Ciclo Básico

Você é COMO você come – nutrição como aliada da performance | Colunistas

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Érico Lucas de Oliveira

7 minhá 22 dias

Aviso: esse texto está sendo escrito em outubro de 2020, vivemos a pandemia do coronavírus que aparentemente está estabilizando no Brasil. Caso você leia esse texto em outro momento, o início dele pode parecer meio “datado”.

            Agora, com o retorno de muitas atividades práticas de residências, internato e acadêmicos de medicina é bem provável que estejamos não muito adaptados à rotina de trabalho e sua associação com a alimentação e repouso.

            Para muitos, foram vários meses de aulas exclusivamente virtuais, nas quais, se não houver planejamento e autocontrole, a rotina fica bem alterada, desde a atividade física, alimentação e cuidados pessoais.

            Nesse recomeço, pode ser um bom momento de analisar e definir novos planejamentos também nessa esfera de autocuidado: citando principalmente o físico e o alimentar. Para que as rotinas de cuidados nos ajudem a lidar melhor com os desafios das atividades diárias.

            Dito isto, gostaria de começar com uma breve história.

            Nos idos de 2017, ainda na graduação de medicina, mas já no internato, passei por um período de quase dois meses na atenção primária numa unidade de saúde da família. Eu que sempre fui muito regrado em relação à alimentação, ainda estava no paradigma de fazer uma refeição a cada três horas. Com o fluxo intenso de atendimentos e demandas da atenção primária – quem já passou ou trabalha nesse nível sabe bem como é – comecei a ficar incomodado com o fato de não estar conseguindo fazer os lanches entre as grandes refeições.

            Nesse estágio eu passava todo o dia, de 7h às 17h, e era tudo preparado com muito cuidado. Eu levava uma bolsinha a parte com três refeições: o almoço e os lanches da manhã e da tarde. Acontece que era muito raro ter um momento de pausa para fazer o lanche da manhã. O início dos trabalhos da tarde, que normalmente já começavam ainda mais tarde devido às demandas da manhã, comprometiam também o tempo útil para o almoço.

            Era uma área de grande população, a equipe como um todo acabava um pouco sobrecarregada, sendo assim, o turno vespertino com suas demandas, visitas domiciliares e pequenos procedimentos também limitava a capacidade de seguir esse planejamento alimentar.

            Existe uma teoria das necessidades humanas básicas de Maslow.  A representação gráfica abaixo (Imagem 1) evidencia que, na base, temos justamente o que estamos conversando: as necessidades fisiológicas, incluindo-se nela a alimentação.

            Umas semana e meia após o início desse estágio no internato, eu percebi que iria ser realmente improvável fazer as refeições da maneira como vinha fazendo há mais de 5 anos. Imbuído do sentimento acadêmico de pesquisador – exageros à parte – decidi que pesquisaria uma outra maneira de manter minha saúde e outro modo de programar as refeições.

Imagem 1 – Hierarquia de necessidades de Maslow.

Fonte: https://br.freepik.com/vetores-gratis/pessoas-minusculas-perto-de-ilustracao-em-vetor-plana-piramide-de-maslow-piramide-do-triangulo-dos-desenhos-animados-com-niveis-de-hierarquia-grafica-teoria-da-sociologia-e-conceito-de-medicao-de-bem-estar_10613726.htm

            Talvez até tenha chegado um pouco atrasado quando descobri já haver muito estudo e muita pesquisa na área de nutrição e performance sobre a dieta com baixo teor de carboidratos. Também encontrei muita coisa sobre o jejum intermitente e outras estratégias.

            Foram noites e noites de estudo. Na primeira semana, a energia que eu não conseguia ter para fazer atividade física, devido a estar menos alimentado e por conta do cansaço e adaptação à rotina do internato, eu compensei estudando. Buscava maneiras outras de conseguir me alimentar, ter disposição para as atividades do internato e no final do dia ter energia para fazer exercício físico. Usei também os finais de semana nessa pesquisa.

            Da terceira semana em diante, comecei a me adaptar planejando então três refeições diárias. Utilizei a estratégia de baixo carboidrato, utilizando mais fontes de gorduras boas no café da manhã e almoço. Passei a utilizar também mais vegetais nas refeições, aumentando minha ingesta de fibras.

            O ideal seria ter feito um acompanhamento nutricional profissional. Naquela época não houve possibilidade, mas posteriormente consegui fazer esse acompanhamento com um ajuste fino nesse sentido.

            Existe um efeito que vou exemplificar. Sabe quando você compra um objeto – exemplo, um carro de tal cor e modelo – e daí então passa a ver mais desse objeto nas ruas? Tive essa mesma impressão com essa minha mudança de planejamento alimentar.

            Depois dessas alterações e começar a ter benefícios palpáveis: melhor foco e atenção, menos irritabilidade (por não ter perdido o horário do almoço) e disposição para fazer atividade física mesmo depois de um dia de atividade, aparentemente todo mundo passou a seguir essas abordagens também.

            De fato, se você pesquisar agora na biblioteca Pubmed, encontrará quase 10.000 artigos publicados só sobre dietas de baixo carboidrato, incluindo uma revisão sistemática e meta-análise saída do forno (desculpe pelo trocadilho) com o título em inglês: “Effect of Different Dietary Approaches in Comparison with High/Low-Carbohydrate Diets on Systolic and Diastolic Blood Pressure in Type 2 Diabetic Patients: A Systematic Review and Meta-Analysis”. Já fica o convite à leitura.

            Então, não venho aqui para defender plano alimentar A ou B, mas para trazer de volta nosso espírito científico de pesquisa e busca de evidências. Num momento chave da formação, em que precisamos estar atentos para aprender, absorver e ter boa performance, o fato de eu ter parado para fazer essa pesquisa e reflexão me possibilitou grandes vantagens daquele momento até hoje. Inclusive me interessei ainda mais nas pesquisas na área da nutrição e consigo usar na minha prática profissional, orientando também pelo exemplo.

            Hoje o texto foi um pouco mais pessoal e espero que tenham gostado.

Um abraço, Érico Lucas de Oliveira

Instagram: @ericolucasoliveira

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