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A importância da visita domiciliar no cuidado médico | Colunistas

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João Pedro Delgado

8 minhá 200 dias

            Em conformidade com Pizzi (2012), “A família mostra-se como um dos lugares privilegiados da construção social da realidade, é através dela que iniciamos a nossa socialização”. Tal afirmação pode ser inserida como um fundamento para as ações de saúde realizadas num grupo familiar, uma vez que na chamada visita domiciliar, todos os profissionais de saúde envolvidos se inserem num meio altamente particular e importante para todos os que ali residem. Portanto, deve-se ter um extremo cuidado no que se refere a abordagem de questões pertinentes a família, para que esta seja uma forma útil e agradável de se fazer saúde.

            A estrutura familiar deve ser levada em consideração durante toda a montagem da estratégia em saúde para aquela família, pois o ato de enxergar o contexto e as necessidades do núcleo familiar como um todo, e não como um ser único e generalizado, é importantíssimo do ponto de vista do atendimento biopsicossocial, que de fato se apresenta como o mais efetivo em se tratando de saúde pública.

            Desse modo, deve-se abordar todos os indivíduos da família em questão, pois a vivência de cada um deles é influenciada por todo o contexto inserido, ou seja, as questões econômicas, psicológicas, de relacionamento e culturais daquela família. Portanto, o processo saúde-doença é altamente influenciado e corroborado pelo núcleo familiar em que os indivíduos estão inseridos. Por isso que durante uma visita domiciliar a atenção de todas as perguntas deve-se direcionar a todos os moradores do lar.

            Assim como enfatizado por Nathan W. Ackerman, apud Anderson, (1980): “a família é um modelo universal para o viver. Ela é unidade de crescimento; de experiências; de sucesso e fracasso; ela é também a unidade da saúde e da doença”. Em outras palavras, a família é onde tudo se origina, é onde tudo se forma, é o nível de maior pessoalidade dentro de cada indivíduo. Portanto, é no meio familiar que o indivíduo terá suas maiores criações de personalidade e de noções em relação a tudo, inclusive em relação às pautas e condutas de saúde.

            É justamente por isso que a visita domiciliar deve ser realizada, uma vez que os profissionais de saúde responsáveis pelo reparo em saúde da população assistida devem se ambientalizar e identificar as principais vulnerabilidades, desconhecimentos, culturas, costumes e situação econômica vivenciada por cada um dos indivíduos assistidos, tornando possível a conclusão de uma intervenção efetiva e que realmente atenda a pauta de cada um dos usuários assistidos.

            A visita domiciliar trata-se, portanto, de uma experiência composta, em que todos os familiares são autores do processo saúde-doença. Este tipo de Estratégia de Saúde da Família é um efetivo instrumento de intervenção para desvendar todas as condições de vivência das famílias do bairro assistido pelas UBS’s. Com este tipo de ação, os profissionais de saúde conseguem eficientemente traçar estudos epidemiológicos, fazer uma análise biopsicossocial de cada núcleo familiar e entender as reais vulnerabilidades de cada conjunto familiar, não generalizando problemas particulares como sendo gerais e comunitários.

            Importante ressaltar que a atenção domiciliar à saúde tem como função garantir a promoção de saúde às famílias envolvidas, assim como assegurar o pleno funcionamento do processo saúde-doença, num entendimento da real situação vivenciada por cada usuário inserido naquele específico contexto.  Já o atendimento domiciliar tem como meta um atendimento e atuação profissional, propondo uma manutenção da saúde e uma dinamicidade do processo de cura ou reabilitação (GIACOMOZZI & LACERDA, 2006). Juntos, o atendimento e a atenção à saúde regem todos os princípios de um atendimento integral em saúde pública a todos os usuários do bairro assistido. Ademais, importante especificar que a multidisciplinariedade do cuidado se insere como uma garantia estabelecida com esse atendimento à saúde, uma vez que o atendimento e a atuação profissional são realizados mediante a participação de diversos profissionais a nível da Unidade Básica de Saúde (UBS).

            Outra importância no que se refere ao atendimento integral às famílias é a atuação das Agentes Comunitárias de Saúde (ACS’s) na perpetuação do cuidado, ou seja, na educação continuada em saúde, que é de extrema eficiência no que se refere à promoção e prevenção em saúde. Assim, esses profissionais garantem o acesso de cada um dos indivíduos moradores do bairro aos serviços que eles têm direito assegurado. Tudo isso, tomando como base as peculiaridades de cada um deles, com base na realização de um vínculo afetivo (BORNSTEIN & STOTZ, 2008). 

            Todas as estratégias de saúde elaboradas para os usuários devem-se guiar na investigação à fundo dos contextos vividos por eles, ou seja, em todo o perfil socioeconômico e cultural. Assim, durante uma visita domiciliar, as perguntas e indagações devem ter linguagem acessível e clara, além das estratégias de adesão dos usuários necessitarem de um tom persuasivo, para que aquele paciente passe, de fato, a tomar as melhores condutas de saúde. Assim, o contato com o paciente deve ser sempre acessível e priorizado, para que realmente crie-se um vínculo entre os envolvidos. Tudo isso garantirá que o atendimento em saúde pública se dê além dos muros da unidade básica, e se dê a nível mais pessoal de cada usuário, tornando-o muito mais efetivo (SANTOS et al., 2015).

            Por fim, é notório especificar todas as etapas gerais envolvidas na visita domiciliar, que são: planejamento, execução, registro de dados e avaliação do processo. O planejamento é de extrema importância e se refere a organização dos autores envolvidos na visita domiciliar, dos alvos de perguntas em determinado domicílio, além de traçar todas as metas da prática em questão (GIACOMOZZI & LACERDA, 2006).

            As fases do processo de visita domiciliar são: cumprimentos gerais, ou seja, traçar um vínculo de educação com aqueles indivíduos assistidos; entendimento da situação, que se refere a entender todas as especificidades e todo o contexto vivido por aquela família, além de explicitar a toda ela todo o processo que se dará durante a visita. Outrossim, é necessária uma discussão com esses indivíduos, ou seja, esclarecimentos de direitos, de noções em saúde e demonstração de hábitos saudáveis de vida. Ergue-se, também, uma necessidade imprescindível de identificar os recursos daquela família, para saber ao certo quais os materiais para a intervenção. E, por fim, é notório estabelecer todos os planos e projetos necessários para solucionar as principais pautas colhidas durante a conversa (GIACOMOZZI & LACERDA, 2006).

            Durante as visitas, é fundamental que se tenha uma apresentação de todos os agentes, a utilização de uma linguagem clara, além de traçar todos os objetivos da visita com os familiares. É muito importante evitar os extremos comportamentais, como a intimidade total, visto que isso pode abalar o rumo da visita. O relatório da visita domiciliar tem por função perpetuar a atenção em saúde aos próximos atendimentos, tornando-os cada vez mais efetivos e duradouros. A linguagem desse documento deve ser clara e com uma sequência lógica, para que todas as abordagens específicas sejam explicitadas (saúde da mulher e do homem, saúde da criança, saúde do adolescente, saúde da gestante e saúde do idoso). Além disso, a montagem de um cronograma de visita domiciliar é de extrema utilidade para o procedimento prático.

Com todas as ações realizadas e os objetivos traçados é possível proporcionar saúde com tão poucas atitudes, levando o que é de  mais útil a qualquer indivíduo: carinho, amor e pertencimento social. Uma visita bem pensada e bem realizada tem um poder enorme na vida dos usuários e visa sempre o cuidado com integralidade e dinamicidade. Em outras palavras, pequenas atitudes podem alterar significativamente a vida de indivíduos e, portanto, são medidas amplamente eficientes de saúde pública.

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