Coronavírus

Uso de AAS mostrou benefício na COVID-19, aponta estudo

Uso de AAS mostrou benefício na COVID-19, aponta estudo

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Sanar Medicina

4 minhá 4 dias

A manifestação grave da COVID-19 é uma condição que está associada a estado de hipercoagulabilidade e risco aumentado de trombose. Muitos estudos foram conduzidos, a partir desta descoberta, visando verificar a eficácia do uso de anticoagulantes nestes pacientes. Porém, até o presente momento, não havia nenhum estudo que avaliasse o uso do Ácido Acetilsalicílico (AAS) como forma de diminuir parâmetros de gravidade na COVID-19. Neste post pretendemos discutir o artigo original da Anesthesia & Analgesia, que buscou justamente responder a esta pergunta. 

Tipo de estudo realizado, variáveis estudadas

O estudo que buscou avaliar o uso do AAS na COVID-19 foi do tipo coorte retrospectiva observacional, onde pacientes admitidos em vários centros nos EUA foram incluídos, entre os meses de Março e Julho de 2020.

O desfecho primário analisado foi necessidade de ventilação mecânica. Os desfechos secundários incluíam admissão na unidade de terapia intensiva e mortalidade intra-hospitalar. 

Resultados mostram benefício no uso do AAS

Foram incluídos um total de 412 pacientes e, dentre estes, 314 (76,3%) não receberam AAS, e 98 (23,7%) pacientes receberam AAS dentro de 24 horas da admissão ou 7 dias antes da admissão. 

O uso do AAS mostrou associação com menos ventilação mecânica (35,7% grupo aspirina versus 48,4% grupo não aspirina, P = 0,03) e admissão na UTI (38,8% grupo aspirina versus 51,0% grupo não aspirina, P = 0,04), mas nenhuma associação com mortalidade intra-hospitalar (26,5% grupo aspirina versus 23,2% grupo não aspirina, P = 0,51). 

Após ajuste para 8 variáveis confundidoras, o uso do AAS esteve associado, de forma independente, à menor risco de ventilação mecânica, admissão na UTI e mortalidade intra-hospitalar, todos mostrando significância estatística. 

Não houve diferença estatística em sangramentos importantes ou trombose evidente. 

Discussão

Para explicar o possível benefício do uso da droga na COVID-19, basta pensarmos no estado de hipercoagulabilidade e micro-trombos pulmonar gerados pela infecção pelo SARS-CoV-2, e que pode ser mitigado pelo uso do AAS. 

Estudos prévios já haviam mostrado benefício de anticoagulação sistêmica em pacientes intubados, com redução da mortalidade. 

O uso do AAS pode ter impacto similar, já que esta droga tem propriedades anti-inflamatórias e de anti-agregação plaquetária.

Age na inibição da enzima COX-1, diminuindo a produção de tromboxano A2, agregação plaquetária e, consequentemente, a formação de trombos. 

As limitações do estudo incluem sua natureza observacional e tamanho pequeno da amostra, o que limita a generalização dos resultados e o completa ajuste para fatores confundidores. 

Conclusão

O uso do AAS pode estar associado com redução de parâmetros de gravidade importantes na COVID-19.

O AAS é um medicamento barato, amplamente disponível e com perfil de segurança muito bem descrito, o que tornaria a droga uma excelente e potencial adjuvante no tratamento da COVID-19. 

O estudo mostrou resultados bastante animadores e devemos esperar por ensaios clínicos robustos que possam confirmar a associação encontrada.

Este é o primeiro estudo, do nosso conhecimento, que buscou avaliar o uso do AAS na COVID-19.

Caso os bons resultados se confirmem, teremos mais uma droga barata e de fácil acesso, que poderá ajudar a combater a manifestação grave da COVID-19. 

Referências

Aspirin Use Is Associated With Decreased Mechanical Ventilation, Intensive Care Unit Admission, and In-Hospital Mortality in Hospitalized Patients With Coronavirus Disease 2019 – Anesthesia & Analgesia

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