Ciclo Clínico

A Mulher e o Câncer de Mama | Colunistas

A Mulher e o Câncer de Mama | Colunistas

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Elisa Salomão Henrique

7 min há 271 dias

Entre as doenças que atingem a glândula mamária, a que mais preocupa é o câncer, por ser o mais incidente e a principal causa de mortalidade por câncer em mulheres no Brasil. Hoje o câncer de mama pode ser diagnosticado precocemente e dispõe de tratamento e possibilidades de cura.

Esse câncer é resultado de uma multiplicação incontrolável de células anormais, que surgem de alterações genéticas. Existem vários tipos, alguns evoluem de forma rápida e agressiva; outros, na sua maior parte, têm evolução favorável quando diagnosticado e tratado em tempo adequado.

Seus principais tipos são: carcinoma ductal – se origina nos ductos mamários e há vários subtipos, além de ser o mais comum, cerca de 80% dos casos; e o carcinoma lobular – que se origina nos lóbulos que são responsáveis pela produção do leite materno e costuma ser diagnosticado em cerca de 5 a 10% dos casos.

O principal sinal da doença é o endurecimento fixo do nódulo mamário e é geralmente indolor, enquanto seus outros sinais são: endurecimento de partes da mama, mudança na pele (retração ou aparência de “casca de laranja”), saída espontânea de líquido do mamilo, vermelhidão ou mudança na posição ou formato do mamilo e nódulo no pescoço ou nas axilas.

Registros históricos do câncer de mama

Os egípcios e gregos foram os primeiros a fazerem registros sobre tumores nos seios, tratando a doença com amputações e remédios da época. Era descrito como Karkinos, palavra grega para caranguejo, câncer que se manifesta como tumor deformando a pele sobre os vasos sanguíneos.

Na antiguidade, médicos extraíam mamas doentes, causando sofrimento e mortes, mas, com o surgimento de anestesias mais eficazes e da assepsia, no final do século XIX, foi possível executar a chamada mastectomia radical, que retirava toda a mama, musculatura peitoral e os linfonodos axilares. Essa intervenção foi aceita até a década de 1950, quando técnicas cirúrgicas conservadoras passaram a ser utilizadas.

Com o advento de novas formas de tratar e melhoria no diagnóstico precoce, muitas cirurgias radicais se tornaram desnecessárias. Na cirurgia conservadora, a técnica consiste em retirar o tumor e uma parte de tecido sadio ao seu redor como margem de segurança, preservando o restante da mama; com isso, seu principal benefício é a qualidade de vida, com menor impacto psicológico para as mulheres.

Diagnóstico, tratamento e prevenção

A biópsia do linfonodo sentinela tem sido utilizada no planejamento das cirurgias; se nele não houver células cancerígenas, não é necessário retirar os linfonodos axilares, evitando complicações como inchaço do braço e infecções repetidas.  

A técnica diagnóstica conta com: mamografia, exame de imagem capaz de identificar nódulos antes mesmo de serem palpáveis, e é o método de escolha para o diagnóstico do câncer de mama desde 1976; exame clínico de mamas, que pode detectar tumores superficiais a partir de 1cm; ultrassonografia, que avalia a forma e consistência das mamas; e ressonância nuclear magnética, que pode ser usada de forma a complementar outros exames.

O tratamento do câncer de mama, atualmente, combina duas abordagens: local – cirurgia e radioterapia; sistêmico – atinge todo o corpo, quimioterapia, hormonioterapia e tratamento com anticorpos. Essas abordagens, quando combinadas, diminuem as possibilidades de o câncer retornar.

Diversos são os fatores que estão relacionados ao câncer de mama, desde fatores hormonais até a ambientais e hereditários, por isso é necessário manter o peso adequado, praticar atividades físicas e evitar o consumo de bebidas alcoólicas para diminuir o risco de câncer. O aleitamento também é considerado um fator protetor.

No Brasil, existem políticas de controle desde antes da criação do Sistema Único de Saúde (SUS), na década de 1970. Essa política se resumia a tratamentos e cirurgias efetuadas pela medicina previdenciária, até que em 1973 foi criado o Programa Nacional de Controle do Câncer (PNCC), que visava reduzir os cânceres femininos com ações de prevenção como a ampliação da oferta de mamografias e exames de Papanicolau. Em 1987, lançou-se o Pro-Onco, um programa que unia o Ministério da Saúde e o INAMPS (sistema de saúde previdenciário da época), para ampliar informação e prevenção dos cânceres femininos.

Em 1988, foi criado o Sistema Único de Saúde (SUS), e ações de controle do câncer tornam-se mais abrangentes e de âmbito nacional. No início dos anos 90, a primeira ação organizadora dos cânceres femininos no Brasil foi criada – Viva Mulher; em 2004, foi lançada a Publicação do Documento de Consumo com diretrizes para controle do câncer de mama e a Política de Atenção Integral à Saúde.

Em 2011, o Governo Federal lançou o Plano de Fortalecimento da Rede de Prevenção, Diagnóstico e Tratamento do câncer; em 2012, foi criado o Programa Nacional de Qualidade da Mamografia (Portaria nº 531 MS/GM) e em 2013 o SISCAN (Sistema de Informação do Câncer) atualizou o SISMAMA (Sistema de Informação do Câncer de Mama) e o Ministério da Saúde lançou a Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer (portaria nº 874 MS/GM), que atualizou a Política Nacional de Atenção Oncológica de 2005.

Outubro Rosa

O Outubro Rosa é um movimento internacional que visa a conscientização da prevenção e do diagnóstico do câncer de mama e que, além de chamar a atenção das mulheres para a necessidade de frequentar o médico e de fazer a mamografia, estimula que a mulher sempre faça o autoexame das mamas.

Foi criado no início da década de 1990, pela Fundação Susan G. Komen for the Cure, nos Estados Unidos, em apenas alguns estados fazendo campanhas isoladas sobre o tema. Somente após a aprovação no Congresso Americano, o mês de outubro foi reconhecido nacionalmente como mês da prevenção contra o câncer de mama e, depois disso, laços cor de rosa se tornaram o seu símbolo.

Esse movimento demorou a chegar ao Brasil, seu primeiro sinal foi em 2002, com o Obelisco do Ibirapuera, em São Paulo, iluminado com luzes cor de rosa, e só em 2008 foi que o movimento ganhou força em várias cidades brasileiras, com campanhas promovendo comidas e iluminando os principais monumentos com a cor rosa durante a noite.

O Outubro Rosa é importante por fazer com que a população feminina pare pelo menos uma vez no ano para cuidar de si mesma.

Neste ano de 2020, foi lançado pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) um movimento de conscientização chamado “Quanto Antes Melhor”. Esse movimento foi criado para chamar a atenção das mulheres para a adoção de um estilo de vida saudável no dia a dia, com prática de atividades físicas e uma boa alimentação, para poder evitar inúmeras doenças, e, entre elas, o câncer de mama. Também serve para reforçar que há muita vida após a doença e que o cuidado com a saúde feminina deve ser olhado com atenção.

Autoria: Elisa Salomão

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