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Avaliação global do idoso | Colunistas

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Gabi Pulga

9 min há 193 dias

Objetivos da geriatria

A geriatria é uma especialidade médica que possui como pilares o aumento da funcionalidade e da saúde do idoso, assim como diminuir sua incapacidade física e cognitiva, e, para isso, deve compilar todos âmbitos da vida. Inicialmente, uma boa anamnese e um exame físico minucioso são de extrema importância para se ter uma base geral da vida do paciente. Logo, deve-se atentar aos famosos 5Is da geriatria, que por si já podem ser causa de sinais e sintomas. Por fim, e não menos importante, há os testes e escalas específicos para pacientes geriátricos. Dentre eles, temos: a avaliação da perda das ABVDS (atividades básicas de vida diárias), que envolvem atividades relacionadas ao autocuidado, como alimentar-se, banhar-se, vestir-se, arrumar-se, mobilizar-se, manter controle sobre suas eliminações; e avaliação de perda das AIVDS (atividades instrumentais de vida diárias), que denotam a capacidade do indivíduo para levar uma vida independente, abrange tarefas como preparar refeições, realizar compras, utilizar transporte, cuidar da casa, utilizar um telefone, administrar as próprias finanças, tomar seus medicamentos. Além desses, há diversos testes que serão discutidos adiante. É sempre bom lembrar que uma boa avaliação é de extrema importância pois o estado funcional do idoso é o maior preditor de morbidade e mortalidade.

Os 5 Is da geriatria

  1. Iatrogenia: é um dos fatores mais importantes dentro da geriatria, pois grande parte dos idosos utilizam uma gama de medicamentos diariamente, o que constitui a polifarmácia, grande gerador de interações e efeitos adversos. Sabe-se que a partir do uso de três medicamentos, certamente, haverá interação entre eles. Alguns exemplos de efeitos adversos são: o anlodipino, que predispõe ao edema, o IECA, que predispõe à tosse, e chance de síndrome de Cushing por uso de corticosteroides.
  2. Incontinência urinária ou fecal: é muito comum nos idosos haver incontinência, sobretudo de urgência. Porém, esse é um sintoma que causa muita vergonha aos pacientes, dessa forma, sempre deve ser indagada de forma direta. Na doença de Parkinson, por exemplo, deve-se sempre atentar aos fecalomas, que são bem comuns.
  3. Instabilidade de marcha: sempre atentar para possíveis quedas. Deve-se interrogar sobre moveis, escadas e tapetes na casa, que são causas frequentes de quedas. A fratura de colo de fêmur é a principal causa de morte e incapacidade no idoso, muitas vezes levando-o a óbito.
  4. Imobilidade: também é uma das principais causas de morbidade no idoso. A imobilidade aumenta a chance de doenças, sobretudo degenerativas, seja por escarra, fecaloma ou insuficiência cardíaca. Em um dia acamado, o paciente perde quase 1% da massa muscular.
  5. Insuficiência cognitiva: deve ser investigada em todos idosos, para isso, ferramentas de avaliação podem ser usadas, como o teste do relógio e o mini exame do estado mental, que será discutido abaixo. Os testes de avaliação cognitiva incluem declínio de funções, depressão, delírio e demência.

Ferramentas de avaliação funcional

  1. Índice de Katz: é um índice usado para avaliar a independência nas AVDs básicas. Pode ser feita em todos pacientes, porém é muito usada na doença de Alzheimer para a avaliação de melhora ou piora do quadro.
  2. Índice de Lawton (1971): índice usado para avaliar  o nível de independência do idoso no que se refere à realização das atividades instrumentais (AIVD).
  3. Escala de desempenho paliativo (1996): escala exclusiva para ser usada na avaliação do estado físico e funcional de pacientes paliativos.
  4. Teste de levantar e sair cronometrado (1991): teste usado para avaliar o risco de queda quando o paciente caminha. Quanto mais tempo o paciente demora para levantar, andar e voltar, maior risco de quedas.
  5. Escala de desempenho de Karnofsky: usado para avaliar o grau de dependência em pacientes com doenças crônicas e avançadas.

Avaliação geriátrica ampla

A avaliação geriátrica ampla é de uso rotineiro nos consultórios de geriatria. É uma avaliação que contempla funções como o equilíbrio, mobilidade, risco de queda, função cognitiva, condições emocionais, deficiências sensoriais, capacidade funcional, estado e risco nutricional, condições socioambientais, polifarmácia e medicações inapropriadas, comorbidades e multimorbidade. A seguir estão listados alguns exemplos.

Instabilidade

  • Timed up and go: para realizar este teste, o idoso senta-se em uma cadeira com braços e recebe ordem de levantar, caminhar para frente até uma marca no piso, girar de volta e sentar-se na cadeira. O tempo deve ser cronometrado a partir da ordem de ir. Os valores de tempo de menos de 10 segundos sugerem indivíduos totalmente livres e independentes; os pacientes que realizam o teste entre 10 e 19 segundos são independentes e a maioria caminha livremente mais de 500 metros, sobe escadas e sai de casa sozinho. Aqueles que demoram 20 e 29 segundos demonstram dificuldades para as tarefas da vida diária que variam muito.
  • Teste de equilíbrio e marcha (Tinetti): este teste classifica os aspectos da marcha, como a velocidade, a distância do passo, a simetria e o equilíbrio em pé, o girar e também as mudanças com os olhos fechados. A contagem para cada exercício varia de 0 a 1 ou de 0 a 2, com uma contagem mais baixa indicando uma habilidade física mais pobre. A pontuação total é a soma da pontuação do equilíbrio do corpo e a da marcha.
  • Circunferência da panturrilha: a medida deverá ser realizada na perna esquerda, com uma fita métrica, na parte mais protuberante da panturrilha. É usada para a avaliação do estado nutricional.
  • Força de preensão palmar: pode ser usada para indicar o um estado geral de força do idoso.
  • Avaliação da sarcopenia: visa a mensuração da massa muscular. Deve ser avaliada principalmente pela velocidade da marcha e pelo teste do levantar e andar cronometrado.

Função cognitiva

Miniexame do estado mental (1975):

é um teste rápido, usado na prática clínica para avaliação da mudança do estado cognitivo de pacientes geriátricos. Examina a orientação temporal e espacial, memória de curto prazo, evocação, cálculo, coordenação dos movimentos, habilidades de linguagem e viso-espaciais. Pode ser usado como teste de rastreio para perda cognitiva. Deve se lembrar que não é usado para diagnosticar demência.

Fonte: imagens Google

Fluência verbal (linguagem e memória semântica):

teste amplamente utilizado para a avaliação cognitiva. Para ser realizado, deve-se pedir ao paciente para dizer o maior número possível de animais (podem ser outros grupos de palavras relacionadas – frutas ou palavras que comecem com a mesma letra, por exemplo) no intervalo de um minuto. Para a avaliação do resultado, deve-se levar em consideração a escolaridade do idoso. Assim, indivíduos com menos de 8 anos de escolaridade devem evocar no mínimo 9 palavras, e, os com mais, no mínimo 13. Para uma melhor avaliação, não podemos pontuar novamente quando há apenas flexão de gênero ou discriminação de animais de classe já citada (por exemplo, “passarinho”, “canário”, “beija-flor” – pontuar apenas “passarinho”).

Teste do desenho do relógio:

é um teste rápido e simples de ser avaliado, tem por finalidade a avaliação da função executiva, abstração, memória, habilidades visuoconstrutivas e compreensão verbal. Para sua realização, deve-se pedir ao paciente que desenhe um relógio com os ponteiros marcando diferentes horas. Importante lembrar que não deve haver nenhum relógio na parede e, se o paciente estiver usando algum, pedir que o retire. Para avaliar este teste, há uma tabela para realizar a conferência.

Escala de depressão geriátrica – GDS:

é uma escala para pacientes em que há suspeita de estado depressivo. É composta por até 30 perguntas que levam em consideração o bem estar emocional do paciente, sobretudo nas últimas duas semanas. As respostas devem ser somente sim ou não.

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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Referências

BRETAN, Onivaldo et al. Risco de queda em idosos da comunidade: avaliação com o teste Timed up and go. Braz. j. otorhinolaryngol.,  São Paulo ,  v. 79, n. 1, p. 18-21,  Fe 2013. Disponível em: .

HAMMERSCHMIDT, Karina Silveira de Almeida; AVILA, Jennifer Becheregaray Gomes; SANTOS, Silvana Sidney Costa. Princípios básicos de geriatria e gerontologia. Ciênc. saúde coletiva,  Rio de Janeiro ,  v. 15, n. 6, p. 2997-2998,  Set.  2010. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232010000600038&lng=en&nrm=iso.

Mini Exame do Estado Mental (MEEM) – https://aps.bvs.br/apps/calculadoras/?page=11.

Tinetti ME, Baker DI, McAvay G, Claus EB, Garrett P, Gottschalk M, et al. A multifactorial intervention to reduce the risk of falling among elderly people living in the community. N Engl J Med 1994; 331: 821–7.

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