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Atenção ao tratamento das pessoas com IST’s, na atenção primária à saúde | Colunistas

Atenção ao tratamento das pessoas com IST’s, na atenção primária à saúde | Colunistas

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Imagem de perfil de Raíza Pereira

O cuidado às pessoas com IST (infecções sexualmente transmissíveis) – assim como outras condições de saúde – deve refletir a melhor evidência científica disponível, aliada a fatores contextuais indissociáveis: a experiência do profissional, as características individuais e a potencialidade do sistema de saúde.
A sistematização do diagnóstico e tratamento das pessoas com IST requer, portanto, que as recomendações estejam organizadas e acessíveis aos profissionais de saúde e que estes recebam capacitação e possuam condições de trabalho apropriadas, permitindo que pessoas cuidem de outras pessoas.
A assistência à saúde funciona, na maioria dos municípios do país, mediante o agendamento de consultas, apresentando dificuldades para o atendimento por demanda espontânea. Visando à quebra da cadeia de transmissão das IST, a unidade de saúde deve garantir, o mais breve possível, o acolhimento adequado e com privacidade.

  • Inicialmente, devemos lembrar que estas patologias apresentam apresentação em síndromes: úlceras genitais, corrimento uretral, corrimento vaginal, DIP, verrugas urogenitais.
  • Os critérios para o tratamento são: eficácia, segurança, posologia, via de administração, custo, adesão e disponibilidade.

Ademais, devemos lembrar sempre do tratamento dos parceiros (ou parceiras), oferecer sempre testes rápidos e reforçar a importância do uso de preservativos.

Manejo das ISTS sintomáticas

  1. Realizar orientação centrada na pessoa e suas práticas sexuais;
  2. Contribuir para que a pessoa a reconheça e minimize o próprio risco de infecção por uma IST.
  3. Oferecer testagem para HIV, sífilis e hepatite B e C.
  4. Oferecer vacinação para hepatite A e hepatite B, e para HPV, quando indicado.
  5. Informar sobre a possibilidade de realizar Prevenção Combinada para IST/HIV/hepatites virais.
  6. Tratar, acompanhar e orientar a pessoa e suas parcerias sexuais.
  7. Notificar o caso, quando indicado.
Fluxograma 1: Manejo de ISTs sintomáticas – Fonte: Ministério da Saúde, 2019

Corrimento vaginal e cervicite

  1. Queixa muito comum entre mulheres na idade reprodutiva;
  2. Causas não-infecciosas: corrimento fisiológico, vaginite atrófica em mulheres na pós- menopausa,…
  3. Ao exame: Dor à mobilização do colo uterino, material mucopurulento no orifício externo do colo, edema cervical e sangramento ao toque da espátula ou swab
  4. O exame preventivo de câncer de colo do útero (colpocitologia oncótica) e a colposcopia não devem ser realizados com o intuito de diagnosticar vulvovaginite, vaginose e cervicite. Quando indicados (ex.: para rastreio de neoplasia intraepitelial cervical), devem preferencialmente ser realizados após tratamento das ITR.
  5. História Clínica: avaliar práticas sexuais e os fatores de risco para IST (idade abaixo dos 30 anos, novas ou múltiplas parcerias sexuais, parcerias com IST, uso irregular de preservativo, história prévia/presença de outra IST), data da última menstruação, práticas de higiene vaginal e uso de medicamentos tópicos ou sistêmicos e/ou outros potenciais agentes irritantes locais

Candidíase Vaginal


As parcerias sexuais não precisam ser tratadas, exceto as sintomáticas
É comum durante a gestação, podendo haver recidivas pelas condições propícias do pH vaginal que se estabelecem nesse período.
Tratamento em gestantes e lactantes: somente por via vaginal. O tratamento oral está contraindicado.

Vaginose Bacteriana

Fonte: Ministério da Saúde, 2019

Tricomoníase

Fonte: Ministério da Saúde, 2019
  • durante o tratamento, deve-se evitar a ingestão de álcool (pelo efeito antabuse) e suspender as relações sexuais
  • manter o tratamento durante a menstruação
  • o tratamento do(s) parceiro(s) sexual(is), quando indicado, deve ser realizado de forma preferencialmente presencial, com a devida orientação.

Gonorreia e Clamídia

Úlceras Genitais


Os aspectos clínicos das úlceras genitais são bastante variados e têm baixo poder preditivo do agente etiológico (baixa relação de sensibilidade e especificidade), mesmo nos casos considerados clássicos; Sífilis Primária; Herpes Genital Cancroide; Linfogranuloma venéreo (LGV); Donovanose.

Fluxograma 2: Fonte: Ministério da Saúde, 2019

Herpes genital

O quadro local na primoinfecção costuma ser bastante sintomático e, na maioria das vezes, é acompanhado de sintomas gerais, podendo cursar com febre, mal-estar, mialgia e disúria, com ou sem retenção urinária. Em especial, nas mulheres, pode simular quadro de infeção urinária baixa. A linfadenomegalia inguinal dolorosa bilateral está presente em 50% dos casos.

Fonte: Ministério da Saúde, 2019

Doença Inflamatória Pélvica

Fonte: Ministério da Saúde, 2019
  • O tratamento imediato evita complicações tardias (infertilidade, gravidez ectópica e dor pélvica crônica);
  • Recomenda-se que, por menor que seja a suspeita, o tratamento seja iniciado o quanto antes;
  • O tratamento ambulatorial aplica-se a mulheres que apresentam quadro clínico leve e exame abdominal e ginecológico sem sinais de pelviperitonite.
Fonte: Ministério da Saúde, 2019

Referências Bibliográficas

  1. Ministério da Saúde, 2019. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST).
  2. Galvão, Taís Freire, Costa, Carlos Henrique Nery e Garcia, Leila Posenato. Atenção integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis. Epidemiologia e Serviços de Saúde [online]. 2021, v. 30, n. spe1 [Acessado 3 Fevereiro 2022] , e2020954. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1679-4974202100001.especial. Epub 15 Mar 2021.

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.