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Anatomia funcional do trato gastrointestinal | Colunistas

Anatomia funcional do trato gastrointestinal | Colunistas

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Nosso sistema digestivo é composto por inúmeros órgãos e funciona de forma orquestrada. Além disso, todos os processos dependem uns dos outros e de estímulos particulares. Hoje vamos falar sobre como é a anatomia de nosso sistema digestório e como funcionam cada uma de suas partes.

Visão geral dos órgãos e funções

Nosso sistema digestivo é responsável por absorver água, nutrientes, sais, entre outros através de nossa alimentação e possui processos complexos para realizar essa função, que envolvem muitos órgãos, ilustrados de forma simples na figura abaixo.

(Imagem disponível em: https://mundoeducacao.uol.com.br/biologia/sistema-digestorio.htm)

O trato gastrointestinal tem um tamanho grande, o que aumenta a superfície para absorção de nutrientes. Nossa alimentação, em geral, é composta de macronutrientes que precisam ser processados para a absorção adequada. Esses processos são conhecidos por digestão e absorção. Além disso, o trato gastrointestinal é responsável também pela excreção e possui alguns mecanismos de defesa.

Digestão

A digestão ocorre por meio de processos que levam a redução das partículas ingeridas, alterando-as através de processos físicos e químicos que possibilitam a absorção do alimento pelo intestino. Esse processo se inicia na boca, pela mastigação onde o alimento é triturado, facilitando a ação das enzimas e com a saliva, que inicia o processo de digestão de alguns nutrientes (particularmente carboidratos)

O processo continua acontecendo no estômago, pela ação do ácido liberado por células especializadas e em todo o intestino, através das enzimas pancreáticas liberadas e, também da bile. Essas enzimas transformam carboidratos, proteínas e gorduras em moléculas simples, capazes de serem absorvidas pelas células intestinais.

O processo ocorre de forma complexa, através de alterações específicas de Ph para melhor digestão de cada alimento ingerido, além do importante papel realizado pela motilidade intestinal, que será detalhado a seguir.

Absorção

A absorção é a fase onde se realiza a passagem dos nutrientes do trato intestinal para o sangue, onde serão utilizados pelo corpo para uma série de processos essenciais à vida humana. Esse processo absortivo depende, também, de diversos fatores como o tamanho das moléculas, a localização, a administração da dieta, as características celulares das moléculas, entre outros.

Além disso, a maior parte das moléculas em nosso intestino é absorvida através de processos ativos e não apenas de uma difusão simples, tendo canais de transporte e captação eficientes e específicos.

O intestino tem uma capacidade de superfície, absorção, digestão e secreção de enzimas, sendo necessário para uma assimilação eficiente e adequada de nutrientes que as quantidades corretas sejam ingeridas.

Excreção

O processo de excreção atua não apenas na eliminação de substâncias não aproveitadas pelo corpo mas, também, na eliminação de classes que não conseguem ser eliminadas por outras vias, trabalhando com a excreção predominantemente de produtos hidrofóbicos, como o colesterol, esteróides e metabólitos de alguns fármacos, além de eliminar resíduos de revestimento intestinal que se renovam de forma cíclica.

Mecanismos de defesa

O intestino, por sua longa extensão e pelo contato com o meio externo através da boca e do ânus é constantemente vulnerável a diversos microorganismos e patógenos infecciosos do meio externo. O sistema gastrointestinal tem um desenvolvido mecanismo de defesa podendo ser considerado o “maior órgão linfóide do corpo” devido a grande quantidade de linfócitos que conta em comparação aos encontrados na circulação.

O sistema imune no trato gastrointestinal também possui uma capacidade de reconhecimento das bactérias e microorganismos comensais benéficas, não exterminando esses hospedeiros naturais do nosso intestino ao mesmo tempo que reconhece e sinaliza para eliminação de patógenos e agressões externas, ativando defesas imunológicas.

Os órgãos, glândulas e suas funções

Cada parte de nosso sistema tem uma função específica no longo processo desenvolvido, a seguir, podemos destacar algumas dessas funções.

Estruturas glandulares e especialização celular

As estruturas glândulares esvaziam suas secreções através do tubo intestinal onde estão localizadas, conectadas através de tubulos ao lumen intestinal, são responsáveis por produzir e secretar substâncias que auxiliam na digestão.

Existem outras estruturas glândulares, como as localizadas no estômago que secretam o ácido clorídrico. A bile, utilizada para auxiliar a digestão de gorduras, é produzida pelo fígado, que não é considerado uma estrutura glândular por possuir inúmeras funções além dessa.

O pâncreas, tem papel secretor endógeno e exógeno, sendo uma estrutura glândular que atua tanto na produção dos chamados sucos digestivos como na produção de hormônios.

As estruturas glândulares possuem, em sua composição, células especializadas que são denominadas “ácinos”, responsáveis pela coleta das substâncias secretadas e encaminhamento aos tubulos secretores.

O intestino é constituídos por células especializadas e altamente funcionais, onde encontramos o epitélio, que possui ampla àrea de captação intestinal formada por criptas e vilosidades e é responsável pela absorção. Abaixo do epitélio temos a membrana basal, que contém terminações nervosas e vasos sanguíneos, além de inúmeras células de defesa colaborando com o mecanismo e com a fisiologia normal do intestino, a mucosa e as células musculares, principais responsáveis pelo peristaltismo.

Cavidade oral e esôfago

A cavidade oral é responsável pela ingestão, lubrificação e formação de um bolo uniforme de alimentos. Os dentes realizam o processo onde o alimento é triturado para melhor ação das enzimas e para chegar em tamanho adequado ao esôfago. As secreções das glândulas salivares, além de auxiliarem na digestão e na ingestão do alimento, também reduzem a contaminação destes.

O esôfago é um tubo muscular por onde a comida chega até o estômago através de movimentos coordenados que realizam a descida do bolo alimentar. Para passar ao esôfago, uma série de estruturas trabalham em conjunto para evitar que o alimento caia na via respiratória da laringe e chegue aos pulmões.

Estômago

Anatomicamente esse órgão se divide em três partes: a cárdia, o fundo gástrico e o antro pilórico. A cárdia é responsável principalmente pela secreção de muco e bicarbonato, protetores da parede estomacal. O fundo possui glândulas secretoras de ácido e pepsina, que auxiliam e atuam na digestão. O antro associa-se mais a motilidade, misturando o conteúdo as secreções e triturando o alimento.

A parede do estõmago é composta por pregas que são visíveis a olho nu e, em sua porção final, encontra-se o piloro, responsável pelo esvaziamento do conteúdo ao duodeno.

Intestino delgado

Sua porção inicial é chamada de duodeno e, nela, são descarregadas secreções pancreáticas e a bile. A segunda porção, chamada de jejuno, atua na absorção da maioria dos nutrientes e possui uma ampla àrea devido a presença de pregas e vilosidades. O íleo, terceira e última porção, possui menos pregas e é responsável pela absorção de nutrientes  e solutos específicos, como ácidos biliares, tendo papel menor na absorção dos demais nutrientes.

Intestino grosso

É onde ocorre o armazenamento dos produtos de degradação que serão evacuados. Suas células epiteliais podem desempenhar funções de reabsorção de líquidos (em especial no colon ascendente e transverso), enquanto, nas partes mais distais, encontra-se o bolo fecal que será expelido e não sofre praticamente alterações nessas ultimas porções. Existe nesse órgão grande quantidade de flora bacteriana, em especial anaeróbica, que são responsáveis por processos metabólicos que podem alterar ácidos biliares e bilirrubinas presentes no bolo alimentar que chega à porção ascendente.

A peristalse conduz o bolo fecal ao ânus, onde ocorre a evacuação.

Conclusão

O trato gastrointestinal é composto por diversos órgãos, com funções complexas e vitais.

Todos os órgãos trabalham de forma orquestrada, pelo sistema nervoso, cada qual com sua função específica para garantir a absorção e nutrição do indivíduo de forma correta.

Existem inúmeras particularidades de cada porção, que precisam funcionar de forma adequada para que todo o processo se realize. Quando um órgão não consegue desempenhar seu papel de forma correta, por qualquer que seja o motivo, todo o processo se prejudica, muitas vezes causando danos graves à saúde do indivíduo

Autora: Thays Davanço Pedroso dos Passos

Instagram: @thadavanco


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências

1 – Barret KE, Fisiologia Gastrointestinal (LANGE);Anatomia funcional do trato gastrintestinal e dos órgãos que drenam nele. AMGH; 2ª edição, 2014. Disponível em: https://statics-submarino.b2w.io/sherlock/books/firstChapter/120596769.pdf