Pediatria

Varicela congênita e neonatal

Varicela congênita e neonatal

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SanarFlix

4 minhá 633 dias

INTRODUÇÃO:

O vírus varicela-zoster (VVZ) é o vírus responsável pela varicela e herpes zoster (“cobreiro”). O VVZ é um membro da família dos herpesvírus, juntamente com o vírus herpes simplex (HSV) tipos 1 e 2, citomegalovírus, vírus Epstein-Barr e herpesvírus humano (HHV) 6, 7 e 8.

A varicela geralmente é uma doença leve e autolimitada em crianças saudáveis. Raramente, afeta a mulher grávida ou no pós-parto, causando problemas para o feto ou o recém-nascido. A aquisição nosocomial de VVZ também pode ocorrer em recém-nascidos.

ETIOLOGIA:

A varicela e o herpes zoster são duas diferentes síndromes clínicas que possuem o mesmo agente etiológico, o VVZ. A varicela é a infecção primária, enquanto o herpes zoster é a reativação do vírus que havia permanecido latente em um gânglio sensorial.

O VVZ é um vírus do herpes humano neurotrópico semelhante ao vírus do herpes simples. Esses vírus encapsulados contêm genomas de DNA de cadeia dupla que codificam mais de 70 proteínas, incluindo proteínas que são alvo de imunidade celular e humoral.

HORA DA REVISÃO: A família Herpesviridae, subfamília Alfa-herpesvírus, é composta por vírus citolíticos e neurotrópicos, de crescimento rápido e que tendem a permanecer em latência nos gânglios sensitivos durante toda a vida. Assim como os vírus Herpes simplex (VHS) tipos 1 e 2, o vírus Varicella zoster (VVZ) causa reagudização quando ocorre a queda da imunidade do indivíduo por inúmeros fatores, como neoplasias, infecção pelo HIV, uso de corticoterapia e demais imunossupressores, entre outros.

A varicela ou catapora é uma doença altamente contagiosa, geralmente benigna, que se caracteriza por um exantema papulovesicular de distribuição centrípeta (cabeça e tronco) e com polimorfismo das lesões (mácula, pápula, vesícula e crosta). Em recém-nascidos e crianças com comprometimento imunológico, o quadro pode ser mais grave e potencialmente fatal, em virtude do comprometimento visceral da doença. Em adolescentes e adultos, assim como nos imunodeprimidos, a varicela pode evoluir com complicações, principalmente respiratórias.

Imagem: Erupção cutânea por varicela. Fonte: https://bit.ly/2AfDGOA

O herpes zoster ocorre sobretudo em adultos e caracteriza-se por uma erupção papulovesiculosa dolorosa, localizada, geralmente unilateral e restrita ao dermátomo correspondente ao nervo acometido pela reativação do VVZ de um gânglio sensitivo dorsal. Em crianças sadias, o herpes zoster ocorre nas que tiveram a primoinfecção pelo VVZ intraútero ou no 1º ano de vida, provavelmente por causa da resposta imune imatura. A incidência de herpes zoster em crianças que tiveram varicela antes dos 2 anos de idade é 5 vezes maior do que as que tiveram varicela posteriormente. A ocorrência de varicela zoster após a vacinação contra o VVZ já foi relatada.

Imagem: Erupção cutânea no tórax por herpes zoster. Fonte: https://msdmnls.co/2A9XuTM

TRANSMISSÃO:

Em países desenvolvidos, a varicela é rara durante a gravidez, já que mais de 90% das mulheres em idade fértil têm anticorpos da classe IgG contra o vírus. Apesar da baixa incidência, os casos de varicela na gestação são de grande importância, pela maior gravidade da doença em adultos e pelo impacto sobre o feto e o recém-nascido.

A transmissão da mãe para o bebê pode ocorrer no útero, perinatal ou pós-natal. A infecção intrauterina ou perinatal do feto é facilitada pela transmissão transplacentária, enquanto a varicela pós-natal é transmitida através de gotículas respiratórias ou contato direto com alguém com varicela.

SE LIGA! A passagem do vírus varicela-zoster para o feto durante o zoster é rara. As baixas taxas de transmissão observadas podem estar relacionadas ao anticorpo materno preexistente ao VVZ e aos níveis geralmente mais baixos de viremia que acompanham a reativação da infecção pelo VVZ (herpes zoster) em comparação com a infecção primária (varicela).

A infecção intrauterina pode ocorrer em qualquer fase da gestação. A transmissão do vírus para o feto ocorre por propagação transplacentária ou por infecção ascendente a partir de lesões no canal de parto. As consequências fetais dependem do tempo da doença materna e vão desde infecção assintomática até a perda fetal, especialmente em caso de doença materna grave.

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