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Vacina da covid-19: perguntas e respostas

Vacina da covid-19: perguntas e respostas

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Sanar Medicina

10 min há 269 dias

Finalmente, a vacina da COVID-19 foi aprovada no Brasil em caráter emergencial. Sabemos que junto com o início da imunização, surgem muitas perguntas. Neste post buscaremos elucidar as principais dúvidas a respeito dos vários aspectos que envolvem a campanha de vacinação contra o novo coronavírus. 

Duas vacinas da COVID-19 foram aprovadas, em caráter emergencial para uso aqui no Brasil: a CoronaVac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan.

A outra vacina aprovada é a da empresa AstraZeneca, que é um resultado da parceria entre a Universidade de Oxford e a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

Vacinas – Mecanismo, eficácia e segurança

Como cada uma das vacinas aprovadas funcionam?

A vacina da FioCruz, desenvolvida pela Universidade de Oxford, utiliza tecnologia de Vetores Virais. Nesse tipo de vacina, um vírus como sarampo ou adenovírus é geneticamente modificado para produzir proteínas do coronavírus.

No caso da Vacina de Oxford, o adenovírus do Chipanzé é utilizado para carregar DNA da proteína Spike do SARS-CoV-2, proteína chave no processo de infecção do vírus nas células humanas.

Já a CoronaVac utiliza o próprio vírus SARS-CoV-2 inativado. Neste tipo de vacina, o vírus é modificado com partículas químicas ou calor, de tal forma que se torna incapaz de causar infecção.

Este é um tipo de tecnologia já utilizado em outras vacinas. Por exemplo, as vacinas contra o sarampo e a poliomielite usam o próprio vírus na sua composição.

O que sabemos sobre a eficácia de cada uma das vacinas?

A vacina de Oxford possui eficácia de 70,4%. Os estudos aqui no Brasil envolveram cerca de 10 mil profissionais de saúde voluntários, e foram iniciados em junho de 2020. 

Já os estudos da vacina CoronaVac foram realizados durante seis meses aqui no Brasil, envolvendo 16 centros de pesquisa e 12,5 mil profissionais de saúde voluntários.

A eficácia da CoronaVac é de 50,38%. A vacina conseguiu ficar acima dos 50% de eficácia exigidos pela OMS. 

Por quanto tempo as vacinas funcionam? Doses de reforço serão necessárias?

As vacinas estão sendo testadas há pouco tempo, portanto pouco se sabe a respeito da durabilidade da proteção conferida pela vacina.

A vacina CoronaVac utiliza duas doses, sendo a segunda dose aplicada 2 semanas após a primeira aplicação. 

Já a vacina de Oxford também é aplicada em duas doses, sendo a segunda dose realizada 4 semanas após a primeira. 

A vacina impede a transmissão do vírus para outras pessoas?

Uma das lacunas a respeito dos estudos com vacinas é a informação da eficácia da vacina em prevenir infecções assintomáticas.

A preocupação com esta questão não é trivial, já que até 40% dos infectados pelo SARS-CoV-2 podem não apresentar qualquer sintoma, e ainda assim transmitir o vírus. 

Dessa forma, devemos continuar a enfatizar a necessidade de prevenir a transmissão do vírus mesmo após os pacientes receberem a vacinação.

As medidas como distanciamento social, uso de máscara, lavagem das mãos e evitar aglomerações devem ser encorajadas. 

Temos algumas boas razões para pensar que as vacinas serão efetivas em prevenir transmissão.

A primeira delas é que estudos populacionais já têm mostrado que indivíduos assintomáticos têm menor probabilidade de transmitir o vírus. 

Além disso, em termos biológicos, seria muito improvável que uma vacina capaz de prevenir a doença, também não fosse capaz de prevenir a infecção.

Na verdade, na história das vacinas, pouquíssimas vacinas permitem colonização assintomática. A maioria delas previne tanto doença como infecção. 

O que sabemos sobre a segurança a curto prazo das vacinas?

De uma forma geral, podemos afirmar que ambas as vacinas são seguras. Na medicina, devemos sempre lembrar que nada, nenhum medicamento, procedimento, cirurgia ou intervenção é 100% seguro. 

Antes de falarmos sobre os efeitos adversos, é bom lembrarmos que as vacinas estão no foco do mundo neste momento.

Isto significa que cada efeito adverso provocado será noticiado em todos os jornais, causando um efeito de amplificação do risco da vacina, que é  desproporcional ao risco real. 

Nos primeiros resultados apontados, a CoronaVac apresentou eventos adversos entre 13% e 38% dos voluntários. A variação se deve a dose utilizada, bem como a fase em que o estudo se encontrava. 

Os resultados do Brasil apontaram que 35% dos participantes reportaram efeitos adversos. Os mais comuns foram: dor e edema no local da aplicação, cefaleia e fadiga. Não houve nenhum relato de efeito adverso grave. 

Já para a vacina de Oxford, dentre os aproximadamente 23.000 voluntários, apenas 3 deles apresentaram efeito adverso grave.

Destes 3, um deles pertencia ao grupo controle, um havia tomado a vacina, e o terceiro não foi divulgado a qual grupo pertencia. Todos se recuperaram.

Entre os principais eventos adversos leves, 70% reportaram fadiga e 68% reportaram cefaleia.

Estes efeitos foram reduzidos quando os participantes fizeram uso de paracetamol. Outros efeitos incluíam: febre, mialgia e dor no local de aplicação. 

O que sabemos sobre a segurança a longo prazo das vacinas?

Como já citamos, as vacinas foram desenvolvidas e testadas em escala de meses. Dessa forma, não é possível ainda assegurar a segurança a longo prazo.

Porém, devemos lembrar que, igualmente como em outras imunizações, efeitos adversos graves costumam aparecer após dias ou, no máximo, semanas após aplicação. 

Na verdade, efeitos adversos a longo prazo são bastante raros de acontecer com vacinações. 

Disponibilidade das Vacinas

Quantas doses das vacinas estarão disponíveis?

O Instituto Butantan tem cerca de 11 milhões de doses de CoronaVac já prontas, porém foram aprovadas pela Anvisa somente as 6 milhões de doses que estavam no país na data da solicitação do registro.

Para que o restante seja distribuído, novos pedidos de registro serão necessários. A expectativa é que, apesar disso, o processo seja rápido, dada a emergência sanitária que vivemos.   

A Fiocruz teve a aprovação de uso emergencial de dois milhões de doses da vacina Oxford/AstraZeneca, que seriam importadas da Índia.

O país asiático, porém, adiou a entrega alegando problemas logísticos e o governo federal ainda não conseguiu negociar uma data para receber o carregamento.  

Como consigo vacinação para meu paciente?

Segundo o plano divulgado pelo Ministério da Saúde, a fase 1 será para imunização de grupos prioritários formados por profissionais da saúde, idosos a partir de 75 anos, pessoas de 60 anos ou mais que vivem em asilos ou instituições psiquiátricas e populações indígenas.

Porém, as doses disponíveis até o momento não contemplam todo o contingente da fase 1. O governo federal ainda não disse quais serão os critérios de prioridade de vacinação.

Já o governo estadual de São Paulo começou a imunização pelos profissionais da saúde de seis hospitais do estado (HC da USP, HC de Ribeirão Preto, HC de Campinas, HC de Botucatu, HC de Marília e Hospital de Base de São José do Rio Preto).

A previsão é de que 60 mil pessoas sejam imunizadas nesses locais nos próximos dias. Depois, sem precisar exatamente quando, o estado vai distribuir as vacinas para prefeituras, que deverão imunizar profissionais da saúde, idosos e indígenas.

Vacinas em pacientes com COVID-19

Paciente exposto à COVID-19 deve receber a vacina?

Atualmente, não há nenhuma recomendação para utilização da vacina para prevenir doença aguda após exposição a um caso ativo de COVID-19.

O período de incubação da doença é de aproximadamente 5 dias, o que torna improvável que a administração da vacina seja capaz de promover resposta imune e prevenir surgimento de doença em tão curto tempo. 

A recomendação para aqueles expostos à COVID-19 é de que mantenham os 10 – 14 dias de quarentena antes de realizarem a imunização. 

Paciente recuperado da COVID-19 pode tomar a vacina?

Sim, o paciente recuperado da COVID-19 pode tomar a vacina. As pesquisas com as vacinas incluíram pessoas já expostas ao vírus (baseado nos testes de anticorpos). A vacinação neste grupo foi efetiva e segura.

Já que a reinfecção durante os primeiros 90 dias é rara, é possível que os recém infectados desejem adiar a vacinação. Mas caso queiram se vacinar antes, não há contra indicação. 

A ressalva é para os pacientes que receberam tratamento com anticorpos monoclonais ou plasma convalescente.

Para estes, faz-se necessário aguardar o período de 90 dias, pois o tratamento com estes agentes é capaz de inativar as vacinas, tornando-as menos efetivas. 

A vacinação afeta a testagem e diagnóstico de pacientes com COVID-19?

Bom, isto dependerá do teste utilizado. Para testes de RT-PCR e detecção de antígeno, as vacinas não influenciarão os resultados. Porém, o mecanismo da vacina gera anticorpos contra a proteína Spike do SARS-CoV-2.

Portanto, se o teste sorológico avaliar a presença deste tipo específico de anticorpo, os resultados podem ser falseados pela vacinação. 

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Referências

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