Entenda os 5 tipos de Infarto Agudo do Miocárdio | Colunistas

O Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) é caracterizado por isquemia resultante da falta de aporte sanguíneo para as artérias coronárias. As doenças cardiovasculares, incluindo o infarto agudo do miocárdio, representam um importante problema de saúde pública no Brasil e no mundo, apresentando altas taxas de incidência e de mortalidade. O IAM é uma das principais causas de morte e invalidez em todo o mundo e pode ser a primeira manifestação de doença arterial coronariana (DAC) ou pode ocorrer, repetidamente, em pacientes com doença estabelecida. No ano de 2015 foi a principal causa de óbitos em todo o mundo, sendo responsável por 8,76 milhões de todas as mortes. No Brasil, segundo a base de dados do DATASUS, o IAM também é a primeira causa de mortes, representando cerca de 100 mil óbitos anuais. O IAM pode ser reconhecido pela clínica e outros recursos como achados eletrocardiográficos (ECG), marcadores bioquímicos de necrose miocárdica e por imagem, ou ainda pode ser definido por anatomopatologico. É dividido em 5 tipos: Tipo 1: Instabilidade de Placa É o infarto do miocárdio espontâneo relacionado à ruptura de placa aterosclerótica, fixação, erosão ou dissecção com trombo intraluminal, resultante em uma ou mais artérias coronárias obstruídas, levando a uma diminuição do fluxo sanguíneo, com consequente necrose do miócito. É essencial integrar os achados do ECG com o objetivo de classificar o IAM do tipo 1 em IAM com supra do seguimento ST ou IAM sem supra do seguimento ST, a fim de estabelecer o tratamento adequado de acordo com as diretrizes atuais. Tipo 2: Desbalanço entre oferta e demanda O IAM tipo 2 é uma entidade mais heterogênea, em que uma condição diferente da doença arterial coronariana (DAC) contribui para um

Pedro Pascoal

5 min há 27 dias

Cardiopatias congênitas acianogênicas | Colunistas

Neste artigo iremos conversar um pouco sobre as cardiopatias congênitas acianogênicas. Essas patologias fazem parte de um grande conjunto de doenças congênitas do coração. Mas, antes de iniciarmos este vasto assunto, é necessário que façamos uma revisão da circulação fetal para esclarecermos os principais pontos responsáveis pelas cardiopatias. Epidemiologia das cardiopatias congênitas  As cardiopatias congênitas acontecem em quase 0,8% dos nascimentos vivos. Por outro lado, nos natimortos, essa incidência aumenta para 4% .Essas patologias podem ser divididas em dois grandes grupos: as cardiopatias congênitas acianogênicas e as cardiopatias congênitas cianogênicas. Entre todas as cardiopatias, podemos destacar que as cinco mais frequente são: Comunicação interventricular (CIV) sendo responsável por 35% das cardiopatias congênitas; Comunicação interatrial (CIA) e Persistência do canal arterial (PCA), ambas com 8% de incidência entre as cardiopatias congênita;  Coarctação da aorta e Tetralogia de Fallot, ambas com ocorrência de 7% entre as cardiopatias congênitas. Circulação fetal Diferente da circulação dos neonatos, a circulação fetal recebe sangue oxigenado oriundo da placenta. O sangue oxigenado chega na circulação fetal através da veia umbilical,  a qual se comunica diretamente com o ducto venoso. Essa comunicação direta entre essas veias faz com que o sangue oxigenado não se misture com o sangue pobre em oxigênio que está circulando no fígado. O ducto venoso, por outro lado,  se comunica com a veia cava inferior, levando o sangue diretamente para o átrio direito. Ao chegar nessa câmara,  parte do sangue arterial passa diretamente para o átrio esquerdo, através do forame oval. A outra parcela do sangue arterial que chegou ao átrio esquerdo irá em direção ao ventrículo direito, assim como o sangue venoso que chega através da cava superior e passa, também , pelo átrio esquerdo. Todo o sangue contido

Guilherme Domingues

7 min há 29 dias

Fatores de risco para doenças cardiovasculares presentes na infância: fisiopatologia e impactos na vida adulta | Colunistas

A importância das doenças cardiovasculares As doenças cardiovasculares são a principal causa de morbimortalidade no mundo e estudos apontam que ela pode estar presente de forma insidiosa desde os dois anos de idade em indivíduos que nasceram sem alterações cardíacas estruturais ou comorbidades relacionadas. Em muitos casos, níveis diferentes de fibrose e inflamação arterial podem ser detectados ainda na adolescência (1). A boa notícia é que a maioria dos fatores de risco para o desenvolvimento da doença são amplamente modificáveis, a má é que tais hábitos permeiam a infância da maioria das pessoas, desde os primeiros anos de vida, tornando cada vez mais difícil a adoção de medidas protetoras na vida adulta. A presença desses fatores na primeira infância é forte preditor de alterações como aterosclerose subclínica, patologias cardíacas e mortalidade. Além disso, estudos apontam que medidas farmacológicas para a maioria desses componentes não são eficazes na redução do risco. Fatores de risco e fisiopatologia Existem alguns fatores de risco clássicos para as doenças cardiovasculares e entre eles estão: Obesidade Definida como índice de massa corporal acima do p95 para a idade e sexo, a sua prevalência dobrou entre as crianças e mais que triplicou entre os adolescentes nos últimos 30 anos. Esse índice é pior quando analisadas as populações hispânicas e afro descendentes, principalmente em países emergentes, levando à superfície a insegurança alimentar a qual as populações economicamente mais pobres estão expostas. O aumento do peso e da porcentagem de gordura corporal leva a um estado pró-inflamatório, com aumento do PCR, leptina, interleucina-6 e redução da adiponectina, levando a intolerância à glicose, resistência insulínica, aumento dos lipídios séricos, da pressão arterial, com maior predisposição a hipertrofia

Mayra Lisyer Dantas

5 min há 36 dias

Amiloidose cardíaca – atualizações | Colunistas

Depósito de material proteico no interstício celular de diversos órgãos explica a fisiopatologia da amiloidose, uma doença multissistêmica que pode acometer o coração e, nestes casos, apresentam prognóstico muito ruim. Nos últimos anos houve significativo avanço no diagnóstico e tratamento desta temida afecção. Tipos de amiloidose Amiloidose AL Neste subtipo de amiloidose nota-se acúmulo de cadeias leves, principalmente em rins, trato gastrointestinal e sistema nervoso periférico. As proteínas acumuladas derivam das cadeias leves de imunoglobulinas, produzidas por plasmócitos doentes, como no mieloma múltiplo (10% dos pacientes portadores de discrasias plasmocitárias). Mais da metade dos doentes apresenta acometimento cardíaco, sendo o coração o segundo órgão mais acometido. Amiloidose ATTR Há depósito de derivados da transtiretina, produzida pelo fígado. Pode ser subdividida em ATTR do tipo selvagem (wild type – wt) que tem predileção pelo acometimento cardíaco, apresentando concomitantemente síndrome do túnel do carpo, estenose espinhal e lesões tendíneas; e ATTR mutante (m), na qual alterações genéticas levam a produção de trantiretina alterada que infiltra múltiplos sistemas.  Epidemiologia A prevalência de amiloidose AL é baixa – 8-12 : 1.000.000, com incidência de 3000 casos por ano no Estados Unidos. Já a prevalência da forma ATTR é desconhecida, pelo subdiagnóstico e frequente associação com confundidores, como estenose aórtica. Dados de necrópsia revelaram depósitos amiloides em mais de 30% dos maiores de 75 anos. Quadro clínico Na amiloidose cardíaca os pacientes apresentam sintomas de insuficiência cardíaca, mantendo fração de ejeção preservada (ICFEP). Pode ocorrer infiltração do sistema de condução e evolução com bloqueio atrioventricular. Sistemicamente, associa-se a síndrome do túnel do carpo (bilateral), rotura do tendão do bíceps, neuropatia periférica e hipotensão ortostática.

Themissa Voss Cardiologia

5 min há 36 dias

Diretriz: Hipertensão Arterial na Gestação da Sociedade Brasileira de Cardiologia | Ligas

A Diretriz sobre Hipertensão Arterial na Gestação foi elaborada em 2020 pelo Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia (DHA-SBC), pela Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH) e pela Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), como parte das Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial. Diante da atual relevância dos distúrbios hipertensivos na gestação, a diretriz aborda aspectos como epidemiologia, classificação, conceito e critérios diagnósticos, predição e prevenção, conduta, tratamento e riscos futuros. Dessa forma, busca esclarecer e auxiliar no manejo das pacientes com hipertensão arterial na gestação. Epidemiologia Ao redor do mundo, a Hipertensão Arterial (HA) na Gestação é uma das principais causas de mortalidade tanto materna quanto perinatal. A hipertensão crônica atinge algo entre 0,9 e 1,5% das grávidas, enquanto a pré-eclâmpsia (PE) provoca complicações em 2 a 8% das gestações. Especificamente no Brasil, a PE apresenta incidência de 1,5%, sendo a principal causa das intervenções de prematuridade eletiva. Já a incidência da eclâmpsia é estimada em 0,6%, de modo que a prevalência e a taxa de mortalidade materna variam de acordo com o grau de desenvolvimento das diferentes regiões do país. Classificação da Hipertensão Arterial na Gestação As definições e as classificações recomendadas são as propostas pelo comitê do American College of Obstetrician and Gynecologists (ACOG). Cabe destacar, entre as definições, o conceito de hipertensão gestacional, caracterizada por pressão arterial sistólica (PAS) ≥140 mmHg e/ou pressão arterial diastólica (PAD) ≥90 mmHg, ou ambas, medidas com, pelo menos, 4 horas de intervalo. A hipertensão gestacional grave é definida pela PAS ≥160 mmHg e/ou PAD ≥110 mmHg, ou ambas, também medidas com, no mínimo, 4 horas de intervalo. Em relação à classificação, a PE é

LADHAS UNIFAL-MG

4 min há 48 dias

Taquiarritmias: taquicardia sinusal e atrial, fibrilação e flutter atrial | Colunistas

O eletrocardiograma é um exame acessível, simples e de uso importante em emergências. Seu traçado permite analisar e intervir de forma precoce em patologias potencialmente fatais, por isso é um meio amplamente utilizado na medicina. Ele é um dos exames mais utilizados no diagnóstico das taquiarritmias ou taquicardias. Estas são alterações no ritmo cardíaco caracterizadas pelo aumento da frequência cardíaca, em adultos, a níveis acima de 100 bpm. Esse valor, na faixa pediátrica é variável e possui valores de referência específicos, de acordo com cada faixa etária. Tendo isso em vista, este artigo busca descrever algumas das principais taquiarritimias com enfoque em suas características eletrocardiográficas e em sua abordagem médica. Taquicardia Sinusal A taquicardia sinusal é um dos tipos mais comuns de taquicardia, podendo ocorrer nas mais diversas situações cotidianas e afetando pessoas de diferentes perfis. Em grande parte das vezes pode ocorrer por causas benignas, porém seu correto diagnóstico é essencial, uma vez que pode revelar problemas de saúde com péssimo prognóstico. É caracterizada por uma frequência cardíaca aumentada (acima de 100 bpm) e geralmente não excedendo 160 bpm em adultos e crianças. É também dita sinusal devido à adequação aos estímulos provenientes do nó sinusal, havendo um bom enlace atrioventricular. Pode ser de etiologia fisiológica, como no caso da infância (recém-nascidos são naturalmente mais taquicárdicos), por exercício físico, ansiedade e emoções. Pode ser também de causa farmacológica, causado por medicamentos como a atropina, adrenalina, beta agonistas, fumo, café e álcool. E como causas patológicas estão incluídas o choque, infecções anemia, hipertireoidismo e Insuficiência cardíaca. O principal sintoma referido pelos pacientes é a sensação de palpitação. Ela pode ser associada a alterações respiratórias, com aumento da frequência respiratória (FR),

Felipe Vanderley Nogueira

6 min há 51 dias
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