Área: Pediatria
Autores: Eduarda
Gonzalez e Luanny Gomes
Revisor(a): Alice Rios
Orientador(a): Hans
Grave
Liga: Liga Acadêmica
de Pediatria e Hebiatria da Unime – LAPEDHE
Apresentação do caso clínico
Apresentação do caso clínico
A.G.A,
4 anos, sexo feminino, negra, natural e procedente de Salvador-BA, acompanhado
pela mãe L.G.S.
Queixa
Principal: Dor abdominal há 5 dias
HDA:
Criança cursava com um quadro de dor abdominal em quadrante inferior esquerdo e
náuseas na madrugada, cerca de 1h após ingesta de “vitamina com leite”. Relata que
há dois dias cursou com flatulências devido ao excesso de gases, fezes
volumosas e amolecidas.
Antecedentes
pessoais: Nascido de parto normal, segunda
filha em uma prole de 3 filhos, a termo, apgar 9/10, nascido com 2,9kg, 44 cm
de comprimento e 34 cm de perímetro cefálico. Aleitamento materno exclusivo até
os 6 meses, calendário vacinal atualizado, sem patologias e internações durante
os primeiros anos de vida
Antecedentes
Familiares: Mãe e pai hígidos, avó paterna com
Câncer de pulmão e avó materna com DM.
Exame
Físico: Regular estado, bem nutrido,
desidratada +/++++, anictérico, acianótico e normocorado, FR=30 ipm e FC= 80
bpm.
Exame
físico cardiovascular:BRNF em 2T sem sopros.
Exame
físico respiratório: Tórax sem abaulamentos ou
retrações,ausência de batimento de asa de nariz; MV presente e sem ruídos
adventícios.
Exame
físico de Cabeça e pescoço: Sem edemas ou outras alterações.
Exame
físico TGI: Abdomen globoso, rígido, ruidos
hidroaéreos presente, com borborigmo.
Exames complementares:
Foi pedido o teste de H2 no ar expirado onde houve um aumento após desafio com
a lactose.
Questões para orientar a
discussão
1. Qual a
suspeita de diagnóstico?
2. Como distinguir os diferentes tipos de intolerância
a lactose?
3. Quais exames devem ser feitos para concluir o
diagnóstico?
4. Determine os diagnósticos diferenciais que possuam
manifestações clínicas semelhantes
5. Qual deve ser o tratamento para esse paciente?
Apresenta conduta medicamentosa?
Respostas
1.A suspeita de diagnóstico para
esse caso, é de intolerância a lactose, devido a manifestação clínica
apresentar diarreia leve, flatulências e desconforto abdominal. A intolerância a lactose decorre da
incapacidade das enzimas digestivas auxiliarem na completa digestão e absorção
desse carboidrato. O organismo que possui funcionalidade adequada quanto às
enzimas lactase e amilase salivar, irão dissociar a lactose em glicose e
galactose para serem totalmente absorvidas no intestino delgado.
Quando há uma deficiência nesse
processo de dissociação, pode apresentar distúrbios na digestão. Esse distúrbio
é denominado intolerância a lactose, que pode se apresentar na forma primária,
secundária ou congênita.
2.A má absorção da lactose pode ser
devido a intolerância à lactose primária, secundária ou congênita. A
intolerância a lactose primária é caracterizada pela má absorção ontogenética
da lactose ou pela hipolactasia primária adulta, que consiste na redução da
produção da lactase, uma tendência natural do organismo humano. A secundária é
desenvolvida a partir de alguma alteração na mucosa intestinal decorrente de
doenças, cirurgias ou lesões às células epiteliais do intestino delgado que
produzem a lactase. O terceiro tipo, é a congênita, que representa a
intolerância mais rara. Esse tipo de intolerância se apresenta pela total
ausência da lactase desde o nascimento, se caracterizando por uma alteração
autossômica recessiva. O caso apresentado é referente a hipolactasia primária,
devido a uma redução da atividade enzimática da lactase, que pode se manifestar
em crianças e adultos.
3. O diagnóstico clínico
deve ser feito a partir da construção de uma anamnese e posteriormente, na solicitação de exames laboratoriais.
Dentre os exames laboratoriais que podem ser solicitados, há testes mais
comuns, por serem menos invasivos, como é o caso dos seguintes testes, o de
intolerância a lactose, que é feito a partir da interpretação da curva
glicêmica em jejum e após a ingestão de uma quantidade de lactose, onde a curva
plana representa a não digestão da lactose. Há também o teste da análise fecal
e o de hidrogênio, o teste de análise fecal é feito a partir da observação do pH, onde o pH menor que 7
indica que pode haver essa intolerância.
Por fim, há o teste de hidrogênio, que é o mais utilizado devido
a sua facilidade em realização e por não ser invasivo. Esse método irá comparar
a quantidade de Hidrogênio (H2) no ar expirado em jejum e após a ingestão da
lactose, esse ar expirado apresente hidrogênio no caso da pessoa que tiver
intolerância a lactose, isso ocorre porque quando não há uma degradação correta
da lactose, ela vai seguir para o intestino e será fermentada pelas bactérias,
que irão produzir gases como o hidrogênio, sendo por fim, liberado pelos
pulmões.
4. Alergia ao leite, como todas as alergias, ela ocorre
quando seu sistema imunológico identifica incorretamente as proteínas como
prejudiciais. Quando você ingere essas
proteínas, seu sistema imunológico reage e libera histaminas que, então, causam
seus sintomas alérgicos. Os sintomas podem incluir, chiado leve ou tosse,
erupções cutâneas, vômitos, dores estomacais, diarreias e náuseas.
5. Os resultados
terapêuticos são variáveis segundo tipo, dose e resposta individual. Nos casos
de intolerância grave, sem condições de ingestão de quantidades normais de
cálcio, recomenda-se introduzir cálcio medicamentoso pelo menos a partir do
início da puberdade, pelo aumento de velocidade de crescimento. Inicialmente se
recomenda evitar temporariamente leite e produtos lácteos da dieta para se
obter remissão dos sintomas.
No caso apresentado, é uma intolerância à lactose primária que
tolerá cerca de 12 a 15 gramas de
lactose (cerca de 300 ml de leite), parcelado em duas tomadas. Visto que a
restrição pode levar à predisposição de osteopenia e osteoporose, pelo baixo
aporte de cálcio.