se a conduta tomada pelo médico será apropriada. Com isso, sintomas como dor torácica de início agudo mais dispneia, com ausculta pulmonar comprometida, com diminuição do murmúrio vesicular, principalmente, no lado ipsilateral do achado corroboram para um pneumotórax espontaneo. Uma vez que o paciente apresente associado a um trauma uma dispneia importante, com hiperressonância, na percussão do exame físico, e hipotensão vincula-se mais a pneumotórax hipertensivo.

Para o diagnostico diferencial alguns exames são fundamentais. Como ultrassom e TC de tórax, sendo o padrão ouro, assim como raioX em perfil e PA- póstero anterior, preferencialmente, com o paciente de pé, pode-se verificar a perda das linhas pulmonares na periferia e da linha pleural paralela a parede torácica, exemplificado na figura abaixo.

FIGURA1- Medicina de Emergências, 2020

Como tratar?

A partir do diagnostico estabelecido, para escolher o tratamento adequado deve -se levar em consideração algumas questões: gravidade e tamanho do pneumotórax.

Sintaticamente, um pneumotórax simples e pequeno, o paciente fica em observação por 5 a 6 horas e com oferta de oxigênio maior que 30%; em casos, moderados não hipertensivos faz-se punção, aspiração e drenagem; pneumotórax grande e hipertensivo deve receber drenagem imediatamente, toracocentese de alívio.

Quanto a indicações de internação salienta-se que quando pneumotórax é pequeno e clinicamente estável não há necessidade de internação. Porem, nos casos moderados, grandes e hipertensivos precisam do acompanhamento ambulatorial ate sua alta.

Conclusão 

Alta frequência na pratica clínica, potencial causa de mortalidade, diversas repercussões sistêmicas. São exemplos do quão importante o tema do trauma torácico se faz para o cotidiano médico, pois trata-se de uma emergência em saúde, podendo ser considerada um problema de saúde pública, uma vez que, diversos casos de pneumotórax advindos de traumas por acidentes que poderiam ser evitados por exemplo. O texto, de maneira sintética trouxe conceitos fundamentais para o entendido do trauma torácico e desdobramentos do pneumotórax do ponto de vista fisiopatológico, mas também social quando apresentado o perfil epidemiológico dos pacientes acometidos.

A partir dessa visão social é possível embasar ideias que possam prevenir o aumento no numero de casos, como políticas públicas governamentais que trabalhem em prol da redução dos fatores de risco, como o tabagismo e diminuição de acidentes de transito Assim como, entender o contexto social sedimento dados estatísticos, os quais oferecem suporte para os profissionais de saúde a desenvolverem estudos que cada vez mais detalhem o perfil das pessoas mais vulneráveis a sofrer com um trauma de tórax, principalmente, de caráter do pneumotórax.

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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Referências 

  1. SOUZA, Vanessa Silva, SANTOS, Alex Caetano, PEREIRA, Leolítio Vitor. Perfil clínico epidemiológico de vítimas de traumatismo torácico submetidas a tratamento cirúrgico em um hospital de referência. Scientia medica (Porto Alegre), 2013; vol.23, numero 2, p.96-101. 
  2. NETO, Adalberto Studart, et.al. Medicina de emergência abordagem pratica. Manole, USP, FMUSP, 2020; ed.14, p.745-747.
  1. DA SILVA, Larissa Aparecida Perreira, et.al. Análise retrospectiva da prevalência e do perfil epidemiológico dos pacientes vítimas de trauma em um hospital secundário. Rev Med. São Paulo, 2017, p 246-254.
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