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Você conhece o transtorno de estresse pós-traumático? | Colunistas

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Fernanda Caldeira

7 minhá 15 dias

Todos os dias, somos expostos a situações estressantes que podem ou não mexer com o nosso psicológico. Com o tempo, algumas acabam esquecidas, sendo superadas. No entanto, quando o acontecimento é intenso e fica vívido em nossa mente por um longo período, provocando uma série de reações negativas, podemos estar de frente com o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), que é confirmado após avaliação de um profissional. Você já ouviu falar em TEPT?

Introdução

Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (5ª edição, American Psychiatric Association, 2013), o Transtorno de Estresse Pós-Traumático é o aparecimento de sintomas que perduram por mais de quatro semanas e que surgem após “exposição a episódio concreto ou ameaça de morte, lesão grave ou violência sexual. Situações como acidentes de trânsito, assassinatos, guerras, desastres ambientais, abuso sexual, ataques terroristas, são outros exemplos incluídos nas possíveis causas desse distúrbio. Pessoas que têm um conhecido que passe por uma dessas situações também podem desenvolver o TEPT, sendo somente excluídos aqueles casos em que o conhecimento do trauma foi obtido por meio da mídia.

A saber, os sintomas são

  1. Sintomas Intrusivos ou reexperiência traumática: estão envolvidos   com a mente do indivíduo, sendo pensamentos, pesadelos e/ou flashbacks involuntários com a temática do acidente. Pacientes relatam que é como se voltassem no tempo e vivessem novamente o que aconteceu.
  2. Esquiva e/ ou isolamento social: o enfermo passa a evitar qualquer elemento que possa recordar o dia do trauma. Pessoas, locais, objetos, lembranças, passam a ser alvo de gasto energético do indivíduo com o objetivo de não recordar o dia do acidente.
  3. Alterações negativas de humor e excitação: amnesia dissociativa, pensamentos distorcidos e aflições quanto a si mesmo ou ao próximo causam alterações no comportamento. Surtos de raiva, estado constante de alerta, falta de concentração, problemas no sono e atitudes que antes não era consideradas normais passam a estar presentes.

OBS: O transtorno pode acometer qualquer idade. Crianças menores de seis anos apresentam basicamente os mesmos sintomas citados acima, porém diferem nas reações, que são mais fortes por meio da expressão em relatos de pesadelos ou brincadeiras.

Diagnóstico

            O diagnóstico é confirmado observando-se a duração dos sintomas, que têm de estar presentes por mais de quatro semanas. O surgimento precisa ter sido após um trauma, seguido dos sintomas descritos acima. Logo, pelo menos um sintoma intrusivo, de esquiva e/ou isolamento social e alterações negativas de humor devem estar presentes.

Sofrer um trauma vai me levar a ter TEPT?

Não! É importante ter em mente que nem todo trauma irá desencadear esse tipo de estresse, variando do grau da fatalidade e do psicológico de cada um. Após uma situação traumática, a mente e o corpo ficam em estado de choque. Sentimentos como medo, insegurança, tristeza, dor de cabeça, falta de ar, palpitações, insônia são comuns e aceitáveis até um período após o acidente, por isso é essencial ficar atento à durabilidade e à intensidade que eles estão se manifestando, visto que esses sintomas podem surgir logo após o acidente ou até mesmo meses depois. Constatando-se que a vítima está passando por um intenso sofrimento é crucial já iniciar o tratamento, estando ou não relacionado ao TEPT.

 Tratamento

  • O principal tratamento é a psicoterapia, sendo a mais indicada a Terapia Cognitiva Comportamental, posto que o seu principal objetivo é entender como o indivíduo percebe a realidade e o quanto isso intervém em suas ações e emoções. Sendo assim, aos poucos, o paciente começa a assimilar o que está acontecendo com ele e passa a reconstruir seus pensamentos, o que com o tempo melhora o seu comportamento.
  • Exercícios físicos, de preferência os que promovem relaxamento e trabalham a respiração, são ótimos para aliviar a ansiedade e trazer o bem-estar. Vários hormônios que beneficiam a saúde são liberados com a prática física e, nesse caso, as endorfinas são essenciais para que promova melhoras no humor.
  • Quanto a prescrição de medicações, elas somente devem ser introduzidas no tratamento quando extremamente necessário. A primeira escolha do tratamento medicamentoso são os antidepressivos, podendo ou não estar associados com ansiolíticos.

Caso clínico

“Miguel, 26 anos, foi diagnosticado com Transtorno de Estresse Pós- Traumático após ter sofrido um acidente de carro no último mês. Ele estava com sua namorada indo para a casa de seus pais, quando após se distrair com a música que estava tocando, invadiu a pista oposta e colidiu com um caminhão. Ele teve a perna quebrada e múltiplas escoriações, enquanto infelizmente sua namorada não resistiu e veio a óbito. Após esse dia, Miguel conta que não consegue mais dirigir, pois fica muito apreensivo e com medo de que possa sofrer outro acidente. Ele também disse que passou a ter pesadelos com sua namorada e que sempre acorda subitamente quando sonha com um caminhão. Além do mais, quando escuta qualquer música é tomado por raiva. Depois disso, ele deixou de ver seus amigos e passou a ficar em casa triste, isolado e sem esperança de um dia voltar a ser como antes”.

Podemos verificar que o sujeito do texto dispõe de todos os requisitos exigidos para o diagnóstico de TEPT. A princípio, passou por um trauma intenso que o vem perturbando a um mês. Em seguida, uma atividade antes de rotina, transformou-se em algo opressivo, que causa desconforto e dor, apresentando também pesadelos frequentes. Não se pode esquecer da mudança de humor, que acabou por afastá-lo de seus amigos, tornando-o uma pessoa triste e isolada. Sendo assim, o diagnóstico se justificou com base na apresentação dos sintomas de reexperiência traumática, isolamento social e alterações negativas de humor. 

Conclusão

 Levando em consideração esses aspectos, constata-se a relevância dos pacientes que sofrem desse transtorno terem acesso a um diagnóstico e tratamento precoce, visando evitar sofrimento demasiado e que acabe tomando proporções extensas levando à diminuição na qualidade de vida. Lembre-se que todo trauma leva a um estresse que gera sintomas psíquicos, emocionais e físicos, porém não é sempre que eles se convertem em Transtorno de Estresse Pós-Traumático.

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Referências:

Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais [recurso eletrônico] :  SM-5 / [American Psychiatric Association ; tradução: Maria Inês Corrêa Nascimento… et al.] ; revisão técnica: Aristides Volpato Cordioli …[et al.]. – 5. ed. – Dados eletrônicos. – Porto Alegre :Artmed, 2014.

Diagnóstico do transtorno de estresse pós-traumático. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/rbp/v25s1/a04v25s1

Transtorno do estresse pós traumático: refletindo o sofrimento psíquico. Disponível em: https://temasemsaude.com/wp-content/uploads/2018/07/18210.pdf

Fundamentos, modelos conceituais, aplicações e pesquisa da terapia cognitiva. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/rbp/v30s2/a02v30s2.pdf.

Hoje Covid-19, amanhã TEPT: dilemas do profissional em “combate”. Disponível em:https://pebmed.com.br/hoje-covid-19-amanha-tept-dilemas-do-profissional-em-combate/

Transtorno de estresse pós traumatico. Disponível em: https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/transtorno-do-estresse-pos-traumatico/

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