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Câncer de Estômago

Anatomicamente o estomago é a parte expandida do trato digestório entre o esôfago e o duodeno. Normalmente, está localizado no epigástrio e hipocôndrio esquerdo, mas sua localização e posição dependem do biótipo do indivíduo, movimentos do diafragma durante a respiração, posição do corpo e do conteúdo ingerido. É dividido em quatro porções: cárdia, fundo, corpo e piloro, sendo este dividido em antro pilórico e canal pilórico. Possui duas curvaturas: curvatura maior e curvatura menor, onde apresenta-se, em cada uma, um omento, omento maior e omento menor.

O câncer de estomago ou câncer gástrico, pode-se apresentar na forma de três tipos histológicos: adenocarcinoa (cerca de 95% dos casos), linfoma e leiomiossarcoma. Mundialmente, apresenta-se como a quarta neoplasia maligna mais comum, sendo a segunda causa de morte por câncer. Já no Brasil, apresenta-se como terceira neoplasia mais comum em homens e, quinta em mulheres. Possui alta prevalência no Japão, Coréia do Sul, Chile.

O câncer gástrico não apresenta uma etiologia única. É necessário a interação de fatores ambientais, hereditários, para a instalação da doença. Os principais fatores de risco são: Helicobacter pylori, gastrite crônica, polipose adenomatosa familiar, síndrome de Li-Fraumeni, síndrome de Lynch, câncer gástrico difuso hereditário, dieta (principalmente rica em alimentos defumados).

Os adenocarcinomas gástricos são classificados de acordo com sua localização no estomago, morfologia macroscópica e histologia. A classificação de Lauren separa cânceres gástricos em tipo intestinal e tipo difuso. Os cânceres de tipo intestinal tendem a ser volumosos, com bordas elevadas, exofítico e mais próximo do corpo. Já os cânceres de tipo difuso exibem um padrão de crescimento infiltrativo e são compostos por células desconexas com vacúolos grande de mucina que ampliam o citoplasma e empurram o núcleo para a periferia, criando uma morfologia de célula de anel em sinete.

A manifestação clínica do câncer de estômago apresenta sinais e sintomas muito inespecíficos, o que dificulta o diagnóstico precoce da doença e dificulta o seu prognóstico. Pacientes com câncer gástrico apresentam: perda de peso, desconforto abdominal, falta de apetite, anorexia, dor epigástrica, náuseas, vômitos, disfagia. Em caso de metástase podem apresentar dores ósseas, dor torácica, hemoptise. O sangramento nas fezes pode ou não estar presente, vai depender da localização do tumor, em relação as camadas do estômago.

Para o diagnóstico do câncer de estômago, a endoscopia digestiva alta com biopsia é a mais utilizada e bastante conclusiva, sendo o padrão-ouro para diagnóstico de câncer gástrico. O uso de raio-X com contraste também pode ser usado, porém não é muito conclusivo, visto que é possível possuir outras afecções como, úlcera gástrica, pólipos gástricos, entre outras. O uso do raio-X não é recomendado em casos de abdome agudo.

O estadiamento consiste em 4 etapas. Em estádio I o tumor tem invasão superficial da parede e está confinado ao estômago. Em estádio II, o tumor invade a camada muscular, podendo comprometer até seis linfonodos próximos ao estômago. Em estádio III, o tumor infiltra até a camada serosa do estômago, podendo comprometer entre sete e quinze linfonodos próximos ao estômago. Em estádio IV, o tumor compromete mais de quinze linfonodos ou órgãos vizinhos ou órgãos distantes: pulmões, fígado, ossos, entre outros. O tratamento pode ser cirúrgico, tratamento neoadjuvante ou paliativo, em casos de doença irressecável ou metastática.

O prognóstico depende do estágio do câncer, normalmente tem prognóstico ruim pela identificação tardia do câncer. A sobrevida, globalmente, é aproximadamente de 10% a 21% em cinco anos, podendo ter recorrência durante os primeiros 3 anos.

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