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Vitamina d e exposição solar no período neonatal | Colunistas

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Catarina Pfitzer

8 min há 14 dias

A errônea relação entre a necessidade da exposição solar em busca de vitamina D no período neonatal

Índice:

  1. Vitamina D
  2. Exposição Solar
  3. Relação Vitamina D e exposição Solar
  4. Conclusão

1.      Vitamina D

O aumento do conhecimento das funções da vitamina D, em especial aquelas não relacionadas ao sistema músculo esquelético, tem despertado a atenção de pesquisadores sobre o assunto em todo o mundo. A 1,25-(OH)2D3 (forma ativa da vitamina D) é um hormônio que regula o metabolismo do cálcio e do fósforo. Assim sendo, sua principal função é manter os níveis desses em um estado homeostático, capaz de propiciar condições à maioria das funções metabólicas, entre elas a mineralização óssea. Por estar envolvida no crescimento esquelético, a vitamina D torna-se particularmente essencial durante a infância e a adolescência, sendo uma das vitaminas lipossolúveis e podendo ser obtida através da exposição solar, pela alimentação ou pelo uso de suplementos dietéticos (ALMEIDA, 2017).

Entretanto, apesar de haver uma ampla noção por parte da sociedade a respeito da vitamina D e as vantagens da prevenção da hipovitaminose, pouco se conhece em relação às consequências da exposição solar, no período neonatal, na busca por uma maior absorção da vitamina em questão. Dessa forma, embora se saiba que a exposição solar é a principal forma de obtenção da vitamina D, faz-se necessário considerar que a mesma deve ser equilibrada com os riscos de câncer de pele, especialmente o melanoma. Não existe um nível seguro de exposição que possa ser recomendado, posto isso, sugere-se evitá-la de forma direta em lactentes menores de 6 meses, sendo a exposição solar limitada nas demais crianças (SBP, 2016).

2.      Exposição solar

A terapia solar, ou também conhecida como helioterapia, teve seu uso  descoberto há séculos. Ainda nos tempos de romanos e gregos, acreditava-se que a luz solar possuísse efeito bactericida, além de auxiliar no tratamento da icterícia e no combate ao raquitismo. Dessa maneira, era comum colocar os bebês para tomarem sol por de trás de uma janela de vidro durante dez minutos. Contudo, hoje sabe-se que essa prática não é eficaz, além disso, por volta da década de setenta, quando o câncer de pele se tornou uma epidemia, começou-se a perceber os efeitos nocivos da exposição à luz solar.

O conhecimento sobre as consequências advindas da exposição solar, principalmente na fase da infância, trouxe para a comunidade médica uma ideia clara de que esses riscos ultrapassam os efeitos benéficos dessa exposição. A prevenção primária do câncer da pele, assim como outros impactos nocivos do sol, deve possuir como principal população-alvo a infantil, por ser a fase de maior exposição solar como já supracitado, e dessa forma, envolvendo necessariamente os pais, uma vez que esses são os responsáveis por hábitos adequados de fotoproteção, principalmente na primeira infância.

Hoje, portanto, já se sabe que a prevenção primária do câncer de pele deve ser feita principalmente no período da infância, pois é essa a fase em que mais estamos expostos à radiação solar, sendo cerca de três vezes maior que em adultos. Ademais, essa exposição é cumulativa e os primeiros 20 anos da vida são determinantes para riscos futuros de câncer de pele, uma vez que já foi sugerido que a idade em que a exposição direta à luz solar é iniciada é mais importante na determinação do câncer de pele do que o total de exposição solar ao longo da vida (ALADAG, 2006; SILVA, 2011).

3.      Relação vitamina D e exposição solar

Com base nisso, a recomendação atual da Academia Americana de Dermatologia, é de que a obtenção de vitamina D (uma das principais causas para a exposição intencional de lactentes ao sol) seja feita por meio da dieta e de suplementos. E frisa que a exposição solar para esse fim não é recomendada, principalmente em lactentes menores de 6 meses, população em que a exposição solar direta deve ser evitada. Além disso, orienta-se o uso de protetor solar em crianças maiores (ALADAG, 2006; CASTILHO, 2010). Desse modo, a população médica como um todo, e sobretudo pediatras e dermatologistas, possuem papel indispensável na correta orientação quanto à exposição e formas de proteção solar desde o início da vida (JINDAL, 2020). 

Um ponto de grande relevância, é a fonte de informações por onde pais e mães obtém essas informações de levar seus filhos ao sol com o intuito de melhor níveis de vitamina D. Observou-se, então, que em um estudo sobre a avaliação do conhecimento e hábitos de fotoproteção entre crianças e cuidadores, 74,6% da amostra obtinha informações sobre as consequências da exposição solar por meio da mídia digital. Nessa mesma perspectiva, outro estudo realizado na Turquia, mostrou que 45,7% das mães entrevistadas afirmavam receber orientações por profissionais da saúde, estimulando a exposição solar intencional (BONFÁ, 2014; CINAR, 2006).

Os fatos supracitados trazidos nesses estudos se tornam um fator preocupante em termos de prevenção, uma vez que os informes midiáticos muitas vezes não possuem procedência verificada, e incentivos errôneos pela equipe de saúde acarretam em grandes prejuízos a essas crianças, não sendo suficientemente eficazes em seu papel profilático. 

4.      Conclusão

Por conseguinte, a excepcional importância da vitamina D e os complexos resultados de uma exposição solar inadequada podem gerar consequências graves no decorrer da vida dos indivíduos.Há também, um conhecimento inadequado em relação a aquisição de vitamina D e exposição solar no período neonatal, de forma que o mais alarmante é o desconhecimento sobre os riscos e consequências desta exposição precoce a curto e longo prazo, demonstrando um montante de informações imprecisas e errôneas as quais não são corrigidas adequadamente ou ainda são indevidamente reforçadas. Essa incipiência normalmente advém de hábitos e costumes regionais/locais, perpetuados dentro das gerações. Em vista do exposto, torna-se de suma importância a necessidade de mais pesquisas a respeito do assunto, fazendo com que essas informações cheguem a todas as esferas sociais, atingindo o maior número de famílias e profissionais.  

Autora: Catarina Pfitzer

Instagram: @catarinapfitzer

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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Referências:

Aladag, N., Filiz, TM, Topsever, P. et al. Conhecimento e comportamento dos pais em relação ao banho de sol de seus bebês; estudo transversal e descritivo. BMC Pediatr6, 27 (2006). https://doi.org/10.1186/1471-2431-6-27

ALMEIDA, A.C.F.; NOGUEIRA-DE-ALMEIDA, C.A.; FERRAZ, Is. Vitamina D em pediatria. International Journal Of Nutrology, [s.l.], v. 10, n. 04, p.123-135, set. 2017. Georg Thieme Verlag KG. http://dx.doi.org/10.1055/s-0040-1705644.

BONFÁ, R et al. Avaliação do conhecimento e hábitos de fotoproteção entre crianças e seus cuidadores na cidade de Porto Alegre, Brasil. Surgical & Cosmetic Dermatology, Porto Alegre, v. 6, n. 2, p. 148-153, 01 jun. 2014. Disponível em: https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=265531454006. Acesso em: 30 abr. 2020.

CINAR, N.D et al. Gorpelioglu S. Intentional sun exposure in infancy in Sakarya, Turkey. Saudi Med J. 2006 Aug;27(8):1222-5. PubMed PMID: 16883456.

JINDAL, A.K et al. Sun Exposure in Children: Balancing the Benefits and Harms. Indian Dermatol Online J. 2020 Jan-Feb;11(1):94-98. doi: 10.4103/idoj.IDOJ_206_19. eCollection 2020 Jan-Feb. PubMed PMID: 32055519; PubMed Central PMCID: PMC7001416.

DA SILVA, L.R.; FRANÇA-BOTELHO, A.D.C. Sun protection for children: preliminary study on the knowledge and attitudes of parents. : preliminary study on the knowledge and attitudes of parents. Ciência & Saúde, [s.l.], v. 4, n. 1, p. 2-6, 6 set. 2011. EDIPUCRS. http://dx.doi.org/10.15448/1983-652x.2011.1.8587. Disponível em: http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/faenfi/article/view/8587. Acesso em: 29 abr. 2020.

SBP.Sociedade Brasileira de Pediatria. Hipovitaminose D em pediatria: recomendações para o diagnóstico, tratamento e prevenção.Departamento Científico de Endocrinologia e Metabologia. Guia Prático de Atualização. v. 1, p. 3, 2016.

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