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Você está preparado para atender um paciente que não fala sua língua? | Colunistas

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Karoline Rossi

6 min18 days ago

Muitos profissionais e estudantes da área da saúde vão responder essa pergunta positivamente, uma vez que muitos aprenderam a falar idiomas amplamente usados no mundo, a exemplo do inglês. Entretanto, e se o seu paciente não se comunicar por meio da voz? Sim, estou falando de expressar-se em libras.

O que é a surdez?

Na antiguidade, os surdos foram adorados como deuses no Egito, por exemplo, mas, em outras regiões, foram considerados incapacitados de pensar e também castigados pelos deuses, por isso, eram marginalizados e até mesmo mortos.

Atualmente, sabe-se que a surdez compreende a perda da sensibilidade auditiva com diminuição da percepção de sons, o que interfere no uso da linguagem oral. Essa condição pode afetar o ouvido externo ou médio, fazendo com que as ondas do fenômeno acústico não sejam bem conduzidas para o ouvido interno, sendo denominada surdez de condução. Há também a surdez neurossensorial, que é quando a cóclea não consegue converter a energia mecânica da vibração do som em energia elétrica para que o cérebro possa receber esse estímulo.

Ensino de Libras na área da saúde

A população brasileira é composta por mais de 10 milhões de pessoas surdas. De acordo com o Decreto de Lei nº 5626, de 22 de dezembro de 2005 (Brasil, 2005), o atendimento médico às pessoas surdas ou com deficiência auditiva no Sistema Único de Saúde (SUS) é garantido e deve ser feito por profissionais capacitados, não só no âmbito dos cuidados de saúde, mas também de comunicação através da Língua de Sinais Brasileira (LIBRAS) ou com o auxílio de um tradutor e intérprete oficial.

Atualmente, a maioria das escolas de ciências da saúde do Brasil não contemplam o ensino de libras como algo obrigatório, o que pode interferir na comunicação entre profissionais da saúde e pacientes surdos, principalmente quando não há interpretes disponíveis, assim colocando em risco a qualidade do atendimento de saúde. A adequação da grade curricular das escolas de ciências da saúde, para solucionar essa grave defasagem, é extremamente urgente.

As dificuldades enfrentadas pela comunidade surda no acesso à saúde

Durante um atendimento de saúde, a dificuldade em compreender integralmente o paciente surdo constitui um problema grave, uma vez que a base para esse serviço é a anamnese, o que depende de uma boa comunicação entre o profissional da saúde e o paciente. Desse modo, quando essa comunicação se torna falha, são altas as chances de erro e, no quesito em questão, pode levar a danos irreparáveis para a integridade do estado de saúde do paciente, até mesmo à morte.

O uso de intérpretes em hospitais e unidades de atendimento do SUS veio como uma solução para a comunicação deficiente entre a equipe de saúde e o paciente surdo. Entretanto, muitas vezes o intérprete não possui o conhecimento técnico em saúde necessário, para que as informações trocadas durante a consulta sejam repassadas adequadamente, além do fato de não estar sob juramento para respeitar o sigilo e confidencialidade de cada paciente, como é o caso dos profissionais de saúde, que, caso não cumpram essa confidencialidade, sofrem consequências judicias.

É importante ressaltar que o baixo conhecimento sobre saúde pelos surdos, o qual é decorrente da marginalização dessa parcela da população (já que existem poucas campanhas e programas de orientação, mesmo a saúde lhes sendo garantida por lei), faz com que seja necessário que os profissionais precisem se certificar de que todos os conceitos, por mais comuns que sejam, estejam sendo compreendidos.

5 fatos que você deveria saber sobre a comunidade surda

  1. A língua de sinais não é universal, assim como qualquer outra língua, cada local tem suas especificidades para essa maneira de se comunicar.
  2. “Surdo-mudo” é um termo incorreto, pois o fato de a pessoa ser deficiente auditiva não significa que ela seja muda.
  3. Além de um nome, você pode ter um sinal em libras.
  4. As expressões faciais e corporais são muito importantes.
  5. O alfabeto manual é chamado de datilologia.

5 dicas para uma melhor interação entre profissional de saúde e o paciente Surdo

  1. Quando falar com uma pessoa surda se posicione em um local iluminado. Evite ficar contra a luz (de uma janela, por exemplo), pois isso dificulta ver o seu rosto, o que é ruim, uma vez que muitos surdos utilizam a leitura labial para auxiliar no processo de comunicação.
  2. Não é necessário gritar ou exagerar na articulação, não fale com bala ou chiclete na boca, isso também pode prejudicar a comunicação.
  3. Dirija-se sempre à pessoa, mesmo que ela esteja acompanhada de um intérprete, isso demonstra respeito, uma vez que ela é quem está sendo atendida.
  4. Faça perguntas objetivas, para obter uma descrição completa dos sintomas do paciente e facilitar a consulta.
  5. E, se você não sabe se comunicar por meio de libras, não se envergonhe de apontar, desenhar ou escrever, para tentar oferecer o melhor atendimento possível.

Conclusão

Os surdos convivem diariamente com ouvintes e isso traz grande influência. Portanto, a comunidade surda de fato é composta por surdos, membros de família, intérpretes, professores, amigos e todos as pessoas que possuem algum contato com os surdos. Sendo assim, procure saber mais sobre essa parte da população, quem sabe até fazer um curso de libras, a internet está cheia de cursos gratuitos, aproveite!

Autora: Karoline Rossi, estudante de Medicina na Universidade Federal do Amapá (UNIFAP).

Instagram: @karoline.rossi.1

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