Cardiologia

Casos Clínicos: Sopro Cardíaco | Ligas

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Área: Cirurgia Cardíaca

Autora : Jucileide Tonon. 

Revisor(a): Luma Rios Leorne

Orientador(a): Dra Dulcyane Ferreira de Oliveira

Liga: Liga Acadêmica de Habilidades Cirúrgicas do Amazonas (HABILIDADES CIRÚRGICAS-AM)

Apresentação do caso clínico

Paciente ACSM, sexo masculino, com 10 meses idade, peso 9,2kg, naturalidade Alenquer-PA, procedente de Alenquer-PA, os pais do lactente procuraram a unidade de saúde: Hospital Universitário Francisca Mendes AM-HUFM, relatando que seu filho estava apresentando: pele azulada, falta de ar, tosse, palidez, chiadeira no peito, irritabilidade e choros excessivos, a mãe relatou ainda que a criança não estava ganhando peso. No momento da consulta o médico realizou o exame físico: frequência cardíaca = 100 bpm, saturação de oxigênio = 100%, temperatura = 35,8-36,8 ºC, frequência respiratória = 28 irp, hidratado, cianótico, anictérico, afebril, boa perfusão periférica, sem edemas, aparelho cardiovascular = bulhas rítmicas normofonéticas (BRNF) em 2 tempos com sopro sistólico 3+/6+ em borda esternal esquerda (BEE) e um possível sopro do Blalock. Aparelho respiratório = murmúrio vesicular presente bilateralmente sem ruídos hidroaéreos (RHA), desconforto leve no momento. Abdome globoso, depressível, RHA (+), fígado a +/- 02 cm do rebordo costal esquerdo, baço não palpável à direita. Extremidades sem edemas, pulsos cheios e simétricos, tempo de enchimento capilar < 3 segundos. Foram solicitados os exames laboratoriais e de imagens: radiografia e ecocardiografia transtorácica, através desses, o paciente foi diagnosticado com atresia pulmonar, defeito de septo atrioventricular total com comunicação interventricular, com pós-operatório tardio de Blalock Taussig / bronquiolite, tendo por CID10 = Q22.0. Paciente foi submetido a cirurgia de Glenn. A cirurgia de Glenn bidirecional tem sido empregada como uma opção ao tratamento cirúrgico de pacientes considerados candidatos “não ideais” à cirurgia de derivação átrio-pulmonar. A operação consiste na anastomose da veia cava superior com a artéria pulmonar (anastomose término-lateral), permitindo o fluxo sangüíneo também para o pulmão contra-lateral).

Questões para orientar a discussão    

1. O que é Sopro Cardíaco?

2. Quais são os  Sinas e Sintomas?

3. Características do Sopro inocente?

4. Características do Sopro Patologico ?

5. Exames e Diagnóstico?

 6. Quais os Tratamentos Possíveis?

Respostas

1. O sopro cardíaco é um ruído que pode ser ouvido entre um batimento e outro do coração. Não se trata de uma doença, mas de um achado ao se examinar o coração com o estetoscópio, que pode ter ou não significado clínico, ou seja, indicar ou não doença do coração. Entretanto, o sopro também pode ser representação de doenças cardíacas congênitas ou adquiridas.

2. Os sintomas vão depender do tipo e da gravidade da doença que causa o mesmo, se existir. Muitas doenças do coração, principalmente em crianças, não causam sintomas e só são suspeitadas quando o médico detecta o sopro durante a ausculta cardíaca. Quando há sintomas, os principais podem ser cansaço, taquicardia, desmaios repentinos e coloração azulada nos dedos e nos lábios (cianose), particularmente em crianças, em virtude da baixa oxigenação do sangue – manifestação que, aliás, requer atendimento médico imediato. Não há uma explicação muito precisa para os sopros inocentes. O ruído pode derivar simplesmente de modificações temporárias no sistema circulatório do recém-nascido, da criança e do adolescente, ou mesmo em adultos, ou, então, de vibrações das estruturas elásticas do coração. Outra explicação seria a maior turbulência do fluxo sangüíneo, decorrente de febre ou de um quadro de anemia, que são condições comuns em crianças. Entre os problemas congênitos que causam sopros estão as alterações nas valvas cardíacas e as comunicações entre as cavidades esquerda e direita e entre artérias. Uma causa bastante freqüente de sopros é decorrente de alterações nas valvas cardíacas causadas por febre reumática na infância, uma complicação cardíaca secundária a infecções de garganta por uma bactéria chamada estreptococo. Doenças degenerativas das valvas do coração, mais freqüentes em idosos, também podem causar sopro, como no caso da estenose da valva aórtica.

3. Os sopros inocentes, que ocorrem em um sistema cardiovascular normal, têm características em comum, a saber são mais facilmente audíveis nos estados circulatórios hipercinéticos; são sistólicos ou contínuos; nunca ocorrem isoladamente na diástole; têm curta duração e baixa intensidade (1+/4+); não se associam a frêmito ou a ruídos acessórios (estalidos, cliques); localizam-se em uma área. O sopro cardíaco inocente é a alteração da ausculta que ocorre na ausência de anormalidade anatômica e/ou funcional do sistema cardiovascular, sabendo-se que 50% a 70% das crianças terão, em algum momento da infância e adolescência, uma alteração auscultatória que será reconhecida como sopro, a maioria na idade escolar .

4. Características dos sopros patológicos Os sopros patológicos têm também características comuns que sugerem a existência de doença no sistema cardiovascular: ocorrência isolada na diástole ou sopro contínuo; maior intensidade (2+/4+ ou mais) ou timbre rude; irradiação bem nítida e fixa para outras áreas; associação com sons cardíacos anormais (hiperfonese de bulhas, cliques e estalidos) e/ou com frêmitos; associação com sintomatologia sugestiva de cardiopatia, principalmente cianose e alterações de ritmo e alteração na palpação dos pulsos; exames laboratoriais alterados, como presença de alterações no tamanho e/ou na silhueta cardíaca, ou anormalidades vasculares pulmonares na radiografia de tórax e alterações no eletrocardiograma e/ou no ecocardiograma. Na identificação dos sopros patológicos, são de grande importância o tempo de ocorrência dos sopros em relação ao ritmo cardíaco, a transmissão dos sopros, os desdobramentos anormais da segunda bulha e a detecção de sons e ruídos acessórios e frêmitos. Os sopros sistêmicos de regurgitação, ou holossistólico, nunca são sopros inocentes e associam-se à CIV ou estenose mitral ou tricúspide. Os de ejeção podem ser inocentes, como o sopro de Still, mas aqueles com características de crescendo-decrescendo podem estar associados às estenoses ou deformidades de valvas semilunares (aórtica e pulmonar). Os sopros diastólicos são sempre patológicos e decorrem das insuficiências aórtica ou pulmonar e das estenose e alterações de fluxo através das valvas mitral e tricúspide, assim como os sopros contínuos, que se associam à PCA, coarctação da aorta, estenose de artéria pulmonar, exceto no zumbido venoso. A transmissão do sopro também é um dado indicativo de cardiopatia; assim, por exemplo, um sopro sistólico de ejeção, nos focos da base, que se transmite bem para pescoço, sugere sopro aórtico; por outro lado, aquele que se transmite bem para a região dorsal sugere sopro pulmonar.

5. O sopro é diagnosticado pela ausculta do coração pelo médico que atende a criança ou adulto. Embora a história clínica e as características do sopro auxiliem na caracterização do mesmo, se inocente ou causado por alguma doença, muitas vezes, para esclarecer a causa são necessários exames complementares. Os mais empregados nesta investigação são a radiografia de tórax, o eletrocardiograma e, principalmente, o ecocardiograma, que é um ultrassom que mostra imagens do coração e o seu funcionamento e permite o diagnóstico da maioria das causas de sopros em adultos e crianças. Estas situações geram questões como: possível existência prévia do sopro e/ou modificação das suas características; possibilidade de a patologia atual estar causando lesão definitiva no sistema cardiovascular previamente normal; possibilidade de estar ocorrendo um sopro inocente exacerbado por um estado hipercinético; dentre outros. Imagem abaixo, do exame ecocardiografia transtorácica do paciente:

6. O tratamento dependerá do tipo de problema que está causando o sopro cardíaco. Quando provocado por cardiopatias congênitas, o tratamento é cirúrgico, na maioria dos casos. Quando o defeito é leve, sem repercussão maior para o coração, não há necessidade de tratar. Os procedimentos cirúrgicos para tratar o sopro podem ter o objetivo de remendar o buraco no coração ou fixar/substituir uma válvula.

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