Alergologia e imunologia

Tudo que você precisa saber sobre a vacina para dermatite atópica

Tudo que você precisa saber sobre a vacina para dermatite atópica

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Continue lendo esse post e fique por dentro das discussões sobre a vacina para dermatite atópica.

Estudo aponta que uma vacina contra ácaros pode diminuir os sintomas da dermatite atópica. A pesquisa, conduzida por cientistas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), foi publicada na Journal of Allergy and Clinical Immunology: In Practice, uma das mais importantes desta área da medicina.

É importante acrescentar que a vacina é aprovada pela Anvisa. Além disso, o imunizante já é usado por alergologistas no tratamento de pacientes com rinite e asma.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a dermatite atópica é uma doença de pele comum no Brasil. Ela apresenta erupções que coçam e apresentam crostas. O surgimento é mais comum nas dobras dos braços e da parte de trás dos joelhos. A doença pode também vir acompanhada de asma ou rinite alérgica.

Segundo dados da SBD, 59% dos brasileiros podem já ter apresentado pelo menos um dos sintomas característicos da dermatite atópica. Porém, o diagnóstico preciso só ocorreu em 1% dos casos.

Estudo sobre vacina para dermatite atópica

Em entrevista a CNN Brasil, Luisa Karla, falou sobre o desenvolvimento da estudo e sobre a vacina. A cientista é uma das orientadoras do estudo.

“O imunizante possui um extrato de ácaros, é administrada de forma sublingual e foi estudado por 18 meses. Esse tratamento mostrou benefício muito grande na melhora das lesões e coceira, de forma significativa”, contou Luisa.

A pesquisa foi realizada com 66 pacientes, com 40% deles abaixo de 12 anos. Metade deles recebeu um placebo, enquanto a outra teve o imunizante aplicado. Os voluntários foram acompanhados por mais um ano e meio pela médica Sarah Sella Langer, pós-graduanda na USP.

O ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo – considerado padrão-ouro para avaliar a eficácia de fármacos – foi conduzido entre maio de 2018 e junho de 2020 na Unidade de Pesquisa Clínica do hospital da Faculdade de Medicina da USP.

Para a pesquisa, nos três primeiros meses de indução, as diluições foram preparadas na proporção de 1:1 milhão volume:volume, progredindo para 1:100 mil v:v; 1:10 mil v:v até chegar a 1:10 v:v, dose mantida por 15 meses. A solução placebo era idêntica ao diluente do extrato e com o mesmo esquema de administração.

O extrato usado no estudo foi desenvolvido com ácaro da poeira domiciliar da espécie Dermatophagoides pteronyssinus, considerada a mais comum. Produzido por uma empresa da Espanha, com autorização de comercialização no Brasil, é resultado do processamento de uma cultura desses ácaros, que são macerados, diluídos e centrifugados até obter o extrato.

Quais foram os resultados do estudo da vacina para dermatite atópica como solução para os sintomas a doença?

Os pesquisadores usaram a Pontuação de Dermatite Atópica (SCORAD, na sigla em inglês) para avaliar as respostas ao tratamento. Foi avaliada as regiões do corpo e o tipo de lesão, a coceira e distúrbios do sono.

Os pesquisadores atribuíram uma pontuação de acordo com a gravidade da doença:

  • Menor que 25 pontos é considerada dermatite atópica leve
  • Entre 25 e 49 moderada
  • A partir de 50 grave

Depois dos 18 meses do estudo, 74,2% dos pacientes que receberam a imunoterapia apresentaram redução maior ou igual a 15 pontos no SCORAD.

Em relação à pontuação inicial, houve diminuição de 55% nos valores do SCORAD em pacientes que receberam a imunoterapia sublingual após 18 meses, indicando diminuição da gravidade da doença.

Enquanto no grupo que recebeu placebo a queda foi de 34,5%, uma diferença estatisticamente significante e que mostra o benefício do tratamento.

Ao analisar o chamado O-SCORAD (SCORAD objetivo), que avalia apenas as lesões, o resultado foi semelhante.

Outra avaliação feita pelos pesquisadores foi a avaliação global do investigador (IGA), que vai de o (pele sem lesão) a 5.

Um número considerável de pacientes que receberam o tratamento ficou com o indicador entre 0 e 1 (pele limpa ou quase limpa). Foram 14 de 35 indivíduos.

Enquanto no grupo que recebeu o placebo o resultado de IGA 0/1 foi para apenas 5 dos 31 pacientes.

Luisa Karla reforçou na entrevista que após 18 meses a coceira e as lesões na pele dos pacientes dimunuíram ou desapareceram com o uso do imunoterápico.

“Até mesmo crianças pequenas conseguiram usar bem o tratamento, que pode ser aplicado em casa. O clima do Brasil é perfeito para os ácaros e a alergia é muito frequente. Propomos uma mudança no tratamento que pode ajudar muita gente”, completou a cientista.

Fontes: SBD e CNN Brasil

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