Oftalmologia

Caso Clínico: Glaucoma Agudo na Urgência Oftalmológica | Ligas

Caso Clínico: Glaucoma Agudo na Urgência Oftalmológica | Ligas

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Área: Oftalmologia

Autores: Christiana Lopes do Amaral Oliveira Farias

Revisor(a): Júlyo Thadeus Souza Costa de Páscoa

Orientador(a): Anamaria Coutinho

Liga: Liga Acadêmica de Oftalmologia da Universidade Catolica de Pernambuco (LAOCC)

Apresentação do caso clínico

Paciente, sexo feminino, 67 anos, hipermetrope admitida no Urgência do Hospital Santa Luzia, com queixa de quadro agudo com dor bastante intensa em olho esquerdo, cefaleia holocraniana, náusea e alterações visuais.

Ao exame com oftalmoscópico observa-se meia midríase paralítica com câmara anterior rasa. Com Tonômetro de Goldman, foi realizado a medição da P.I.O. (Pressão intraocular) sendo de 31 mmHg.

O diagnóstico foi de crise de glaucoma agudo, sendo realizado a internação da paciente para conduta de controle do glaucoma.

Questões para orientar a discussão

               

1. Qual é a possível conduta medicamentosa para o quadro?

2. Qual é a possível conduta cirúrgica para o quadro?

3. Quais os possíveis efeitos da crise de glaucoma aguda se não controlada?

4. Qual a fisiopatologia do glaucoma agudo de ângulo fechado?

5. Quais os outros possíveis diagnóstico diferenciais?

Respostas

  1. Tratamento medicamentoso (emergencial):

Sistêmico: Uso do Manitol 20% IV: dose de 1,5 – 2 g/kg. Auxilía a diminuição da PIO sendo um agente hiperosmolar, diminuindo o volume na camâra posterior pela desidratação e diminuição do humor vítreo.

Acetazolamida VO: 250mg de 6 em 6 horas, pode ser iniciada com dose de ataque de 500mg. Age diretamente na diminuição da produção do humor aquoso por ser um inibidor da anidrase carbônica.

Tópico: Maleato de Timolol 0,5% colírio: É um beta bloqueador, que age diminuindo a produção do humor aquoso.

Colírio corticoesteroide (prednisolona ou dexametasona): Reduz a inflamação, deve ser administrado 1 gota a cada duas horas nas primeiras 24 horas.

Pilocarpina 2% colírio: É um agente miótico, que vai agir contraindo a pupila aumentando a abertura do ângulo iridocorneano, facilitando a drenagem do humor aquoso pela rede trabecular. PIO superior a 40mmHg tende a paralisar o músculo esfíncter da pupila, fazendo com que esse medicamento seja indicado apenas em casos com PIO inferior a 40mmHg.

 Observação: Administrar analgésicos para controle da dor.

  1. Tratamento cirúrgico (definitivo):

Após controle da crise com todas as medidas possíveis ja apresentadas previamente, o paciente deve seguir para uma avaliação oftalmológica para dar início ao tratamento definitive, a iridotomia. A iridotomia consiste de um procedimento que com o auxílio de um laser realiza um pequeno orifício na íris, geralmente nos quadrantes superiores, permitindo a passagem do humor aquoso. Se esse procedimento não for suficiente para regular a PIO do paciente, a trabeculectomia está indicada.

3.   Se não controlado, o glaucoma agudo em poucas horas pode originar uma perda visual irreversível, parcial ou total, que se intensifica à medida em que a crise se prolonga.

4.   O glaucoma é um conjunto de doenças que possuem como característica a neuropatia óptica, evoluindo com outros achados, como defeitos típicos no campo de visão e alterações papilares. Frequentemente associado a um P.I.O. elevada, porém é válido ressaltar que não é um achado obrigatório.

      O humor aquoso em condições fisiológicas segue o seguinte fluxo, é produzido pelas CÉLULAS CILIARES, seguindo para CÂMARA POSTERIOR, fluindo pela PUPILA para chegar na CÂMARA ANTERIOR, onde será drenado pela MALHA TRABECULAR e pelos CANAIS DE SCHLEMM.

Em paciente com glaucoma agudo há uma obstrução abrupta do trabeculado filtrando, causando dessa forma um aumento abruto da P.I.O., o bloqueio pupilar é o mecanismo mais comum para fechamento do ângulo. Podendo ocorrer em pacientes que tem anatomia favorável – Cristalino muito próximo da íris, dificultando assim a passagem do humor aquoso através da pupila. Ocorrendo assim um aumento de humor aquoso na câmara posterior, provocando um aumento da pressão nessa câmara, gerando assim uma compressão da íris sobre o angulo causando sua oclusão. Esse mecanismo pode ser intensificado em situações em que há midríase, como uso de medicamentos (colírios midriáticos, anticolinérgicos, agonistas beta-adrenérgicos), iluminação baixa, estresse emocional.

5.   Outras doenças do grupo da Síndrome do Olho Vermelho, como hifema, conjuntivite, abrasão corneana e ceratite. O quadro de crise agudo de glaucoma faz parte do grande grupo de doenças que compõe a Síndrome do Olho vermelho, que irão cursar com alguns achados parecidos, porém existem alguns sinais clínicos que ajudam no diagnóstico diferencial, como o quadro de dor ocular muito intensa, cefaleia holocraniana, pupila em meia midríase e a baixa da acuidade visual.

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