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Você sabe o que é Medicina Nuclear? | Colunistas

Você sabe o que é Medicina Nuclear? | Colunistas

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Stephan Pinheiro Macedo de Souza

5 min há 715 dias

Medicina Nuclear é uma especialidade médica única por desempenhar tanto o diagnóstico por imagem quanto o tratamento dos pacientes. É uma ciência que faz uso de radiofármacos ou radiotraçadores em baixíssimas doses químicas (nanogramas), carregados com baixíssimas atividades de radiação (milicurie – mCi), para estudar os mais diversos processos metabólico-fisiológicos no corpo humano!

            Como assim? Podemos substituir um dos átomos de Flúor da glicose por um radioisótopo do flúor, o 18F, que é instável e emite radiação pósitron quando sofre decaimento físico. Parece uma bagunça física? Mas não é. Graças à emissão dessa partícula de antimatéria, o pósitron, que é um anti-elétron, podemos fazer imagens ao vivo do trajeto da glicose no corpo inteiro. Esse é o famoso exame PET/CT ou PETSCAN (Positron Emission Tomography) que forma belas imagens de hipercaptação dos traçadores.

Figura 1. PET/CT ou PETSCAN


Fonte: https://docplayer.com.br/7032383-Pet-ct-no-estadiamento-do-cancer-de-esofago-e-gastrico-quando-indicar.html

            A grande diferença em relação à Radiologia é que as imagens da Medicina Nuclear não são puramente anatômicas, estáticas – são funcionais, fisiológicas. O método de aquisição das imagens também é diferente: o paciente é que recebe a substância radioativa e quem capta a radiação são os detectores das máquinas. Na radiologia, o aparelho em questão é quem emite a radiação. Além disso, os traçadores não são contrastes e, apesar do nome radiofármacos, nem fármacos podem ser considerados. Por serem administrados em ínfimas doses, não possuem efeito farmacológico, o que garante uma taxa quase nula de efeitos colaterais e altíssima segurança do exame. A radiação equivalente para um PET/CT de corpo inteiro é menor do que a de uma tomografia.

            O CT do PET/CT é uma tomografia. Você pode se perguntar, como então a dose total de radiação é menor? Simples. Na Medicina Nuclear não precisamos de altas doses de radiação da tomografia para delimitar com resolução quais são as estruturas estudadas. Utilizamos uma tomografia com baixa dose que serve apenas para guiar anatomicamente, ou seja, topografar as regiões de interesse que estejam hiper ou hipocaptantes.

            Outros exames muito utilizados em Medicina Nuclear são as cintilografias. Para estudar tireoide, função tireoidiana, localizar tireoide ectópica ou, até mesmo, pesquisar metástase de câncer de tireoide, podemos utilizar a cintilografia com 131Iodo , que é um isótopo instável, emissor de radiação gama e beta.

Figura 2. Cintilografia com 131Iodo

Fonte: https://pt.slideshare.net/flaviomf/medicina-nuclear-em-oncologia

As células tireoidianas ou neoplásicas, ávidas por iodo, não percebem que o iodo administrado é radioativo e o internalizam. Com baixas doses de radiação, algo da ordem de 5mCi, podemos fazer imagens e detectar essas células, mesmo que sejam restos celulares em um paciente tireoidectomizado. Com doses maiores, de 100 a 300 mCi, podemos fazer a radioablação da tireoide, inclusive tratando o câncer metastático diferenciado!

            Ainda existem as cintilografias ósseas (figura 3), cintilografias renais (figura 4), cintilografia miocárdica (figura 5) e muitos outros.

Figura 3. Cintilografia óssea

Fonte: https://pt.slideshare.net/flaviomf/medicina-nuclear-em-oncologia

Figura 4. Cintilografia Renal

Para acessar a fonte Clique aqui

Figura 5. Cintilografia miocárdica

Para acessar a fonte da imagem clique aqui

Com certeza é uma especialidade multifacetada, com contato com todas as áreas da medicina. Lida, predominantemente, com exames de imagem, de forma que o dia-a-dia do médico nuclear é interpretar exames e laudar. No entanto, para quem não quer ficar tão longe dos pacientes, a Terapia Radionuclídica é uma realidade e também o futuro. Cada vez mais traçadores específicos ligados a isótopos radioativos estão sendo desenvolvidos para diferentes tipos de câncer, o que permite realizar além do diagnóstico, o tratamento – conhecido como teranóstico. Praticamente um míssil teleguiado de radiação, com poucos efeitos sistêmicos. Vale a pena conhecer!

Autor: Stephan Pinheiro Macedo de Souza

Confira o vídeo:

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