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A importância da visita domiciliar no cuidado médico | Colunistas

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            Em conformidade com Pizzi (2012), “A família
mostra-se como um dos lugares privilegiados da construção social da realidade,
é através dela que iniciamos a nossa socialização”. Tal afirmação pode ser
inserida como um fundamento para as ações de saúde realizadas num grupo
familiar, uma vez que na chamada visita domiciliar, todos os profissionais de
saúde envolvidos se inserem num meio altamente particular e importante para
todos os que ali residem. Portanto, deve-se ter um extremo cuidado no que se
refere a abordagem de questões pertinentes a família, para que esta seja uma
forma útil e agradável de se fazer saúde.

            A estrutura familiar deve ser levada
em consideração durante toda a montagem da estratégia em saúde para aquela
família, pois o ato de enxergar o contexto e as necessidades do núcleo familiar
como um todo, e não como um ser único e generalizado, é importantíssimo do
ponto de vista do atendimento biopsicossocial, que de fato se apresenta como o
mais efetivo em se tratando de saúde pública.

            Desse modo, deve-se abordar todos os
indivíduos da família em questão, pois a vivência de cada um deles é
influenciada por todo o contexto inserido, ou seja, as questões econômicas,
psicológicas, de relacionamento e culturais daquela família. Portanto, o
processo saúde-doença é altamente influenciado e corroborado pelo núcleo
familiar em que os indivíduos estão inseridos. Por isso que durante uma visita
domiciliar a atenção de todas as perguntas deve-se direcionar a todos os
moradores do lar.

            Assim como enfatizado por Nathan W.
Ackerman, apud Anderson, (1980): “a família é um modelo universal para o viver.
Ela é unidade de crescimento; de experiências; de sucesso e fracasso; ela é
também a unidade da saúde e da doença”. Em outras palavras, a família é onde
tudo se origina, é onde tudo se forma, é o nível de maior pessoalidade dentro
de cada indivíduo. Portanto, é no meio familiar que o indivíduo terá suas
maiores criações de personalidade e de noções em relação a tudo, inclusive em
relação às pautas e condutas de saúde.

            É justamente por isso que a visita
domiciliar deve ser realizada, uma vez que os profissionais de saúde
responsáveis pelo reparo em saúde da população assistida devem se ambientalizar
e identificar as principais vulnerabilidades, desconhecimentos, culturas,
costumes e situação econômica vivenciada por cada um dos indivíduos assistidos,
tornando possível a conclusão de uma intervenção efetiva e que realmente atenda
a pauta de cada um dos usuários assistidos.

            A visita domiciliar trata-se,
portanto, de uma experiência composta, em que todos os familiares são autores
do processo saúde-doença. Este tipo de Estratégia de Saúde da Família é um
efetivo instrumento de intervenção para desvendar todas as condições de
vivência das famílias do bairro assistido pelas UBS’s. Com este tipo de ação,
os profissionais de saúde conseguem eficientemente traçar estudos
epidemiológicos, fazer uma análise biopsicossocial de cada núcleo familiar e
entender as reais vulnerabilidades de cada conjunto familiar, não generalizando
problemas particulares como sendo gerais e comunitários.

            Importante ressaltar que a atenção
domiciliar à saúde tem como função garantir a promoção de saúde às famílias
envolvidas, assim como assegurar o pleno funcionamento do processo
saúde-doença, num entendimento da real situação vivenciada por cada usuário
inserido naquele específico contexto.  Já
o atendimento domiciliar tem como meta um atendimento e atuação profissional,
propondo uma manutenção da saúde e uma dinamicidade do processo de cura ou
reabilitação (GIACOMOZZI & LACERDA, 2006). Juntos, o atendimento e a
atenção à saúde regem todos os princípios de um atendimento integral em saúde
pública a todos os usuários do bairro assistido. Ademais, importante
especificar que a multidisciplinariedade do cuidado se insere como uma garantia
estabelecida com esse atendimento à saúde, uma vez que o atendimento e a
atuação profissional são realizados mediante a participação de diversos
profissionais a nível da Unidade Básica de Saúde (UBS).

            Outra importância no que se refere
ao atendimento integral às famílias é a atuação das Agentes Comunitárias de
Saúde (ACS’s) na perpetuação do cuidado, ou seja, na educação continuada em
saúde, que é de extrema eficiência no que se refere à promoção e prevenção em
saúde. Assim, esses profissionais garantem o acesso de cada um dos indivíduos
moradores do bairro aos serviços que eles têm direito assegurado. Tudo isso,
tomando como base as peculiaridades de cada um deles, com base na realização de
um vínculo afetivo (BORNSTEIN & STOTZ, 2008). 

            Todas as estratégias de saúde
elaboradas para os usuários devem-se guiar na investigação à fundo dos
contextos vividos por eles, ou seja, em todo o perfil socioeconômico e
cultural. Assim, durante uma visita domiciliar, as perguntas e indagações devem
ter linguagem acessível e clara, além das estratégias de adesão dos usuários
necessitarem de um tom persuasivo, para que aquele paciente passe, de fato, a
tomar as melhores condutas de saúde. Assim, o contato com o paciente deve ser
sempre acessível e priorizado, para que realmente crie-se um vínculo entre os
envolvidos. Tudo isso garantirá que o atendimento em saúde pública se dê além
dos muros da unidade básica, e se dê a nível mais pessoal de cada usuário,
tornando-o muito mais efetivo (SANTOS et al., 2015).

            Por fim, é notório especificar todas
as etapas gerais envolvidas na visita domiciliar, que são: planejamento,
execução, registro de dados e avaliação do processo. O planejamento é de
extrema importância e se refere a organização dos autores envolvidos na visita
domiciliar, dos alvos de perguntas em determinado domicílio, além de traçar
todas as metas da prática em questão (GIACOMOZZI & LACERDA, 2006).

            As fases do processo de visita
domiciliar são: cumprimentos gerais, ou seja, traçar um vínculo de educação com
aqueles indivíduos assistidos; entendimento da situação, que se refere a
entender todas as especificidades e todo o contexto vivido por aquela família,
além de explicitar a toda ela todo o processo que se dará durante a visita.
Outrossim, é necessária uma discussão com esses indivíduos, ou seja,
esclarecimentos de direitos, de noções em saúde e demonstração de hábitos
saudáveis de vida. Ergue-se, também, uma necessidade imprescindível de
identificar os recursos daquela família, para saber ao certo quais os materiais
para a intervenção. E, por fim, é notório estabelecer todos os planos e
projetos necessários para solucionar as principais pautas colhidas durante a
conversa (GIACOMOZZI & LACERDA, 2006).

            Durante as visitas, é fundamental que se tenha uma apresentação de todos os agentes, a utilização de uma linguagem clara, além de traçar todos os objetivos da visita com os familiares. É muito importante evitar os extremos comportamentais, como a intimidade total, visto que isso pode abalar o rumo da visita. O relatório da visita domiciliar tem por função perpetuar a atenção em saúde aos próximos atendimentos, tornando-os cada vez mais efetivos e duradouros. A linguagem desse documento deve ser clara e com uma sequência lógica, para que todas as abordagens específicas sejam explicitadas (saúde da mulher e do homem, saúde da criança, saúde do adolescente, saúde da gestante e saúde do idoso). Além disso, a montagem de um cronograma de visita domiciliar é de extrema utilidade para o procedimento prático.

Com todas as ações realizadas e os objetivos traçados é possível proporcionar saúde com tão poucas atitudes, levando o que é de  mais útil a qualquer indivíduo: carinho, amor e pertencimento social. Uma visita bem pensada e bem realizada tem um poder enorme na vida dos usuários e visa sempre o cuidado com integralidade e dinamicidade. Em outras palavras, pequenas atitudes podem alterar significativamente a vida de indivíduos e, portanto, são medidas amplamente eficientes de saúde pública.

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