Gastroenterologia

Caso Clínico Litíase biliar | Ligas

Área: Gastroenterologia

Autora: Ana Beatriz Dutra Gama, Vitória Nunes Pereira Fonseca

Revisor (a):  Vitória Nunes Pereira Fonseca

Orientador (a): Givaldo de Lima

Liga: LAAOCCI – Liga Acadêmica de Anatomia orientada para a clínica cirúrgica

Apresentação do caso clínico

Paciente do sexo feminino, 46 anos, parda, doméstica, procedente e residente de Campina Grande, Paraíba, procurou atendimento do hospital de referência da cidade com queixa de dor em abdome superior, mais intensa em quadrante superior direito, de forte intensidade, em cólica, progressiva, há 3 dias, acompanhada de náuseas e vômitos, nega febra. Nega comorbidades e alergias. Nega tabagismo e etilismo. Relata que mãe é diabética.

Ao exame físico, a paciente encontrava-se em estado geral regular, consciente e orientada em tempo e espaço, ictérica (+/++++), acianótica, hidratada, eupneica, afebril ao toque. Aparelho cardiovascular apresentava ritmo cardíaco regular, bulhas normofonéticas em dois tempos, sem sopros, normotensa (PA 110×80 mmHg). Aparelho respiratório com murmúrio vesicular presente em ambos os hemitóraces, sem ruídos adventícios. Abdome globoso, presença de hérnia umbilical, ruídos hidroaéreos presentes em todos os quadrantes, doloroso a palpação profunda em hipocôndrio direito. Fígado e baço não palpáveis.

A paciente foi internada para realização de exames laboratoriais e de imagem. O exame ultrassonográfico abdominal total demonstrou degeneração gordurosa difusa moderada no fígado, aumento inespecífico do volume uterino e hérnia umbilical de conteúdo omental, sem sinais de sofrimento tecidual. Vesícula biliar com presença de imagens hiperecóicas, a maior medindo 0,8 cm, além de pequenos microcálculos. Os exames laboratoriais revelavam: glicemia de jejum 95 mg/dL, hemoglobina 13,8 g/dL, leucócitos 6200/mm³, plaquetas 221000/mm³, ureia 21 mg/dL, creatinina 0,93 mg/dL, fosfatase alcalina 108 U/L, gama-GT 56 U/L, bilirrubina total 0,48 mg/dL, bilirrubina direta 0,26 mg/dL e bilirrubina indireta 0,22 mg/dL.

Após exame físico e exames complementares foi confirmado o diagnóstico de litíase biliar e a paciente foi encaminhada para cirurgião geral para realização de colecistectomia. 

Questões para orientar a discussão

1. Diante do caso exposto, qual sinal pode ser encontrado no exame físico que demonstre uma possível complicação da colelitíase? Qual a complicação? Explique o procedimento.

2. Quais os fatores de risco envolvidos na litíase biliar?

3. A cólica biliar tem como causa mais frequente a colelitíase, sendo assim descreva como se caracteriza essa dor.

4. Qual o melhor método de diagnóstico por imagem da colelitíase? Por que?

5. Qual o provável padrão de elevação das transaminases no caso de colelitíase? Por que?

Respostas

  1. Ao observar que uma das complicações da litíase biliar é a colecistite aguda, pode ser encontrado o Sinal de Murphy, o paciente refere dor à inspiração na compressão do ponto cístico.
  2. Os fatores relacionados envolvem 5F: sobrepeso (fat), paciente ser do sexo feminino (female), estar em idade fértil (fertility), ter mais de 40 anos (forty) e histórico familiar (family).
  3. Dor de início súbito, de grande intensidade e grande duração, localizada em hipocôndrio direito.
  4. O melhor método é a ultrassonografia abdominal, é fácil de ser realizado, de baixo custo e é possível visualizar tanto o canal da vesícula, a sombra acústica posterior, o aumento da espessura da parede e outras características específicas. No caso de raio x, teria que ter uma grande calcificação e no caso da tomografia os cortes feitos no exame podem não evidenciar os cálculos.
  5. O padrão de elevação vai ser de gama GT e fosfatase alcalina, já que a gama GT está presente no epitélio biliar e a fosfatase alcalina nos ductos biliares, então quando há algum estresse há essa desregulação.

Referências

  1. PORTO, Celmo Celeno; PORTO, Arnaldo Lemos. Exame Clínico. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017
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