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Vacina russa para Covid-19: pesquisadores questionam resultados

Vacina russa para Covid-19: pesquisadores questionam resultados

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Sanar Medicina

3 min há 398 dias

Vários pesquisadores assinaram carta aberta alegando que os dados do estudo da vacina russa para covid-19, a Sputnik V, são questionáveis, além de serem insuficientes para permitir escrutínio por outros pesquisadores.

A divulgação do estudo sobre a vacina russa

O estudo consistiu em teste clínico de fase 1/2, que testou 2 vacinas de vetores virais, ligeiramente diferentes, em 76 voluntários. Os resultados apontavam que a vacina Sputnik V foi capaz de produzir resposta imune satisfatória, com efeitos colaterais leves e de curta duração.

Logo após, no mês de Agosto, o Governo da Rússia aprovou a vacina para uso generalizado, afirmando que dentro de meses seria possível disponibiliza-la para o público geral.

A rápida aprovação causou preocupação nos pesquisadores, já que são necessários testes de segurança e eficácia muito mais amplos para distribuição em massa.

A carta aberta contra os resultados da Sputnik V divulgados

Uma carta aberta, escrita por Enrico Bucci, foi publicada no seu blog científico. Ele afirma que assim que o estudo foi publicado, notou irregularidades nos resultados. Dados possivelmente duplicados chamaram sua atenção.

Por exemplo, em uma das discrepâncias encontradas, o autor do estudo descreve medidas de anticorpos IgG e neutralizantes, onde vários voluntários apresentaram os mesmos níveis medidos, denunciando possível duplicação de dados. Bucci afirmou que as chances disto acontecer são extremamente pequenas.

A carta conta com a assinatura de 38 cientistas de diversos países, que concordam com as observações feitas por Bucci. Eles afirmam que estas discrepâncias não podem ser consideradas de pequena importância.

Os pesquisadores ainda relatam que não estão insinuando má conduta científica, mas solicitam que os dados sejam divulgados para que possam passar pelo escrutínio de outros pesquisadores.

Aliás, aspecto muito enfatizado na carta, é o fato não muito comum dos dados nos quais se baseiam os resultados apresentados não terem sido divulgados.

Em comparação, quando os dados da Vacina de Oxford, em conjunto com a AstraZeneca, foram divulgados, estes foram acompanhados de ampla quantidade de dados suplementares, que permitia a análise e escrutínio de outros pesquisadores.

A reação à carta

O autor principal do estudo sobre a vacina russa, Sputnik V, informou à agência de notícias da Rússia que não pretende responder à carta. Ele também negou que houvesse erros nos dados divulgados, afirmando que os níveis dos marcadores são exatamente aqueles divulgados pelo estudo, apresentado nas figuras.

A revista Lancet, onde o estudo foi publicado, informou que convidou os autores para responder aos questionamentos levantados pela carta, e que estaria acompanhando de perto o andamento da situação.

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