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Vitamina D em tempos de pandemia de COVID-19 | Colunista

Vitamina D em tempos de pandemia de COVID-19 | Colunista

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Imagem de perfil de Viviane de Caprio

Vitaminas são micronutrientes que desempenham um papel essencial em várias funções biológicas; trata-se de substâncias que não são sintetizados pelo organismo em quantidades suficientes para satisfazerem as demandas biológicas. O bioquímico Casimir Funk usou o termo vitamina pela primeira vez 1912, a partir do latim vita (vida) e do composto orgânico amina.

Em tempos de pandemia de COVID-19, muito se tem ouvido falar sobre a vitamina D. Vamos entender o porquê e conhecer um pouco mais sobre essa substância.

Especificações sobre a vitamina D

O termo “vitamina D” refere-se a um grupo de moléculas esteroides derivadas do 7-deidrocolesterol e que se interligam através de uma série de reações químicas que ocorrem em diferentes células; ou seja, engloba o metabólito ativo calcitriol (1α,25-di-hidroxi-vitamina D) e seus precursores, como colecalciferol (vitamina D3), ergosterol (vitamina D2) e calcidiol (25-hidroxi-vitamina D).

A vitamina D desempenha um importante papel na regulação da fisiologia osteomineral, especialmente do metabolismo do cálcio. Além disso, atua, também, na regulação do sistema imunológico, no controle da pressão arterial e nos processos de multiplicação e diferenciação celular.

A etapa inicial da síntese endógena da vitamina D inicia-se nas camadas profundas da epiderme e seu processo de ativação inicia-se a partir da incidência de radiação ultravioleta B (UVB) sobre a pele do indivíduo. Apenas 15% da quantidade de vitamina D adequada às funções do organismo são obtidas da dieta, a partir de alimentos como peixes gordurosos de água fria profunda (atum, salmão), fungos comestíveis e óleo de fígado de bacalhau.

Deficiência de vitamina D

A deficiência de vitamina D resulta na desmineralização dos ossos, podendo causar raquitismo e osteomalácia. Os ossos tornam-se frágeis, passíveis de fraturas até espontâneas, e apresentam seu crescimento alterado.

Estudos indicam que a carência de vitamina D atua como fator predisponente para o desenvolvimento de artrite reumatoide e lúpus eritematoso sistêmico, além de intensificar a gravidade das doenças autoimunes em atividade.

Em 1980, o epidemiologista americano Frank Garland observou que populações que viviam em latitudes mais elevadas (com menos luz solar disponível) eram mais propensas à hipovitaminose D e apresentavam taxas mais altas de neoplasia de cólon. Estudos subsequentes correlacionaram a deficiência de vitamina D à neoplasias de mama, pulmão e bexiga, além de nefropatias, acidentes vasculares encefálicos e doença de Parkinson.

Os baixos níveis de vitamina D podem favorecer a disfunção de vários processos fisiológicos, resultando em infecções de repetição, fadiga, cansaço, dores ósseas e musculares, dificuldade na cicatrização de feridas e quadros depressivos.

Vitamina D x SARS-CoV-2: fato ou fake?

A temática apareceu na mídia com mais frequência nas últimas semanas após um estudo realizado por professores da Universidade de Turim, na Itália, indicando concentrações muito baixas de vitamina D em pacientes com COVID-19. O documento italiano reuniu estudos que apontavam a vitamina D como um composto benéfico para reduzir o risco de infecções de origem viral e neutralizar danos pulmonares decorrentes de estados hiperinflamados.

Apesar do texto divulgado, não se pode afirmar que a carência de vitamina D esteja associada ao desenvolvimento da COVID-19, pois ainda não existem estudos sólidos e conclusivos baseados em evidências científicas para a comprovação. Os médicos italianos não chegaram a publicar seus dados em nenhuma revista científica; então, não se sabe, por exemplo, quantos pacientes foram avaliados e quais eram seus níveis de vitamina D.

É importante realizar exames para que se obtenham os níveis individuais de vitamina D e que a reposição oral seja indicada e acompanhada por um médico. Para a população saudável até 60 anos de idade, os níveis ideais de vitamina D estão acima de 20 ng/mL; para grupos de risco, como idosos e pacientes crônicos, os níveis ideais devem estar entre 30 e 60 ng/mL.

Acima de 100 ng/mL de vitamina D, há risco de toxicidade e hipercalcemia, o que pode resultar em problemas como arritmia cardíaca e nefrolitíase.

O fato é: a vitamina D é essencial para a manutenção da saúde de todas as pessoas; exposição solar diária de 15 minutos entre as 10h e as 16h, conforme o tom da pele, pode ser suficiente para manter níveis adequados da vitamina. Mesmo em tempos de isolamento social, a exposição à luz solar pode ser feita na janela, na sacada ou no quintal da própria casa. Hábitos como manter uma alimentação saudável e hidratação oral adequada, sono reparador e rotina de exercícios físicos são fundamentais para o fortalecimento do sistema imunológico.

Autor: Viviane Ventura

Instagram: @viviane.crv