Relação Médico-Paciente

5 passos fundamentais para desenvolver empatia em atendimentos | Colunistas

5 passos fundamentais para desenvolver empatia em atendimentos | Colunistas

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Bianca Gonçalves

3 min276 days ago

A empatia é um ideal que transforma nossas vidas e promove intensas mudanças sociais. O esforço para enxergar através dos olhos do outro pode ser pessoalmente desafiador e ao mesmo tempo, gratificante. (Krznaric, 2015)

Com os avanços da neurociência, sabemos que fomos dotados pelo processo evolutivo de um cérebro com estruturas neuronais como os neurônios-espelhos, uma espécie de neurônio-motor, que nos habilitam a simular mentalmente as ações e sentimentos do outro; essa capacidade, por sua vez, capacita-nos a reagir empaticamente em nossas interações sociais. (Ferreira, 2011 apud Tassinari, 2014)

O cientista Baron-Cohen descreve um “circuito da empatia”, envolvendo cerca de 10 regiões cerebrais que são ativadas durante o processo de reconhecimento “de si mesmo no outro”.  É o sistema empático que nos faz considerar o sentimento do outro antes de tomarmos alguma atitude, tais como:

Paciente A.J.M, sexo feminino, apresenta sinais de dispneia e dificuldade de se locomover até o local do atendimento médico devido artropatia, obesidade e outras comorbidades. Neste momento, o que você faria?

a.Esperaria que ela, mesmo impossibilitada, deambulasse devagar até o consultório.

b.Solicitaria uma cadeira de rodas no local, ou a ajudaria/pediria alguém para a ajudar a locomover.

Se sua resposta foi letra b, seu cérebro empático foi acionado com sucesso. Outro exemplo muito comum: Comunicar o óbito de pacientes aos familiares não é tarefa fácil, e neste momento somos empáticos ao tentar minimizar a dor através de uma linguagem adequada em um lugar mais reservado.

Ou seja, ao nos colocarmos no lugar do outro por meio da imaginação, entendemos seus sentimentos e perspectivas, usando essa compreensão para guiar nossas próprias ações. Portanto, a empatia é distinta de expressões de compaixão – como piedade ou o sentimento de pesar por alguém –, pois estas não envolvem a tentativa de compreender as emoções ou o ponto de vista da outra pessoa. (Krznaric, 2015)

Sendo assim, inspirado no livro “O Poder da Empatia. A Arte de Se Colocar no Lugar do Outro Para Transformar o Mundo” do filósofo australiano Roman Kznaric, aqui estão 5 passos para nos tornarmos médicos/ estudantes de medicina, seres humanos extremamente empáticos:

Passo 1: Cérebro empático ativado. Tenha hábitos de leitura – livros, não só de medicina também nos ensina, e muito, sobre empatia.

Passo 2: Busque novas experiencias. Conheça de perto a realidade de seus pacientes. A visita domiciliar pode ser uma forma de estar conectado diretamente com a realidade em que vivem.

Passo 3: Pratique a arte da conversação. A objetividade nos atendimentos nos torna profissionais mecanizados. Pense sobre como é esperar para ser atendido, muitas vezes com dor. Se o paciente procurou atendimento, certamente ele precisa da sua atenção.

Passo 4: Esteja atento aos detalhes. Quando você perceber que um paciente está nervoso em algum momento, por exemplo: ao exame proctológico, tente tranquiliza-lo, explique o motivo e a importância do procedimento.

Passo 5: Busque/seja inspiração. Lembre-se que uma palavra, um gesto, um ombro amigo, também faz parte da cura.


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