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Comunidade Sanarmed
5 min197 days ago

Produção de cuidado de si: Autocuidado de quem cuida

O bem-estar físico, mental e social está inserido na concepção de saúde da Organização Mundial de Saúde (OMS), e também está ancorado no cuidado e o processo de sua produção. Mas, uma indagação muito pertinente é: “Quem cuida de quem cuida?”

Para responder essa questão, por se tratar de um tema pouco explorado e complexo, importa que múltiplos fatores sejam considerados. É sabido que um dos aspectos que distingue os seres humanos dos demais seres é a capacidade de desenvolver simbolismos e práticas que beneficiem a si e aos outros, após observação de sua realidade e ambiente. Partindo dessa premissa, torna-se evidente que profissionais de saúde possuem como desafio romper o limbo de também assumir a responsabilidade de seu próprio bem-estar, apesar da nobreza de querer colocar em destaque o bem-estar alheio.

Nesse contexto, salienta-se a produção do cuidado, que, em definição simplista, abarca a conjugação de intervenções ou ações que contribuem para o fortalecimento de conceitos de organização, autonomia, o sentido de viver e resgata a humanização do ser. Tal processo, quando aplicado em si, constitui o autocuidado, cujo paradigma está embasado na ótica holística do indivíduo, ou seja, compreende os aspectos físicos e biológicos, psicológicos, sociais e espirituais.

Vale destacar que uma tendência do ser humano, de maneira geral, é reconhecer a prática do autocuidado como magna apenas em situações extremas, em que o adoecimento se instala, e, nos profissionais, sobretudo, somente quando gera uma perturbação na execução de suas atividades. Em outras palavras, a necessidade da mudança no estilo de vida só é percebida quando o profissional se vê suscetível a mais erros e menos efetivo no labor… ou até mesmo antes de obter o tão sonhado diploma, quando o rendimento diminui.

O olhar atento ao autocuidado deve iniciar na graduação

Não é incomum a descrição de um cenário estafante, sendo quase sinônimo da Faculdade de Medicina. Noites mal dormidas, conteúdos em excesso, copos e mais copos de café, enfoque no desempenho, em detrimento do lazer, da vida social e do fortalecimento dos vínculos afetivos. Um estudo nacional, realizado em 2016, revelou que a prevalência de transtornos mentais no público em questão, podem chegar a 50%. São dados alarmantes, tendo em vista que no ambiente acadêmico é abordada, de maneira cálida, a importância da humanização na relação médico-paciente. Tal ato se pauta, sobretudo, na escuta ativa e na prática da medicina com objetivo primaz de oferecer assistência digna.

É lindo o anseio do resgate dessa medicina mais empática, mas é de suma relevância compreender que a essência da carreira médica é humana – em outras palavras, são seres humanos se dedicando ao cuidado de outros seres humanos-. Logo, não é uma responsabilidade fragmentada. Assumir o zelo pelos pacientes, implica que o zelo de si também seja prioridade.

Exercendo o cuidado de si

Decerto, para que o cuidado de si seja bem-sucedido, é imprescindível que seja multifatorial, ou seja, que todos os âmbitos mencionados anteriormente recebam atenção. No que concerne à conjuntura física e biológica: é crucial que sejam utilizados os equipamentos de proteção individual, que os períodos de descanso e carga horária sejam respeitados e que a alimentação tenha sua devida relevância – a cena de profissionais e acadêmicos consumindo fast food, produtos alimentícios ultraprocessados, de pé, sem mastigar corretamente, nos corredores, é uma perturbadora realidade- . No tocante ao psicológico e social: ponderar o fato do ambiente de trabalho ser fatigante, constantemente zelar pelas relações interpessoais e procurar auxílio.

Ademais, lembrar que o bem-estar é um conceito internamente construído, auxilia no desenvolvimento da autonomia ao corroborar com a necessidade de cada um ter uma postura incisiva e subjetiva sobre as atitudes que deve tomar para a manutenção de todos os determinantes promotores. Todavia, ele pode ser alcançado, quando trabalhadas as habilidades que o constituem: a resiliência, que se traduz como a capacidade de reencontrar a motivação e a persistência apesar das intempéries e frustrações; perspectiva, que permite o deleite no âmbito de aprendizado, mesmo em situações ditas negativas, podendo ser interpretada como “olhar otimista”; atenção, que na geração atual, imbrica-se com a diminuição do tempo de tela ou certo distanciamento de redes sociais, fazendo com que diminua a comparação e aumente a concentração nas demais atividades; conhecimento, de si, principalmente, buscando ampliá-lo, consequentemente há elevação da autoestima e estímulo da interação consigo e com o outro. Por último, mas não menos importante, a generosidade, a qual nutre um sentimento de esperança em si e na humanidade.

Em todas as medidas propostas, fica em evidência a imprescindibilidade de uma automonitoria e de um frequente cultivo de todos os componentes. Conclui-se, portanto, que é indispensável que os acadêmicos da área da saúde, e os profissionais já atuantes, assumam a responsabilidade pelo seu bem-estar através do resgate do autocuidado, a fim de que se oportunize a promoção da saúde e alcance o pleno exercício da profissão.

Sobre a Autora: Ana Carolina Costa (Acadêmica de Medicina (UFRJ – Macaé) – 4º período; Nutricionista (UFRJ – Macaé) – CRN-4: 18101837; @arrobacarolinaa; Whatsapp: (22) 9 9224-9716)

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Paciente do sexo feminino, 65 anos, com nódulo na tireoide identificado em exame físico, com 2,0 cm de diâmetro, endurecido, em lobo esquerdo. Realizada ultrassonografia da glândula tireoide, caracterizando nódulo sólido de 2,0 cm em lobo esquerdo e nódulo de 1 cm no lobo direito, e com laudo final de "bócio multinodular". A melhor conduta seria:

A
observação clínica.
B
tratamento com tiroxina em doses supressivas.
C
tomografia computadorizada para confirmar multinodularidade.
D
exame citológico de material obtido por punção biópsia aspirativa por agulha fina.
E
radioiodoterapia.
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