A
empatia é um ideal que transforma nossas vidas e promove intensas mudanças
sociais. O esforço para enxergar através dos olhos do outro pode ser
pessoalmente desafiador e ao mesmo tempo, gratificante. (Krznaric, 2015)
Com
os avanços da neurociência, sabemos que fomos dotados pelo processo evolutivo
de um cérebro com estruturas neuronais como os neurônios-espelhos, uma espécie de neurônio-motor, que nos habilitam
a simular mentalmente as ações e sentimentos do outro; essa capacidade, por sua
vez, capacita-nos a reagir empaticamente em nossas interações sociais.
(Ferreira, 2011 apud Tassinari, 2014)
O cientista Baron-Cohen descreve um “circuito da empatia”,
envolvendo cerca de 10 regiões cerebrais que são ativadas durante o processo de
reconhecimento “de si mesmo no outro”. É o sistema empático que nos faz
considerar o sentimento do outro antes de tomarmos alguma atitude, tais como:
Paciente
A.J.M, sexo feminino, apresenta sinais de dispneia e dificuldade de se
locomover até o local do atendimento médico devido artropatia, obesidade e
outras comorbidades. Neste momento, o que você faria?
a.Esperaria que ela, mesmo impossibilitada, deambulasse devagar até o consultório.
b.Solicitaria uma cadeira de rodas no local, ou a ajudaria/pediria alguém para a ajudar a locomover.
Se
sua resposta foi letra b, seu cérebro empático foi acionado com sucesso. Outro
exemplo muito comum: Comunicar o óbito de pacientes aos familiares não é tarefa
fácil, e neste momento somos empáticos ao tentar minimizar a dor através de uma
linguagem adequada em um lugar mais reservado.
Ou
seja, ao nos colocarmos no lugar do outro por meio da imaginação, entendemos
seus sentimentos e perspectivas, usando essa compreensão para guiar nossas
próprias ações. Portanto, a empatia é distinta de expressões de compaixão –
como piedade ou o sentimento de pesar por alguém –, pois estas não envolvem a
tentativa de compreender as emoções ou o ponto de vista da outra pessoa. (Krznaric, 2015)
Sendo
assim, inspirado no livro “O Poder da Empatia. A Arte de
Se Colocar no Lugar do Outro Para Transformar o Mundo” do filósofo
australiano Roman
Kznaric, aqui estão 5 passos para nos tornarmos
médicos/ estudantes de medicina, seres humanos extremamente empáticos:
Passo
1: Cérebro empático ativado. Tenha hábitos de leitura – livros, não só de
medicina também nos ensina, e muito, sobre empatia.
Passo
2: Busque novas experiencias. Conheça de perto a realidade de seus pacientes. A
visita domiciliar pode ser uma forma de estar conectado diretamente com a
realidade em que vivem.
Passo
3: Pratique a arte da conversação. A objetividade nos atendimentos nos torna
profissionais mecanizados. Pense sobre como é esperar para ser atendido, muitas
vezes com dor. Se o paciente procurou atendimento, certamente ele precisa da
sua atenção.
Passo
4: Esteja atento aos detalhes. Quando você perceber que um paciente está
nervoso em algum momento, por exemplo: ao exame proctológico, tente
tranquiliza-lo, explique o motivo e a importância do procedimento.
Passo 5: Busque/seja inspiração. Lembre-se que uma palavra, um gesto, um ombro amigo, também faz parte da cura.
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.