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BAIXA ESTATURA: TIPOS E DIAGNÓSTICO | Colunistas

BAIXA ESTATURA: TIPOS E DIAGNÓSTICO | Colunistas

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Suzana Vasconcelos

8 min há 193 dias

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, são consideradas com estaturas normais todas as crianças que se encontram entre os percentis 3 e 97, pelos gráficos de estatura, e entre os percentis 5 e 95 pelos gráficos da National Center for Health Statistics. Dessa maneira, a Baixa Estatura (BE) é definida como a presença de uma altura abaixo do último percentil do gráfico utilizado.

O Ministério da Saúde define a baixa estatura como:

Estatura baixa (nanismo moderado): definida como estatura igual ou maior que o percentil 0,1, e menor que o percentil 3, prevista para a idade e sexo na curva Estatura x Idade.

Estatura muito baixa (nanismo grave): definida como estatura inferior ao percentil 0,1 da altura prevista para a idade e sexo.

A BE é uma queixa familiar e um sinal clínico frequente nos ambulatórios de pediatria, fazendo parte das síndromes de crescimento linear. A grande maioria das causas de baixa estatura durante o crescimento é de origem familiar. A fisiopatologia da baixa estatura pode envolver diversos mecanismos isolados, ou a associação entre eles. Veja abaixo alguns mecanismos responsáveis por déficit no crescimento:

  • Diminuição da oferta de nutrientes;
  • Diminuição da oferta de oxigênio aos tecidos-alvo;
  • Acúmulo de produtos tóxicos ou nocivos ao desenvolvimento normal;
  • Aumento do gasto calórico com o metabolismo basal;
  • Presença, em quantidade inapropriada, de hormônios que influenciam o crescimento.

Pode-se dividir as causas de baixa estatura entre baixa estatura idiopática, com suas variantes da normalidade, e causas patológicas:

Baixa estatura idiopática (BEI)

A BEI é definida como altura mais de 2 desvios padrão abaixo da média, sem sinais de doenças endócrinas ou pediátricas, evidenciadas por uma completa avaliação por um endocrinologista pediátrico, incluindo testes de estímulo para secreção de GH (Growth Hormone) com resposta apropriada.  Dessa maneira, a BEI acomete crianças que não apresentam deficiência de GH ou outras causas identificáveis de baixa estatura, que nasceram com peso e estatura apropriadas para a idade gestacional, mas que têm estatura abaixo do percentil 3 para a idade. Dentro dessa nova classificação de BEI, há duas grandes subdivisões relacionadas ao histórico familiar de baixa estatura e à idade óssea.

Na baixa estatura familiar: o alvo genético é baseado na altura dos pais, e é abaixo da média da população em geral. Porém, a criança apresenta um crescimento dentro do esperado para aquele alvo.

Idade óssea: algumas crianças iniciam a puberdade um pouco mais tardiamente em função de um atraso na idade óssea, mas com uma previsão de estatura adulta dentro do alvo genético.

Causas patológicas:

BE desproporcional

São as chamadas displasias ósseas – acondroplasia, hipocondroplasia, displasias metafisárias e epifisárias. Nas crianças, essas displasias apresentam uma alteração genética, a cartilagem de crescimento não é normal e o crescimento dos ossos longos é prejudicado. A relação entre corpo e membros é desproporcional, porém, o crescimento vertebral não está afetado. Pode haver história familiar de baixa estatura ou não. O diagnóstico é radiológico

BE de origem pré-natal

O diagnóstico para os pequenos para a idade gestacional/retardo do crescimento intrauterino é feito no momento do nascimento por meio da correlação entre a idade gestacional e o peso e/ou comprimento de nascimento. Os recém-nascidos podem ser adequados para a idade gestacional (AIG), pequenos para a idade gestacional (PIG) ou grandes para a idade gestacional (GIG). Dez por cento das crianças que nascem PIG não fazem uma recuperação do crescimento até o 2º ano de vida (catch up). Além de risco maior de baixa estatura, as crianças nascidas PIG apresentam um risco maior de apresentar adrenarca precoce (produção de esteroides sexuais pela glândula suprarrenal) e, na vida adulta, a síndrome plurimetabólica e hipertensão arterial.

BE de origem pós-natal

Inclui as patologias dos diversos sistemas do nosso organismo (cardíaco, gastrointestinal, renal, pulmonar, etc.), psicossociais, nutricionais e as endocrinopatias. Esta última está relacionada com hipotireoidismo, síndrome de Cushing, diabete melito, hipogonadismo e DGH. O quadro clínico da DGH depende de três fatores: se é congênito ou adquirido, o grau de deficiência (total ou parcial) e se é isolado ou associado a outras deficiências hipofisárias.

Investigação diagnóstica nos casos de baixa estatura

Dez por cento dos quadros de baixa estatura são de causa endócrina. A maioria é familiar, e um grande número é decorrente de doenças não endócrinas. Consequentemente, a avaliação deve ser feita de forma criteriosa com uma anamnese bem objetiva e um exame físico completo.

História obstétrica e familiar do paciente

Dados sobre gestação e parto informam o que aconteceu no período intrauterino. Como é necessário ser saudável para crescer adequadamente, a busca de sintomas ou de um passado que aponte a presença de processos crônicos é fundamental. A estatura dos pais deve ser aferida e não somente inquirida, uma vez que o relato desta pode ser incorreto.

Exame físico

Os dados auxológicos podem fazer o diagnóstico. É importante que seja avaliado se a baixa estatura efetivamente existe, se há desaceleração ou parada do crescimento. Para isso, é essencial que a criança seja monitorada pelo pediatra em um gráfico de crescimento pôndero-estatural com o objetivo de avaliar se o seu canal de crescimento encontra-se fora do padrão familiar. O acompanhamento com avaliação da velocidade de crescimento é o parâmetro mais importante no diagnóstico de uma baixa estatura. Esse acompanhamento deve ser realizado com visitas espaçadas em, no mínimo, 6 meses, sendo que o período ideal é entre 9 e 12 meses. Deve-se lembrar que, em uma fase pré-início de puberdade, ocorre desaceleração fisiológica da velocidade de crescimento, a qual deve ser identificada no intuito de se evitar exames desnecessários e tranquilizar a família.

Exames laboratoriais

Sinais e sintomas clínicos específicos podem auxiliar no diagnóstico e, por meio de exames complementares, a causa de uma baixa estatura pode ser elucidada e tratada.

Anemia, alergia, infecções de repetição, estado nutricional, ritmo intestinal, desproporção corporal, raquitismo, história social e estigmas genéticos propiciam elucidação diagnóstica. A idade óssea é outro parâmetro essencial no acompanhamento e no prognóstico da estatura adulta. Nas crianças com RCCP, o atraso da maturação óssea pode significar potencial de recuperação estatural no final da puberdade.

Exames complementares utilizados na investigacão da baixa estatura:

  • Hemograma completo;
  • T4L e TSH;
  • VHS IGF-1 e IGFBP-3;
  • Glicemia de jejum;
  • Provas de secreção de GH;
  • Lipidograma completo;
  • Anticorpos antiendomisio e antitransglutaminase tecidual;
  • PTN total e frações;
  • Cariotipo;
  • TGO e TGP;
  • Idade óssea;
  • Cálcio e fósforo;
  • Radiografia de esqueleto;
  • Fosfatase alcalina;
  • RMN ou TC de crânio e sela;
  • Ureia e creatinina;
  • EAS de urina;
  • Parasitológico de fezes.

A RM nuclear (RMN) da hipófise é utilizada para avaliar alterações anatômicas selares e hipofisárias que justificariam a deficiência hipofisária. Em crianças menores de 4 anos, em que os testes farmacológicos são de difícil realização, a RMN com imagem de alteração anatômica associada aos dados auxológicos, permitem indicar a terapêutica adequada.

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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Referências:

Tratado de Pediatria : Sociedade Brasileira de Pediatria / [organizadores Dennis Alexander Rabelo Burns… [et al.]]. — 4. ed. — Barueri, SP : Manole, 2017.

HOINEFF, C. Baixa estatura. Revista de Pediatria SOPERJ, p58-61, 2011.

HOFFMANN, T. et al.  Evidências de revisões sistemáticas Cochrane sobre o uso do hormônio do crescimento. Diagn Tratamento. v. 22, n. 3, p. 137-43, 2017.

LONGUI, C. A. Uso de GH em Pacientes com Baixa Estatura Idiopática. Arq Bras Endrocrinol Metab, v. 52, n. 5, 2008.

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