Hematologia

Anemia Ferropriva: entendendo o básico | Colunistas

Anemia Ferropriva: entendendo o básico | Colunistas

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A definição de anemia se da pela diminuição na concentração de eritrócitos e hemoglobinas, patologia a qual afeta aproximadamente 2 milhões de pessoas no mundo, sendo um problema de saúde pública, uma vez que é prevalente em populações as quais estão em estado de vulnerabilidade alimentar e social.

As anemias são mais prevalentes em crianças pré-escolares e gestantes, dentro das anemias carenciais temos: Deficiência de ferro, de folato e de vitamina B12, neste artigo iremos focar na deficiência de ferro.

Causas de anemia ferropriva

A anemia ferropriva (ADF) é a causa mais comum de anemia, dentre suas causas estão: redução da ingestão de ferro e aumento da perda deste. Normalmente a falta de ferro é decorrente da deficiência da ingesta, porém pode ser ocasionada por perda crônica de sangue ou por defeitos de absorção. Nas mulheres a principal causa é a menstruação excessiva.

De modo geral, tal patologia é decorrente de carências prolongadas especialmente em períodos de maior demanda, como crianças e adolescentes onde estes possuem velocidade de crescimento. O ferro é encontrado em diversos alimentos de origem animal e vegetal, contudo, deve-se analisar a capacidade do organismo em aproveitar e exercer assim, suas funções, determinando sua biodisponibilidade. Vale ressaltar que o ferro é em sua maior parte (aproximadamente 65%) encontrado na hemoglobina, a qual tem por função o transporte de gás carbônico e oxigênio, nela o átomo de ferro divalente é encontrado no centro do núcleo tetrapirrólico, dando origem ao núcleo heme, em outras palavras, o ferro é indispensável para a formação de hemoglobina.

Fatores que favorecem a absorção de Ferro

  • agentes solubilizantes
  • gestação
  • hemocromatose hereditária
  • forma heme
  • forma ferrosa
  • ácidos

Fatores que diminuem a absorção

  • forma férrica
  • aumentos da hepcidina sérica
  • diminuição da eritropoiese
  • inflamação
  • ferro inorgânico

Estágios da Anemia ferropênica:

1°) Depleção do ferro: diminuição dos depósitos de ferro no fígado, baço e medula. Há redução da ferritina sérica

2°) Deficiência do ferro: redução do ferro sérico e da saturação da transferrina, há aumento da capacidade total de ligação da transferrina.

3°) Anemia ferropriva (final): sinais clínicos + redução da hemoglobina e hematócrito

Achados no exame físico

  • Língua lisa e dolorosa
  • queda de cabelo
  • unhas fracas e quebradiças
  • ter vontade ou comer terra e/ou gelo
  • quelite angular
  • escleras azuladas
  • Fadiga
  • Dispneia aos esforços
  • palidez
  • desânimo

Fatores de risco:

  • Gestantes
  • menorreia
  • doença celíaca
  • uso de anti-inflamatórios não esteroidais
  • doença renal crônica

Como confirmar ou afastar?

  • Hemograma- em casos leves VCM e HCM estarão normais
  • Ferro sérico e ferritina baixos
  • Índice reticulocitário baixo, depois de tratado este aumenta
  • Se o histórico alimentar não for sugestivo de carência, deve-se pesquisar a perda crônica, como em casos de parasitas nas fezes e de doenças crônicas do trato gastrointestinal.

Profilaxia:

Suplementação de ferro medicamentosa em doses profiláticas em conjunto de ações na educação alimentar e nutricional, além de acesso ao saneamento básico. Vale ressaltar que o aleitamento materno protege a criança, visto que há a passagem e absorção sistêmica do ferro.

Nas gestantes além da suplementação profilática, a ingesta de alimentos que contenham farinhas enriquecidas com ferro e ácido fólico, e seguir uma alimentação saudável com ingesta de ferro de alta biodisponibilidade.

Há para crianças prematuras e/ou com baixo peso ao nascer também a suplementação, além do aleitamento exclusivo até os seis meses.

Programa nacional de Suplementação de Ferro (PNSF)

Consiste em um programa criado pelo ministério da saúde, onde há a suplementação profilática com sulfato ferroso para todas as crianças de seis a dois anos e gestantes, segue abaixo o esquema de administração:

Tabela 1 retirada do site: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_suplementacao_ferro_condutas_gerais.pdf

Tratamento:

Pode ocorrer por reposição oral de ferro, onde deve-se iniciar com doses baixas e aumentar progressivamente – forma mais lenta, há também a forma parenteral, a qual é utilizada na impossibilidade da via oral.

Possuímos três formas de se aumentar as reservas orgânicas de ferro através da dieta:

Aumentar o consumo de ferro heme e o consumo de vitamina C, além de outros estimuladores de absorção nas refeições.

Diminuir, durante as refeições, o consumo dos inibidores da absorção de ferro (chá, café, alguns cereais, leite e derivados).

Investigação para diagnóstico:

  • hemoglobina e hematócrito
  • volume corpuscular médio
  • contagem plaquetária

A monitorização deve ser feita pelos exames: reticulócitos, hemograma completo a cada 30-60 dias.

O tratamento é feito até se ter a reposição dos estoques de ferro, o qual dura cerca de seis meses.

É de suma importância pesquisar e tratar causas de baixo aporte alimentar e parasitoses intestinas.

Segundo a Associação Paulista de Medicina, o ferro é melhor absorvido em jejum, seguido por alimentos ricos em vitamina C e alimentos amargos.

Diagnósticos diferenciais:

  • Anemia de doença crônica
  • Anemias sideroblásticas
  • Distúrbios da síntese de globina

Referências:

https://bestpractice.bmj.com/topics/pt-br/94

https://www.einstein.br/guia-doencas-sintomas/anemia-ferropriva

Fundamentos em hematologia de Hoffbrand, 7 ed, 2018

https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_suplementacao_ferro_condutas_gerais.pdf

Blackbook clínica médica, 2° edição, Reynaldo Oliveira, páginas 531 e 535https://periodicos.ufrn.br/casoseconsultoria/article/view/23523/13910

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.