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A significância da religiosidade na prática médica | Colunistas

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Os primeiros hospitais do Ocidente foram construídos por organizações ou Ordens Religiosas durante a Idade Média, e sobretudo, os médicos, frequentemente, eram membros do clero. No Brasil, na época em que o sistema de saúde público não garantia a universalidade de acesso, as Santas Casas, hospitais criados e mantidos pela Igreja, ofereciam cuidados médicos àqueles que não tinham condições de pagar pelo seu tratamento e eram exclusos do sistema de saúde.

A partir da segunda metade do século XX, houve uma tendência a ver a religião como algo primitivo, e à medida em que o ser humano evoluísse, os homens a abandonariam. Personalidades como Freud, que afirmava que a religião seria uma “neurose obsessiva e universal” contribuíram para que a religiosidade ganhasse contornos negativos durante esse período, principalmente entre os intelectuais.

Nessa época, surgiu a neuroteologia, campo que estuda o processamento das emoções relacionadas à religião e à espiritualidade no cérebro, processo explicado pelo neurocirurgião da Faculdade de Medicina da São Paulo, Raul Marino Júnior, em seu livro “A religião do cérebro”, onde aponta que a religião contribuiria para diminuir a vulnerabilidade a estressores e comportamentos de risco.

Ademais, de acordo com a Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca, programas religiosos que desempenham ações de prevenção (como prevenção ao suicídio e gravidez precoce) e reabilitação da saúde (como etilismo e tabagismo) demonstram resultados positivos. Além disso, conclui-se que ao possuir um maior número de experiências espirituais diárias, associam-se a menores índices de depressão e desejo de morte.

Diversos estudos já nos mostraram que pacientes religiosos apresentam desfechos diferentes em suas doenças, como internações mais curtas, menor consumo de analgésicos e menos incidência em algumas doenças, como as coronarianas (infarto do miocárdio) e hipertensão. Tantas foram as publicações demonstrativas que, em 2012, pesquisadores da Duke University Medical Center, nos EUA, fizeram um levantamento e observaram que a lista continua com resultados positivos observados nos casos de doenças endrocrinológicas, imunológicas e até no Alzheimer.

Além disso, uma pesquisa conduzida pela Universidade de Londres revelou que a fé religiosa de um médico tem forte influência nas decisões que toma em relação a pacientes terminais, e que os médicos ateus ou agnósticos – afirma estudo publicado no Journal of Medical Ethics – têm mais probabilidade de tomar decisões que acelerem o fim da vida de um paciente em estágio terminal que médicos profundamente religiosos, e é menos provável que os últimos discutam com seus pacientes muito graves as opções de tratamentos paliativos.

Infere-se, portanto, que a influência da religião na prática médica e na geração de políticas públicas de saúde atravessam o espectro empirista e linear, bem como contribui para um melhor ajustamento à realidade e para a superação de situações difíceis como doenças terminais.

Outrossim, corrobora a possibilidade de controle sobre as próprias vidas e suas contingências, diminuindo as fontes de ansiedade e preocupação. Desse modo, depreende-se que a religião, quando acoplada de forma harmônica à ciência, é de suma importância para aumentar a qualidade de vida de seus fiéis, como também é capaz de abordar segmentos espirituais que são inerentes à espécie humana.

Autora: Bárbara Figueiredo, Estudante de Medicina

Instagram: @figueiredobabi

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