Colunistas

Vacinas mRNA contra o coronavírus inauguram arsenal contra zoonoses | Colunistas

Vacinas mRNA contra o coronavírus inauguram arsenal contra zoonoses | Colunistas

Compartilhar

Henrique Grossi

5 min há 84 dias

A tecnologia genética que possibilitou as primeiras vacinas mRNA usadas no SARS-COV-2 poderá ser utilizada na produção de imunizantes contra patógenos zoonóticos no futuro.

A imunização avançou muito desde que o médico britânico-francês Edward Jenner criou a primeira vacina do mundo contra a varíola em 1796. Ainda assim, as vacinas usam uma parte do próprio patógeno com o objetivo de produzir resposta imunológica e consequentemente gerar imunidade – isso mudou com a covid-19 que colocou uma nova tecnologia na produção de vacinas no centro das discussões científicas.

Após poucos meses depois dos primeiros casos do coronavírus na China, as empresas Pfizer/BioNTech e a Moderna já iniciaram seus testes de vacinação em voluntários em fases iniciais de pesquisa. Posteriormente, eles se tornaram os primeiros imunizantes baseados em RNA mensageiro (mRNA) aprovados na história, embora essa tecnologia já venha sendo estudada desde 1970. Agora, especialistas prospectam que a inovação levará à criação de novas vacinas contra diversos vírus, como o da influenza sazonal, febre amarela, HIV e outros.

Como funcionam as vacinas mRNA?

Logo que é administrada a vacina, a fita de mRNA da espícula do vírus, quando absorvida pelas células, passará por um processo seriado de produção de proteínas que serão chamadas de Spike. Essa proteína viral passa por um processo que é semelhante ao ciclo lisogênico e em seguida é liberada na corrente sanguínea. Células apresentadoras de antígenos (APC’s) como Mácrofagos, células dentríticas e linfócitos B passam a reconhecer essas proteínas e as apresentam como agentes patogênicos para os linfócitos T e, por fim, se iniciará a produção de anticorpos pelos linfócitos B que deixará o organismo em alerta contra futuras infecções de SARS-COV-2.

Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/geral-55091872

Qual a relação do futuro das vacinas mRNA com zoonoses?

Após o desenvolvimento da tecnologia dos imunizantes mRNA e do sequenciamento genético dos patógenos, foi possível a obtenção de uma vacina em semanas. Os sucessos clínicos dessa tecnologia estão redobrando os esforços para criar vacinas baseadas em mRNA, voltadas a uma série de outras zoonoses emergentes ou reemergentes.

Existe uma relação íntima entre as zoonoses e o aparecimento das pandemias já ocorridas. Tudo se deve desde a revolução industrial do séc XVIII, em que o homem alterou seu estilo de vida, e muitos países, que até então não eram emergentes, passaram a mudar seu padrão de alimentação e a forma como interagiam com o meio ambiente, que passou a ser importante instrumento da economia. Com isso, aumentou-se os índices de desmatamento (mesmo que de forma ilegal) e cresceram os estímulos pela caça extensiva-industrial.

Essa relação íntima do homem com a natureza se acentuou com o passar das décadas, e fez com que diversas doenças, até então quiescentes, entrassem em contato com o ciclo do homem urbano; na história natural de muitas moléstias, é rica a forma como elas se evoluíram, e temos como grande exemplo o COVID-19, além do HIV, H5N1, H1N1, e assim por diante.

Zoonoses importadas da natureza não cessarão tão brevemente.  A ciência trabalha com a possibilidade de que as novas doenças oriundas da invasão do homem ao meio natural não-pertencente será palco das novas pandemias. Visto isso, com o desenvolvimento das vacinas de mRNA e com a técnica de produção e disseminação dessa tecnologia, ela se tornará uma grande aliada no combate de novos males.

Tudo se deve ao fato de que estas vacinas agem em receptores alvos, selecionando de forma precisa a proteína viral que desencadeia uma resposta efetiva. Tal como foi um desafio para o coronavírus, sobre descobrir um método de fazer essas vacinas serem absorvidas corretamente pelo organismo, provavelmente haverá essas dúvidas ao se tratar de quadros futuros. No entanto, foi dado um grande salto científico e graças ao mecanismo de englobar o material genético em uma nanopartícula lipo-glicólica, podemos conferir imunidade à população.

Conclusão

Sendo assim, não nos restam dúvidas que este emprego de vacinas irá compor o novo arsenal para combate às doenças zoonóticas. Essa ciência garante uma rapidez de produção com alta eficácia, requer pouco investimento em comparação ao método tradicional e depende do sequenciamento genético do patógeno, algo que já está presente até em países emergentes como o Brasil, e que avançará muito nos próximos anos. Haverá compartilhamento de tecnologias e isso será sempre benéfico para a população mundial, porque cientistas protagonizarão os avanços dos estudos com novas perspectivas e contribuirão ainda mais para o aprimoramento da técnica.

Autor: Henrique Matheus Grossi Filho

Instagram: @henriquegrossi_

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

Gostou do artigo? Quer ter o seu artigo no Sanarmed também? Clique no botão abaixo e participe

Referências

SANDBRINK, Jonas B.; SHATTOCK, Robin J. RNA vaccines: A suitable platform for tackling emerging pandemics?. Frontiers in immunology, v. 11, 2020. – https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fimmu.2020.608460/full#f1

SAUNDERS, Kevin O. et al. SARS-CoV-2 vaccination induces neutralizing antibodies against pandemic and pre-emergent SARS-related coronaviruses in monkeys. bioRxiv, 2021. https://www.biorxiv.org/content/10.1101/2021.02.17.431492v1

A vez das Vacinas Gênicas – https://revistapesquisa.fapesp.br/a-vez-das-vacinas-genicas/

Compartilhe com seus amigos:
Política de Privacidade © Copyright, Todos os direitos reservados.