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A importância do diagnóstico precoce do câncer de cabeça e pescoço | Colunista

A importância do diagnóstico precoce do câncer de cabeça e pescoço | Colunista

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Flávia Shwenck

6 min há 354 dias

Você já deve ter escutado a famosa frase “prevenir é melhor do que remediar” e, no caso do câncer de cabeça e pescoço, o diagnóstico precoce e a prevenção são as palavras de ordem. Isso porque um dos principais entraves para a eficácia do tratamento é o diagnóstico tardio, que ainda ocorre em cerca de 60% dos casos e, consequentemente, reduz as chances de cura e aumenta a taxa de morbimortalidade desses pacientes.

O Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima que aproximadamente 685mil novos casos de câncer sejam diagnosticados somente em 2020 no Brasil, sendo quase 23mil deles representados pelas neoplasias da cavidade oral e da laringe.

Entre os homens, o câncer da cavidade oral ocupa o quinto lugar no ranking dos cânceres mais prevalentes. Enquanto, nas mulheres, o câncer de tireoide é o tipo de câncer de cabeça e pescoço que predomina.
Foi dentro desse contexto que surgiu a campanha do Julho Verde, você sabe o que isso quer dizer?

Assim como outras campanhas de prevenção, como o Outubro Rosa, que é centrado no combate ao câncer de mama e, mais recentemente, do câncer de colo de útero, essa ação tem como objetivo conscientizar a população sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce e eficaz do câncer de cabeça e pescoço, já que um terço dos casos podem ser evitados.

Por isso, a Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP) promove, durante todo o mês de julho, atividades de conscientização e informação no combate a este tipo de câncer. Esse mês foi escolhido porque o Dia Mundial de Prevenção e Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço é celebrado no dia 27 de julho.

Sítios primários do câncer de cabeça e pescoço

O sistema de estadiamento do American Joint Committee on Cancer (AJCC) divide os locais primários do câncer da região da cabeça e do pescoço em seis grupos principais:

  • Lábio e cavidade oral;
  • Faringe;
  • Laringe;
  • Cavidade nasal e seios paranasais;
  • Glândulas salivares maiores;
  • Glândula tireoide.

Fatores de risco

O cigarro e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas são os fatores de risco mais conhecidos, sendo o tabagismo o principal agente isolado responsável pelo aparecimento do câncer de cabeça e pescoço. No entanto, nos últimos anos, descobriu-se que a infecção pelo papilomavírus humano (HPV) tem favorecido o aumento da incidência desta doença, especialmente em pacientes mais jovens, segundo a SBCCP.

O HPV se impõe como um importante fator para o desenvolvimento desse tipo de câncer, em especial, dos tumores da orofaringe e uma das formas de contágio por esse vírus é por meio da prática do sexo oral sem preservativo.
A exposição excessiva ao sol sem proteção também é um fator de risco e ela favorece o aparecimento do câncer de pele na região da cabeça e pescoço. Além disso, fatores como a falta de higiene bucal e a má alimentação podem contribuir para o surgimento de tumores na boca.

Sinais de alerta

  • Nódulo persistente no pescoço;
  • Dificuldades para engolir;
  • Lesão na boca com sangramentos e cicatrização demorada;
  • Mudança na voz e rouquidão prolongada por mais de três semanas;

É importante ficar atento a esses sinais de alerta e, caso perceba alguma alteração, como as citadas acima, é recomendado procurar um médico.

Diagnóstico

O diagnóstico desses tumores se inicia por meio da avaliação clínica dos pacientes. É importante salientar que uma parte dos tumores de cabeça e pescoço começam a causar sintomas apenas nas fases mais avançadas da doença e podem frequentemente serem confundidos com outras causas.

Por isso, a medicina preventiva nesses casos se torna fundamental.
A partir da suspeita de câncer, se torna necessário realizar alguns exames complementares: como o raio-X, ressonância magnética, ultrassonografia, endoscopia, laringoscopia indireta e direta e tomografia por emissão de pósitrons (PET). Lembrando que a escolha desses exames irá depender do tipo de tumor suspeito. Dependendo dos resultados, é realizada uma biópsia da lesão encontrada para confirmar o diagnóstico.

Prognóstico

O prognóstico dos cânceres de cabeça e pescoço varia conforme seu estadiamento; a boa notícia é que dados de um levantamento realizado pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP) apontam que, em casos precoces, as chances de cura podem chegar até 90%.

Enquanto, em tumores avançados, a sobrevida cai para 30 a 50%, além de elevar o custo do tratamento. Isso porque os tumores que foram descobertos precocemente possuem o custo de tratamento 10 vezes menor que aqueles que são encontrados em estágios mais avançados.

Prevenção

A prevenção do câncer de cabeça e pescoço está centrada em dois pilares principais: inicialmente, as medidas têm como objetivo prevenir os fatores de riscos comportamentais, ou seja, aqueles fatores que podem ser modificáveis; de forma secundária, visa o diagnóstico precoce da doença, estando alicerçada na medicina preventiva.

Algumas dicas de como prevenir o aparecimento dessa doença são:

  • Deixar de fumar;
  • Evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas;
  • Realizar a higiene bucal de maneira adequada;
  • Utilização de preservativos durante as relações sexuais;
  • Acompanhamento médico e odontológico regular com exames periódicos, especialmente para indivíduos expostos aos fatores de risco;
  • Manter uma alimentação saudável. Usar protetor solar.

O diagnóstico precoce permite o aumento substancial da possibilidade de cura dos pacientes que desenvolvem a doença, evitando a necessidade de tratamentos mais agressivos, que podem deixar sequelas e reduzir significativamente a qualidade de vida dessas pessoas. Dessa forma, é possível perceber que prevenir ainda é, sim, o melhor remédio.

Autora: Flávia Shwenck, Estudante de Medicina.

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