Colunistas

A importância nutricional da alimentação complementar | Colunistas

A importância nutricional da alimentação complementar | Colunistas

Compartilhar

Com o nascimento de uma criança, é comum os pais apresentarem diversas dúvidas e, entre elas, estão as relacionadas à alimentação. Até quando o aleitamento materno deve ser exclusivo? Quando e como introduzir a alimentação da família? Existem alguns fatores essenciais que devem ser abordados na hora de aconselhar os pais quanto a alimentação do bebê.

Aleitamento materno exclusivo

Primeiramente, o que é o aleitamento materno exclusivo?
Recomendado até os 6 meses de idade, o aleitamento exclusivo é aquele em que o lactente ingere apenas os nutrientes e vitaminas provenientes do leite materno.

É importante que essa recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) seja seguida sempre que possível, uma vez que o leite materno possui vários benefícios como valores nutricionais adequados para o desenvolvimento da criança, menor risco de mortalidade por diarreia e infecções, entre outros.

Além disso, a criança com menos de 6 meses está em processo de maturidade fisiológica e alta permeabilidade do sistema digestivo, tornando-a um alvo fácil de reações de hipersensibilidade a proteínas estranhas que não sejam advindas do leite materno.

Alimentação complementar: o que é?

Após 6 meses, as necessidades da criança precisam ser supridas de outra maneira: através da alimentação complementar. Mas o que significa alimentação complementar?

Alimentação complementar nada mais é do que uma complementação ao leite materno, ou seja, são inseridos alimentos que serão fonte de nutrição do lactente juntamente com o aleitamento materno. Tanto a OMS quanto o Ministério da Saúde recomendam a introdução de alimentos complementares aos seis meses de vida.

Como deve ser realizada a alimentação complementar?
Entre os nutrientes essenciais para o desenvolvimento infantil que devem estar contidos na alimentação complementar estão o ferro, zinco, cálcio, vitamina A, vitamina C e o ácido fólico. Também é importante lembrar que os alimentos devem ser bem higienizados para prevenir possíveis infecções.

Ao contrário do que muitos pensam, a papa não pode parecer uma sopa de consistência líquida, e sim um purê. É necessário evitar a liquidificação dos alimentos, procurando amassar com o garfo em um primeiro momento, adequando a consistência à capacidade da criança. Com o passar do tempo, a consistência passa para semissólida até possuir a mesma consistência da alimentação da família.

Em 2019, o Ministério da Saúde lançou o Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 anos, que traz informações importantes como a composição da alimentação complementar que deve conter tubérculos, carnes, cereais, leguminosas, frutas e legumes, três vezes ao dia, com manutenção do aleitamento materno.

Nesse documento, o Ministério da Saúde reafirma etapas importantes que devem ser seguidas para alcançar uma alimentação saudável no tempo e qualidade corretos a partir de dez passos.

Dez passos da Alimentação Saudável para Crianças Menores de 2 Anos recomendados pela OPAS/OMS:

Passo 1 – Dar somente leite materno até os 6 meses, sem oferecer água, chás ou qualquer outro alimento.

Passo 2 – Ao completar 6 meses, introduzir de forma lenta e gradual outros alimentos, mantendo o leite materno até os dois anos de idade ou mais.

Passo 3 – Ao completar 6 meses, dar alimentos complementares (cereais, tubérculos, carnes, leguminosas, frutas e legumes) três vezes ao dia, se a criança estiver em aleitamento materno.

Passo 4 – A alimentação complementar deve ser oferecida de acordo com os horários de refeição da família, em intervalos regulares e de forma a respeitar o apetite da criança.

Passo 5 – A alimentação complementar deve ser espessa desde o início e oferecida de colher; iniciar com a consistência pastosa (papas/purês) e, gradativamente, aumentar a consistência até chegar à alimentação da família.

Passo 6 – Oferecer à criança diferentes alimentos ao dia. Uma alimentação variada é uma alimentação colorida.

Passo 7 – Estimular o consumo diário de frutas, verduras e legumes nas refeições.

Passo 8 – Evitar açúcar, café, enlatados, frituras, refrigerantes, balas, salgadinhos e outras guloseimas, nos primeiros anos de vida. Usar sal com moderação.

Passo 9 – Cuidar da higiene no preparo e manuseio dos alimentos; garantir o seu armazenamento e conservação adequados.

Passo 10 – Estimular a criança doente e convalescente a se alimentar, oferecendo sua alimentação habitual e seus alimentos preferidos, respeitando a sua aceitação.

Porque a alimentação complementar é tão importante?
Além dos aspectos nutricionais fundamentais para o desenvolvimento neuropsicomotor da criança nessa fase da vida, os hábitos alimentares nesse início irão repercutir positivamente ou negativamente ao longo de sua vida.

É o que chamamos de programação metabólica: os primeiros mil dias de vida da criança, desde a concepção até os 2 anos de idade compõe a “janela de oportunidades”, na qual os hábitos e atitudes tanto da alimentação materna, quanto da alimentação infantil irão influenciar hábitos e atitudes futuramente na vida da criança. Um exemplo disso é que uma alimentação inadequada na primeira infância está associada a doenças crônicas ao longo da vida.

A introdução deve ser gradual para possibilitar a identificação de possíveis alergias da criança à algum alimento. Além disso, a introdução precoce de alimentos inadequados como café, açúcar, bolachas, leite de vaca, produtos processados e outros, molda o paladar da criança de forma negativa, influenciando suas preferências alimentares e possíveis vícios e colaborando para que ela desenvolva futuros problemas relacionados à alimentação.

Seguir os passos da alimentação saudável corretamente é de fundamental importância para que a criança não desenvolva sobrepeso, desnutrição, e/ou outras comorbidades devido a alimentação complementar incorreta como anemia ferropriva e diabetes.

Autor: Gabriela de Almeida Cardoso
Instagram: @gabsdealmeida

Compartilhe com seus amigos: