Residência Médica

Tudo o que você precisa saber sobre Polissonografia | Colunistas

Tudo o que você precisa saber sobre Polissonografia | Colunistas

Compartilhar
Imagem de perfil de Dr. Franco Chies Martins

Oportunidades objetivas para o estudo do sono datam do século XX. Em 1929, o psiquiatra alemão Hans Berger, por meio de gravação da atividade elétrica cerebral, descreveu as ondas α e β, sendo o pioneiro ao demonstrar as diferenças entre a vigília e o sono. Em 1968, Rechtschaffen e Kales iniciam a avaliação do sono por meio da polissonografia (PSG).

Entenda tudo sobre a Polissonografia neste artigo!

Bons estudos.

O que é polissonografia?

Atualmente a polissonografia (PSG) é considerada pela American Academy of Sleep Medicine (AASM) como o método padrão-ouro para o diagnóstico de distúrbios respiratórios do sono (DRS).

Seguem as indicações de rotina de polissonografia PSG:

  • Diagnóstico de Distúrbios Respiratórios do Sono (DRS);
  • Titulação de pressão positiva (CPAP ou Binível) em pacientes com DRS;
  • Avaliação de eficácia terapêutica em casos selecionados;
  • Confirmação do diagnóstico de narcolepsia, em associação com o Teste das Latências Múltiplas do Sono;
  • Avaliação de comportamentos relacionados ao sono de caráter violento ou com risco à segurança;
  • Avaliação de parassonias de apresentação atípica.

Como é dividida a polissonografia?

A polissonografia pode ser dividida didaticamente em tipo 1, 2, 3 e 4, de acordo com a quantidade de canais mensurados: 7, 7, 4-7 e 2, respectivamente.

Polissonografia tipo 1 ou polissonografia basal

No tipo 1, chamado também de polissonografia basal, o exame é realizado no laboratório do sono com auxílio de técnico treinado para montagem dos eletrodos e sensores; contém o eletroencefalograma (EEG).

Também pode ser realizada a titulação de pressão positiva para tratamento da apneia do sono e monitoramento com vídeo. O custo da infraestrutura do laboratório, logística operacional e tempo gasto para o laudo são os principais fatores negativos.

Polissonografia tipo 2

O segundo tipo difere do primeiro por ser realizado fora do laboratório de polissonografia, no domicílio do paciente.

Também contém EEG e em casos selecionados, pode ser realizada titulação de pressão positiva. Os custos relacionados ao laboratório são dirimidos.

Polissonografia tipo 3

Na polissonografia tipo 3, o foco é avaliação de apneia obstrutiva do sono, o que corresponde à principal indicação do exame. Não dispõe de EEG, somente sensores respiratórios.

Polissonografia tipo 4

O tipo 4 apresenta 2 canais, sendo um deles a oximetria não invasiva.

Parâmetros gerais da PSG basal

Os parâmetros gerais da PSG basal incluem:

  • derivações do eletroencefalograma (EEG);
  • derivações do eletro-oculograma (EOG);
  • eletrocardiograma (ECG);
  • eletromiografia (EMG) de queixo e de membros;
  • sensores de fluxo nasal por transdutor de pressão e oronasal por termístor;
  • sensores de esforço respiratório por pletismografia de indutância;
  • sensores de ronco por microfone ou sensores piezelétricos;
  • saturação da oxiemoglobina por oximetria de pulso e posição corporal.

Todos esses parâmetros são avaliados conjuntamente, expressos graficamente como um hipnograma (figura1).

Papel do EEG na polissonografia

O papel central do EEG na PSG é o estagiamento do sono ao identificar e diferenciar o estágio vigília das diferentes fases do sono: NREM1, NREM2 e NREM3 e REM. As proporções de fase de sono variam com a idade e sofrem efeitos de medicamentos e comorbidades.  

Os distúrbios respiratórios são avaliados por, no mínimo, 3 canais:

  1. sensores de detecção do fluxo aéreo (termístor/termopar e transdutor de pressão);
  2. esforço respiratório (cintas de pletismografia de indutância preferencialmente, ou piezelétricas, torácica e abdominal);
  3. saturação arterial de oxigênio (oxímetro de pulso).

Logo, os eventos respiratórios são divididos por sua apresentação em apneias (obstrutivas, mistas e centrais) e hipopneias.

A quantidade de eventos observados durante o exame é dividido pelo tempo de avaliação resultando no índice de apneia-hipopneia (IAH). O IAH é determinante para definição terapêutica.

Conclusão

A polissonografia tem evoluído para aparelhos cada vez menores e mais acessíveis, com monitoramento remoto em tempo real e laudo automático.

A alta prevalência de apneia obstrutiva do sono tem exigido exames mais baratos, acessíveis e confiáveis, principalmente quanto ao rastreio em populações de risco.

A tecnologia de desenvolvimento de softwares, inteligência artificial e big data superam a velocidade de revisão dos dados e consequentemente, as publicações científicas andam um passo atrás.

Porém apesar desse crescimento exponencial, devemos focar em pensar nos distúrbios do sono, solicitar e interpretar a polissonografia adequadamente.

Figura1. Hipnograma. No eixo vertical temos os parâmetros mensurados (despertares, estágios de sono, posição corporal, movimento de pernas, dessaturação, oximetria, frequência cardíaca, ronco, atividade corporal, apneia e hipopneias, respectivamente. No eixo horizontal, a hora. (Acervo do autor)

imagem-hipnograma