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Casos Clínicos: Diverticulite Complicada | Ligas

Índice

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A sua aprovação no ENAMED 2026, com quem dominou a prova em 2025

Área: Anatomia
de órgãos e sistemas (Coloproctologia);

Autor:
George Cajazeiras Silveira Filho;

Co-autor: Izabelle Mota Ramalho Brilhante;

Revisor: João Pedro Andrade Augusto;

Orientador: José Antônio Carlos Otaviano David Morano;

Liga: Grupo
de Estudos de Anatomia Aplicada à Saúde (GEAAS).

) Caso Clínico de Diverticulite
Complicada:

A
Diverticulite representa um processo
inflamatório dos divertículos do cólon, em decorrência da erosão da parede
causada pelo aumento de pressão intraluminal. Quando há presença de abscesso,
perfuração, fístula ou obstrução é classificada como diverticulite complicada,
a qual pode ser classificada quanto à gravidade por meio dos critérios de
Hinchey(Quadro 01).

Quadro
01
– Representação da classificação de Hinchey. FONTE: Adaptado de
SALLES, R. L. A., 2013.

Figura
01
– Representação iconográfica da classificação de Hinchey do
intestino e da diverticulite.  FONTE:
JACOBS, D. O., 2007.

2)
Identificação do paciente e história clínica:

            J.F.S,
sexo masculino, 75 anos, viúvo, professor aposentado, ensino superior completo,
ateu, heterossexual, natural de João Pessoa – PB, residente de Juazeiro do
Norte – CE, passando férias em Fortaleza- CE.

3)
Queixa principal:

Paciente
procurou a emergência com queixas de dor abdominal com início súbito há 8
horas.

4)
História da Doença Atual (HDA):

A
dor abdominal teve início súbito há 8 horas, tipo cólica, localizada na região
periumbilical, de intensidade moderada, contínua.

Não
aferiu a temperatura. 24 horas após a internação houve piora na intensidade da
dor, a qual estava presente em todo o andar inferior do abdome. Relata
eliminação de flatos e fezes nas duas avaliações.

5)
História Familiar:

Esposa
e três filhos saudáveis, pais falecidos e irmãos apresentando hipertensão
arterial.

6)
História Social:

Boas
condições de moradia e bom nível socioeconômico, nega etilismo e tabagismo. Alimentação
quantitativamente e qualitativamente satisfatória.

7)
Exame Físico:

  • Exame Físico na chegada à emergência
    (admissão):

Geral: Afebril, eupneico, hipocorado 1+/4+,
hidratado, acianótico, anictérico;

Ausculta Respiratória: Murmúrio Vesicular (MV) presente sem
ruídos adventícios bilateralmente;

Frequência Respiratória: 20 irpm;

Ausculta Cardiovascular: Ritmo Cardíaco Regular (RCR), 2 tempos
(T), Bulhas Normofonéticas (BNF), sem sopro;

Pressão Arterial: 140 x 90 mmHg;

Frequência Cardíaca: 96 bpm.

Abdome: flácido, depressível; discretamente
doloroso à palpação profunda em andar inferior e ausência de dor à
descompressão brusca (Blumberg negativo).

  • Exame físico após 24 horas:

Ausculta Respiratória: MV presente sem ruídos adventícios
bilateralmente;

Frequência Respiratória: 20 irpm;

Ausculta Cardiovascular: RCR 2T, BNF, sem sopro;

Pressão Arterial: 130 x 90 mmHg;

Frequência Cardíaca: 100 bpm.

Abdome:
Distendido +/4, doloroso à palpação profunda em andar inferior; manobra de
descompressão súbita dolorosa (Blumberg positivo); ruídos hidroaéreos
presentes.

7)
Exames Complementares:

  • Hemograma Completo:

Hemácias:
3.9milhões/mm3;

Hematócrito:
34.2%;

Hemoglobina:
11.8%;

Leucócitos:
14.860/mm3, com neutrofilia;

Plaquetas:
159.000/mm3;

PCR: 149,6 mg/dl;

Eletrólitos, sumário de urina e gasometria
arterial normais.

  • Tomografia Computadorizada (TC) de Abdome
    e Pelve (Padrão Ouro):

A
tomografia computadorizada é útil para diagnóstico, verificar gravidade do
quadro, pois consegue visualizar possíveis complicações (peritonite, fístulas e
obstrução), programar tratamento e até mesmo realizar intervenções (drenagem
percutânea de abscesso).

Figura
2
-mostra divertículos (seta) e evidência de
inflamação e espessamento da parede ( cabeçada seta), achadosque são consistentes com diverticulite em estágio de Hinchey 1. FONTE: Adaptado de JACOBS,
D. O., 2007.

Figura 3 -Mostra um abscesso peridiverticular
(circulado), um achado consistente com o estágio de Hinchey 2 da doença. FONTE:
Adaptado de JACOBS, D. O., 2007.

Pontos
de discussão:

  • Qual
    o diagnóstico mais provável?
  • Como
    explicar a condição relatada pelo paciente com base nos exames?
  • Por
    que o observado ocorre nesses quadros?
  • Existe
    algum exame necessário para diagnóstico? Qual?
  • Por
    que alguma investigação particular do caso é importante?
  • Qual
    a conduta terapêutica mais apropriada?
  • Qual
    o melhor exame complementar para confirmar o diagnóstico?

9)
Diagnóstico principal:

Apendicite
ou diverticulite aguda, devido a dor na região mesogástrica de intensidade
moderada e contínua e que, após 24 horas, a dor estava localizada nos
quadrantes inferiores do abdome, com presença de dor à descompressão brusca.

Sendo
a diverticulite aguda o principal diagnóstico, pois a dor tinha intensidade
mais forte no quadrante inferior esquerdo.

10) Discussão do caso Diverticulite aguda complicada:

O
diagnóstico mais provável é diverticulite aguda complicada, visto que o
paciente é idoso (idade avançada é fator de risco) e no exame físico são
encontrados de anormalidades, apenas, a dor moderada que, após 24 horas,
evoluiu em intensidade e se localizava predominantemente no quadrante inferior
esquerdo, além disso o paciente passou a apresentar sinal de Blumberg positivo,
indicando peritonite. O exame laboratorial mostra leucocitose (14.860/mm³) e
PCR alterada (149,6 mg/dl) indicando possível perfuração devido a instalação do
processo infeccioso/inflamatório.

O
observado ocorre nesses casos devido à localização dos divertículos serem,
predominantemente, no cólon sigmóide, o qual ocupa o quadrante inferior
esquerdo, justamente o local de maior predomínio e intensidade da dor. Em casos
perfurativos, o conteúdo do lúmen intestinal extravasa para a cavidade
peritoneal. O peritônio por ser estéril, quando em contato com esse conteúdo
gera uma resposta inflamatória e, devido à presença de bactérias do intestino,
ocorre um processo infeccioso, resultando na elevação dos valores da PCR e do
número de leucócitos.

Os
exames complementares que serão necessários são o hemograma completo,
eletrólitos, sumário de urina e PCR (exames laboratoriais) e a tomografia
computadorizada ou enema opaco (exames de imagem), sendo a TC o padrão ouro.

É
necessária uma investigação particular devido aos diagnósticos diferenciais,
haja vista que, por mais que o caso tenha todos os preditivos de um diagnóstico
específico, pode ser um caso atípico.

11) Diagnóstico diferencial para o caso:

O principal diagnóstico diferencial é a
apendicite aguda, cujo mecanismo fisiopatológico é a obstrução da sua luz, em
geral, por um fecalito e, raramente, por cálculo biliar, corpo estranho,
linfonodos, parasitas ou neoplasias. Essa obstrução ocasiona a proliferação
bacteriana e a inflamação transmural com exsudação fibrinosa da parede do
apêndice. O quadro agudo de dor mesogástrica que migra para fossa ilíaca
direita. Hipersensibilidade local (McBurney), anorexia (> 90%), temperatura
axilar normal ou febre baixa. Náuseas e vômitos (> 70% dos casos) são os
sinais e sintomas da doença. A apendicite aguda foi um diagnóstico diferencial,
nesse caso, pela característica migratória da dor, associada a sinal de
Blumberg positivo.

12)
Outros diagnósticos diferenciais:

●        
Gravidez
ectópica (paciente feminina)

●        
Cisto
ou torção ovariana (paciente feminina)

  • Endometriose (paciente feminina)

13)
Tratamentos indicados:

  • Se
    o abscesso for <2cm e não houver sinais de peritonite (estádio 1 de
    Hinchey):
  • Antibioticoterapia e repouso intestinal.
  • Se
    o abscesso for >4cm (estádio 2 de Hinchey):
  • Drenagem percutânea guiada por tomografia
    computadorizada, associada à antibioticoterapia.

  • Peritonite
    generalizada (estádio 3 de Hinchey), perfuração visceral (estádio 4 de Hinchey)
    e sepse:
  • Cirurgia de urgência e antibioticoterapia.

14)
Objetivos de Aprendizados/Competências:

  1. Entender
    o quadro clínico da diverticulite aguda complicada.

2- Citar e explicar
os exames laboratoriais e de imagem solicitados em casos de diverticulite aguda
complicada.

3- Informar a
conduta para os casos de diverticulite aguda complicada.

15)
Pontos importantes:

  •  Paciente idoso.
  • Dor súbita, em cólica e contínua, que
    evoluiu com maior intensidade no quadrante inferior esquerdo.
  • Sinal de Blumberg positivo.
  • TC e exames laboratoriais (PCR e
    hemograma) alterados, confirmando o diagnóstico de diverticulite aguda e
    mostrando complicações.
  • Tratamento cirúrgico.

16)
Conclusão do caso de Diverticulite Complicada:

O
diagnóstico principal é diverticulite aguda complicada. Os exames de imagem
(TC) mostra complicações do quadro de diverticulite aguda que o paciente
apresentava. O tratamento será cirúrgico, haja vista a presença de perfuração,
além disso necessitará de antibioticoterapia.

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