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Vacinas covid-19 | Colunistas

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Amanda Miranda

8 min há 56 dias

As primeiras vacinas foram criadas no início do século 20. As vacinas, ao longo do tempo, têm se mostrado a melhor intervenção em saúde pública para o controle, eliminação e erradicação de doenças infecciosas. Foi por extensos programas de vacinação que varremos do mundo a varíola, eliminamos das Américas a poliomielite, a rubéola, a síndrome da rubéola congênita e o tétano materno e neonatal. Controlamos a difteria, a coqueluche, o sarampo, a febre amarela e inúmeras outras doenças imunopreveníveis.

Temos 6 tipos principais:

  • Vírus vivo atenuado – consiste no vírus inteiro enfraquecido, de forma a não causar doença, mas estimular o sistema imunológico. O vírus é capaz de se replicar, mimetizando a infecção natural. Por isso são contraindicadas em gestantes e imunossuprimidos. Ex: SCR, varicela, febre amarela
  • Vírus inativado – consiste no vírus inteiro tratado de forma a impedir sua replicação, de forma que não é capaz de causar doença. Ex: influenza
  • Vacinas de DNA/RNA – usam fragmentos de material genético produzidos em laboratório, os quais codificam uma parte do vírus. Assim, uma vez injetada, o organismo usa as informações contidas nesse DNA/RNA para fazer cópias dessa parte do antígeno, de forma a desencadear uma resposta imunológica.
  • Vacinas de vetor viral – usam um vírus seguro para carrear proteínas específicas que podem desencadear uma resposta imune sem causar doenças.
  • Vacinas de subunidades virais – contém componentes do organismo que agem como antígenos, estimulando o sistema imunológico. Ex: pneumococo
  • Toxoide – contém uma toxina feita pelo organismo causador da doença. Ex: tétano

COMO SÃO DESENVOLVIDAS AS VACINAS?

A primeira etapa começa em laboratório, com pesquisas exploratórias para encontrar candidatas à vacina. É o momento em que se busca quais substâncias, moléculas ou partes do ser vivo causador da doença poderão servir para o desenvolvimento da vacina.

Definido isso, inicia-se a chamada fase pré-clínica. Nessa etapa, o produto é testado em modelos celulares (como células de rins de macaco) ou em animais, como camundongos, coelhos e macacos. São os chamados testes in vitro e in vivo, respectivamente.

Se aprovada nessas etapas iniciais, começam os testes em seres humanos, os chamados ensaios clínicos – realizados em três fases.

A primeira fase busca testar apenas a segurança do produto. Essa primeira fase envolve cerca de 20 a 100 pessoas, geralmente adultos saudáveis. Em seguida vem a segunda fase, que é o momento de verificar a imunogenicidade, ou seja, a capacidade a vacina tem de estimular o sistema imunológico a produzir anticorpos; esta já envolve centenas de participantes. Na terceira etapa, administra-se a vacina a milhares de pessoas, visando confirmar sua segurança e avaliar sua eficácia. É nessa fase que se conhece mais sobre sua imunogenicidade e reações adversas em grupos variados de indivíduos. Por fim, a quarta e última etapa, conhecida como farmacovigilância, é realizada após o registro da vacina e aprovação para comercialização. Nessa última fase geram-se dados adicionais de segurança e eficácia em médio e longo prazo.

Esse desenvolvimento é complexo e normalmente leva muitos anos para ser concluído. Entretanto, as vacinas do COVID-19 foram desenvolvidas relativamente rápido, o que causou dúvidas em algumas pessoas.
Na verdade, as vacinas contra o COVID foram desenvolvidas mais rapidamente porque já haviam estudos e investigações prévias sobre outros coronavírus (SARS-CoV e MERS). Isso se deve ao fato de que o SARS-CoV-2 usa o mesmo receptor que o SARS-CoV para se ligar à célula humana, ou seja, a enzima de conversão de angiotensina 2 (ACE2), além de guardar uma semelhança genética de cerca de 80% ao SARS-CoV. Aliado a isso, houve investimentos sem precedentes, apoio de organismos internacionais e parcerias entre indústrias farmacêuticas, universidades e agências sanitárias. Tudo isso possibilitou, em menos de um ano após a identificação do agente causador da COVID-19, o licenciamento de vacinas eficazes e seguras contra a doença.

QUADRO RESUMO

 TipoMecanismoAdminsitraçãoEficácia geral
Coronavac/SinovacVírus inativadoSARS-CoV-2 inativado, sem capacidade de se multiplicar2 doses IM, com intervalo de 14 a 21 dias50,7-62,3%
Astrazeneca/OxfordVetor viralAdenovírus de chimpanzé sem capacidade de se multiplicar modificado para transportar o gene que codifica a proteína S do SARS-CoV-22 doses IM, com intervalo de 12 semanas70-80%
PfizerRNAmA sequência de RNAm injetada contém a receita para que as células produzam uma proteína específica do vírus, o qual leva à produção de anticorpos2 doses IM, com intervalo de 21 dias90-95%
JanssenVetor viralAdenovírus humano sem capacidade de se multiplicar contendo um pequeno segmento (proteína spike) do SARS-CoV-21 dose IM66-80%
ModernaRNAmA sequência de RNAm injetada contém a receita para que as células produzam uma proteína específica do vírus, o qual leva à produção de anticorpos2 doses IM, com intervalo de 28 dias94,1%
SputnikVetor viralAdenovírus sem capacidade de se multiplicar contendo um pequeno segmento do SARS-CoV-22 doses IM, com intervalo de 21 dias91,6%
SinopharmVírus inativadoO vírus morto é incapaz de gerar infecção, mas é capaz de gerar resposta imune  

No Brasil, temos disponíveis a Coronavac, Astrazeneca, Pfizer e mais recentemente, a Janssen.

EFEITOS COLATERAIS

Cefaleia, dor local, fadiga, febre, náusea e mialgia são alguns dos mais frequentes possíveis efeitos colaterais após a vacinação. Em geral são leves a moderados e duram de 24 a 48h, podendo ser controlados com medicação sintomática, repouso, boa alimentação e hidratação. Embora a maioria seja controlável com sintomáticos e apresente melhora espontânea, caso haja persistência dos sintomas ou piora ao longo do tempo, é importante consultar um especialista.

Cada organismo reage de forma diferente à vacinação. Por isso, apresentar efeitos colaterais não é preocupante; assim como não apresentá-los, não significa que o imunizante não fez efeito.

FAZER OU NÃO SOROLOGIA APÓS VACINAÇÃO?

Nosso sistema imunológico é bastante complexo, envolvendo imunidade específica (organizada contra um agente específico após sua apresentação ao sistema imune), a qual pode ser humoral (anticorpos) ou celular; e imunidade inata (inespecífico). Os anticorpos podem ser não neutralizantes ou neutralizantes – esses últimos correspondem aos anticorpos relacionados efetivamente ao bloqueio da entrada do vírus na célula alvo.

Seja induzida pela infecção natural ou após um esquema vacinal, na maioria dos casos, ocorre produção de anticorpos específicos, neutralizantes ou não, pelo sistema imunológico.

Mas tanto a infecção natural quanto a vacinação estimulam o sistema imunológico de forma ampla, gerando anticorpos neutralizantes e não neutralizantes, bem como a estimulação de células TCD4+ e TCD8+ (imunidade celular), que exercem importante papel na proteção contra a COVID-19.

Além disso, aliada a essa resposta imune específica, contamos também com a imunidade inata, mais um mecanismo de proteção contra infecções.

Essa complexidade que envolve a proteção contra a doença torna desaconselhável a dosagem de anticorpos com o intuito de se estabelecer um correlato de proteção clínica, pois não se avalia a proteção desenvolvida após vacinação apenas por testes laboratoriais “in vitro” através da dosagem de anticorpos (mesmo que neutralizantes), pois como já dito, a imunidade ao COVID não consiste apenas em anticorpos.

CONCLUSÃO

Importante lembrar que nenhuma vacina possui 100% de eficácia e que nesse momento em que estamos, a principal função da vacina é reduzir o número de casos graves, de forma a não sobrecarregar o sistema de saúde. Entretanto, sim, indivíduos vacinados ainda podem se infectar com o coronavírus e, mesmo que apresentem quadros leves ou até assintomáticos, podem transmiti-lo a outras pessoas, perpetuando a cadeia de transmissão.

Para real redução da transmissão e potencial erradicação do COVID-19, é necessário alcançar a imunidade de rebanho – quando mais de 70% da população estiver vacinada.

Por isso, é imprescindível que toda a população se vacine e que, por enquanto, mesmo após a vacinação, sejam mantidos os cuidados de sempre: distanciamento social, higienização das mãos e uso de máscara.

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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REFERÊNCIAS

https://coronavirus.saude.mg.gov.br/blog/229-vacinacao-coronavac-astrazeneca-oxford

https://www.idsociety.org/covid-19-real-time-learning-network/vaccines/

https://www.pfizer.com.br/noticias/ultimas-noticias%20/vacina-de-rna-mensageiro

https://portal.fiocruz.br/noticia/processo-de-desenvolvimento-de-vacinas-e-destaque-na-revista-radis

https://canaltech.com.br/amp/saude/quantas-vacinas-contra-covid-19-estao-aprovadas-no-mundo-veja-lista-completa-186058/

https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/22908d-GPA-Vacinas_COVID19_-_Atualizacao.pdf

https://sbim.org.br/images/files/notas-tecnicas/nota-tecnica-sbim-sorologia-pos-vacinacao-210326.pdf

https://sbpt.org.br/portal/wp-content/uploads/2021/04/Realização-de-sorologia-para-avaliar-resposta-imunológica-às-vacinas-contra-a-COVID_Final_260421.pdf

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