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Adrenalina e Acetilcolina: diferenças e semelhanças entre os neurotransmissores | Colunistas

Adrenalina e Acetilcolina: diferenças e semelhanças entre os neurotransmissores | Colunistas

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Imagem de perfil de Lanna Carvalho

Definição de adrenalina e da acetilcolina

A adrenalina é uma catecolamina produzida na glândula adrenal. Também conhecida como Epinefrina, é um hormônio sintetizado em situações de emoções e picos de estresse endógenos ou exógenos. No organismo este atua como um neurotransmissor responsável por respostas de fuga ou luta 

A Acetilcolina (ACh) se trata de um éster do ácido acético e da colina cuja ação é mediada pelos receptores nicotínicos e muscarinicos. Este é um neurotransmissor de ação no sistema nervoso central composto pelo encéfalo e medula espinhal e também no sistema nervoso somático e autônomo. Logo, este atua como mensageiro entre os neurônios. 

Farmacologia

A adrenalina  apresenta ação simpaticomimética direta. Na circulação sanguínea, atua em vários receptores adrenérgicos, como o alfa 1 e 2 e beta 1 e 2, presente nos órgãos efetores. O receptor 1 está presente em vários locais do corpo, como os vasos sanguíneos, trato gastrointestinal, sistema urinário, globo ocular, sistema respiratório, e em várias glândulas.

 O efeito mais marcante é nos vasos sanguíneos, a qual este se liga ao receptor, acoplado à proteína Gq, estimulando uma cascata e com isso maior oferta de cálcio, terminando em uma vasoconstricção. Este efeito ao aumentar a resistência vascular periférica eleva a pressão arterial e também o maior retorno venoso. 

No globo ocular, ocorre a contração do músculo radial da íris, ou seja a dilatação pupilar, conhecida como midríase, resultado do aumento de cálcio. 

O sistema gastrointestinal contém receptores alfa 1 e a adrenalina promove a contração esfincteriana e com isso reduz o esvaziamento do trato gastrointestinal, devido os esfíncteres ocluídos impedirem a passagem do conteúdo presente. 

A atuação da adrenalina nos receptores B2, ativa proteína Gs. Este gera nos vasos sanguíneos a vasodilatação, mesmo sendo raro. A musculatura lisa dos bronquiolos, que contém estes receptores e tem o relaxamento muscular e posterior broncodilatação, objetivando aumentar o fluxo de ar.  

O neurotransmissor ACh atua em 2 receptores: nicotínicos tipo 1 localizados em gânglios autônomos, que podem levar estimulo á medula adrenal, promovendo a liberação de catecolaminas e o tipo 2 estão na placa motora, e, ao serem ativados, pela ACh promovem contração muscular. 

Ação da adrenalina e da acetilcolina no organismo

A adrenalina têm a função de preparar o organismo para reagir mediante ao estresse. Inúmeras reações fisiológicas ocorrem, sendo todas baseadas em maior disponibilidade de energia química para tal. A adrenalina circulante impulsiona o processo hepático de conversão de glicogênio em glicose e a liberação de ácidos graxos pelas células adiposas, estas na corrente sanguínea ofertam a energia necessária para a demanda metabólica. 

As reações fisiológicas provocadas pela adrenalina são o aumento dos batimentos cardíacos, pressão arterial, ritmo respiratório contribuindo com a maior circulação de oxigênio e glicose. Consequentemente, maior reação e posteriormente elevação do pico glicêmico, maior fluxo sanguíneo para os músculos. Ademais, promovem a vasoconstrição e aceleração das atividades metabólicas. 

A ACh no organismo gera um processo em cadeia que permite a criação de um complexo sistema de comunicação. Através deste existe uma regulação das ações intracelulares e extracelulares, possuindo funções excitatórias e inibitória, ou seja, pode propiciar o impulso elétrico neuronal ou inibi-lo.  

No sistema nervoso central a ACh é essencial para controlar a ação de áreas cerebrais associadas a atenção, aprendizagem e memória. No sistema nervoso somático, atua na junção neuromuscular e geração da contração muscular 

No sistema respiratório a ACh resulta na oclusão do esfíncter pós capilar (segmentos musculares que direcionam o fluxo sanguíneo aos capilares), causando o enchimento dos sinusoides venosos e extrasamento de líquidos, elevação do volume da submucosa e vasodilatação. A ativação das glândulas serosas, consequentemente a elevação das secreções, acarretando em corrimento excessivos de muco nasal (rinorreia). Ademais, a ACh se conecta a receptores colinérgicos do músculo brônquico, ativando impulsos vagais eferentes derivados das fibras pós-ganglionares, que atuam na broncoconstricção.    

A ACh circulante, se conecta ao receptor M3 do trato gastrointestinal, e determina a elevação da motilidade intestinal, além da dilatação dos esfíncteres e o aumento de secreções intestinais, sendo estas fundamentais para o processo digestivo 

As sinapses colinérgicas estão presentes nas porções autônomas efetivas, altamente inervadas pelos nervos parassimpáticos pós-ganglionares como as glândulas sudoríparas. Logo, alterações hipotalâmicas levam à exacerbação do reflexo simpático e a liberação de ACh influência secreção excessiva, fato denominado de hiperidrose e aumento de salivação.   

Ações no sistema cardiovascular

A adrenalina eleva a atividade global do coração, preparando o para uma situação de exigência ao elevar a frequência cardíaca e contratilidade. O coração detém receptores B1 no miocárdio contrátil e no especializado. 

Ao se conectar a estes receptores, diversas eventualidades cardíacas podem ocorrer. A maior contratilidade, denominado inotropismo, o aumento da frequência cardíaca, ou seja o coração se contrai mais vezes por minuto, propulsionando mais sangue, e eleva o débito cardíaco. Ocorre maior condução pelo sistema especializado, como o nó sinusal e o nó atrioventricular. 

Produção em excesso

O excesso de ACh no organismo gera desequilíbrios orgânicos. O excesso deste na junção neuromuscular, provoca paralisia dos músculos essenciais para a respiração e parada dos batimentos cardíacos. A paralisia é justificada pelos altos níveis de ACh que superam a aptidão celular em se despolarizar, sem a despolarização ocorre a paralisia. 

A adrenalina em excesso no organismo é um potencial desencadeado de arritmias cardíacas, altos picos de pressão arterial, doenças cardiovasculares, insônia, depressão e transtornos alimentares.

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.