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ANTICONCEPÇÃO: QUAL A MELHOR OPÇÃO? | Colunistas

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Marcel Aureo

7 minhá 11 dias

Introdução

A anticoncepção foi criada em meados dos anos 1960, nos Estados Unidos da América.

Os métodos anticoncepcionais podem ser classificados em diferentes tipos (barreira, hormonais, os de longa ação, os intrauterinos e os definitivos).

Tipos

  • Métodos de barreiras – É representada pela Camisinha (condom);
  • Métodos hormonais – Representados pelo anticoncepcional combinado oral e pela progesterona isolada;
  • Long-acting Reversible Contraception (LARC) – Implante subdérmico, DIU de cobre, sistema intrauterino liberador de hormônio);
  • Métodos intrauterinos: DIU de cobre e de progesterona;
  • Métodos definitivos: vasectomia e laqueadura tubária.
  • Camisinha: funciona como contraceptivo e proteção contra IST.
  • Injetáveis, mensal e trimestral, representados pelo anticoncepcional combinado e progestágeno, respectivamente.

Progesterona isolada

É exemplificada pelas seguintes categorias de anticoncepcionais:

  • Pílula de progesterona;
  • Injetável mensal;
  • Implante subdérmico (IMPLANON);
  • Contracepção de emergência.

Ação: agem gerando anovulação, atrofiando endométrio, deixando o muco cervical mais espesso e alterando a motilidade tubária.

DISPOSITIVO INTRA UTERINO (DIU)

Existe dois tipos:

  • DIU DE COBRE;
  • DIU DE PROGESTERONA (LEVONORGESTREL) – MIRENA.

O DIU age inibindo o transporte de espermatozóide e de óvulos, inibe fecundação e implantação, pela alteração endometrial. O de progesterona gera alteração do muco cervical.

Observação: DIU de Progesterona não é anovulatório.

Problemas:

  • Pode aumentar o fluxo menstrual e a ocorrência de dismenorreia;
  • Contraindicado em pacientes com miomas que distorcem a cavidade uterina;
  • São contraindicados, no pós parto, entre 48h e 4 semanas depois.

Pontos Positivos:

  • Pode ser utilizado em nuligestas;
  • Pode ser utilizado em adolescentes.

Observação:

  • A melhor época para inserção é no período menstrual, uma vez que o colo está mais dilatado e, na teoria, descarta gestação;
  • Não há evidências atuais que relacione DIU e DIP. Caso o paciente tenha diagnóstico de DIP, em uso de DIU, faz se apenas antibioterapia, não se retira DIU.

Mecanismo de ação

  • O progestágeno age inibindo o ciclo do LH, gerando anovulação na paciente. Ademais, pode gerar espessamento de muco cervical e atrofia endometrial;
  • O estrogênio, no que lhe concerne, inibe o FSH, impedindo o desenvolvimento folicular, estabilizando o endométrio e, assim, evitando spotting. Ademais, aumenta a SBGH, reduzindo a fração de livre de testosterona.

Benefícios dos métodos hormonais combinados

Promovem:

  • Menor fluxo menstrual;
  • Menor ocorrência de dismenorreia;
  • Menor risco de câncer de ovário e de endométrio;
  • Menor risco de DIP, gestação ectópica e doença trofoblástica gestacional.

LARC (Long-Acting Reversible Contraception)

Em tradução livre, contracepção reversível de longa duração.

Exemplos:

  • Implante subdérmico;
  • DIU de cobre;
  • Sistema intrauterino liberador de hormônio.

Contracepção de emergência

Levonorgestrel  – Progesterona.

  • 1,5 mg, em dose única, ou 0,75 mg, de 12 em 12h;
  • Deve ser utilizado em até 5 dias após relação desprotegida (Idealmente até 72 horas);
  • Quanto mais rápido a administração, maior efetividade;
  • Atuação: anovulação por alteração da motilidade tubária.

Critérios de Elegibilidade

Os critérios de Elegibilidade são as condições que traduzem se um método contraceptivo é indicado ou não em uma determinada situação.

CATEGORIADESCRIÇÃORECOMENDAÇÃO
1SEM RESTRIÇÃOUSE O MÉTODO
2BENEFÍCIOS SUPERAM RISCOSUSE O MÉTODO
3RISCOS SUPERAM BENEFÍCIOSNÃO USE O MÉTODO
4RISCOS INACEITÁVEISNÃO USE O MÉTODO

Contraindicações

Métodos Combinados:

  • Enxaqueca com aura;
  • Enxaqueca a partir dos 35 anos;
  • Enxaqueca em menores de 35 anos = Para iniciar o método, é categoria 2 (de elegibilidade). Já para manter o método, é categoria 3;
  • Tabagismo a partir dos 25 anos;
  • Trombose venosa profunda ou tromboembolismo pulmonar prévio, ou atual;
  • Câncer de mama;
  • Doença hepática ou cirrose descompensada;
  • Diabetes Mellitus, com doença vascular associada;
  • Doença coronariana ou acidente vascular cerebral;
  • Lúpus eritematoso sistêmico, com anticorpo antifosfolípide positivo ou desconhecido;
  • Tumores hepáticos;
  • Cirurgia com imobilização prolongada;
  • Uso concomitante de rifampicina, fenobarbital, carbamazepina e fenitoína;
  • Amamentação em crianças de 6 semanas a 6 meses.

Progestágenos

  • Trombose venosa profunda ou tromboembolismo pulmonar prévio, ou atual;
  • Câncer de mama;
  • Lúpus eritematoso sistêmico com anticorpo antifosfolípide positivo ou desconhecido;
  • Tumores hepáticos;
  • Cirrose descompensada;
  • Enxaqueca com aura; para iniciar o método, é critério 2 (de elegibilidade). Já para manter o método, é categoria 3;
  • História de infarto agudo do miocárdio ou acidente vascular cerebral. Para iniciar o método, é critério 2. Já para manter o método, é categoria 3.
  • DIU de cobre
  • Alterações na cavidade endometrial;
  • Doença inflamatória pélvica atual;
  • Pós parto, entre 48h e 4 semanas.

DIU de Progesterona

  • Câncer de mama;
  • Lúpus eritematoso sistêmico com anticorpo antifosfolípide positivo ou desconhecido;
  • Tumores hepáticos;
  • Trombose venosa profunda ou tromboembolismo pulmonar prévio, ou atual;
  • Enxaqueca com aura; para iniciar o método, é critério 2. Já para manter o método, é categoria 3;
  • Alterações na cavidade endometrial;
  • Doença inflamatória pélvica atual;
  • Pós parto, entre 48h e 4 semanas.

Contracepção definitiva

Feminina: Laqueadura Tubária (LA)

-> Atenção: É vedada a esterilização cirúrgica através da histerectomia e ooforectomia.

  • Masculina: Vasectomia*

* Por ressecção do ducto deferente.

-> Lei nº 9.263, de 12 de janeiro de 1996

Trata do planejamento familiar, perante a Constituição Federal,

A esterilização cirúrgica é voluntária, em ambos os sexos, e permitida nas seguintes ocasiões:

  • Idade maior que vinte e cinco anos; ou
  • Possuir pelo menos dois filhos vivos;
  • Observado prazo mínimo de sessenta dias entre a manifestação da vontade e o ato cirúrgico;
  • Quando há risco à vida ou à saúde da mulher, ou de um futuro concepto, testemunhado em relatório escrito e assinado por dois médicos.

Observação 1: é vedado o procedimento em período de parto, abortamento ou no puerpério, período que se estende até 42 dias após o parto, exceto nos casos de comprovada necessidade, por cesarianas sucessivas anteriores.

Observação 2: em sociedade conjugal, o consentimento deve ser expresso por ambos os cônjuges.

-> Projeto de Lei n° 5832, de 2019:

-Visa diminuir para vinte e um anos a idade mínima para se optar por realizar controle de fertilidade mediante cirurgia de laqueadura ou vasectomia.

– Estado atual: aguardando designação do relator.

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Referências:

1- SENADO FEDERAL. PL reduz para 21 anos a idade mínima exigida para a esterilização cirúrgica Fonte: Agência Senado. In: SENADO FEDERAL. Agência Senado. PL reduz para 21 anos a idade mínima exigida para a esterilização cirúrgica. [S. l.], 7 nov. 2019. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2019/11/07/pl-reduz-para-21-anos-a-idade-minima-exigida-para-a-esterilizacao-cirurgica. Acesso em: 7 jun. 2020.

2- FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA. Manual de Critérios Médicos de Elegibilidade da OMS para uso de Métodos Anticoncepcionais. [S. l.: s. n.], 2010. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/images/arquivos/manuais/Manuais_Novos/Manual-de-Criterios-Elegibilidade.pdf. Acesso em: 9 jun. 2020.

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